Fotografias ajudam a diagnosticar tipo agressivo de câncer

Hoje, o diagnóstico do melanoma é feito por meio da biópsia, que pode ser executada tanto por dermatologistas, quanto por oncologistas

Com o suporte de um banco de imagens e de um sistema computacional, uma simples fotografia, feita por meio de câmeras digitais ou celulares, poderá ser utilizada no processo de diagnóstico do melanoma, tipo mais agressivo de câncer de pele, que acomete cerca de seis mil pessoas por ano, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA).

31fotoA metodologia inovadora foi desenvolvida no mestrado de David Antônio Sbrissa Neto, pesquisador do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP, que realizou o estudo juntamente com os professores Gonzalo Travieso, Cristina Kurachi, Vanderlei Salvador Bagnato e Luciano da Fontoura Costa, todos do IFSC.

Diagnóstico de câncer é apoiado por banco de imagens e sistema computacional
O melanoma surge quando as células produtoras de melanina (responsáveis pela coloração da pele) sofrem danos, podendo invadir qualquer órgão corpóreo e ocasionar, em muitas vezes, o desenvolvimento de manchas — lesões melanocíticas —, além de outras alterações que podem acarretar em coceira, sangramento e outros sintomas.

Hoje, o diagnóstico do melanoma é feito por meio da biópsia (remoção cirúrgica onde parte ou a totalidade da lesão é retirada para análise médica), que pode ser executada tanto por dermatologistas, quanto por oncologistas.

Entretanto, de acordo com a professora Cristina Kurachi, geralmente o número desses profissionais em atuação é escasso e a fila de espera para a realização do diagnóstico pode se prolongar por meses, tempo que favorece a evolução da patologia, cuja cura só é obtida com sucesso quando o tratamento se inicia durante os primeiros estágios da doença.

Essa demora no diagnóstico também se deve ao fato de as manchas do melanoma serem semelhantes a outras lesões desenvolvidas na pele humana. Isso faz com que os médicos não-dermatologistas tenham dúvidas sobre a origem das manchas.

“Apesar de o melanoma não ter uma incidência tão alta em termos de porcentagem, a quantidade de casos suspeitos é muito grande”, explica Cristina Kurachi, destacando o aumento da estatística de pacientes com melanoma.

Metodologia inovadora

Para analisar as imagens de possíveis casos da doença em questão, os pesquisadores do IFSC criaram um banco de imagens que é regularmente atualizado com fotos de lesões melanocíticas cedidas por médicos. Essas imagens são utilizadas como base para as análises das fotografias dos pacientes.

Esse processo de comparação de imagens só é possível porque as manchas causadas pelo melanoma têm características únicas, incluindo bordas irregulares, colorações diferenciadas e um diâmetro maior do que as manchas comuns.

“Com esse estudo, conseguiremos agilizar o diagnóstico dos pacientes, porque, com as características quantitativas que obtivermos das imagens desse banco, nosso sistema computacional as comparará automaticamente com as das fotografias dos pacientes, informando se as manchas dos indivíduos podem — ou não — corresponder às do melanoma”, diz o professor Travieso.

Para que essa metodologia possa ser disponibilizada no mercado, os pesquisadores explicam que ainda é preciso executar alguns ajustes no sistema computacional, responsável pelos cálculos nas imagens dos pacientes, aprimorando ainda mais sua eficiência.

Além disso, os especialistas do IFSC deverão realizar novos trabalhos envolvendo o diagnóstico de outros tipos de lesão.

“Ampliaremos o nosso banco de imagens e trabalharemos com outros tipos de processamento, também na área de diagnóstico”, pontua David Neto, que em breve dará início ao seu doutorado no IFSC.

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