Forças de segurança do Egito matam 12 turistas por engano

Cairo, Egito – As forças de segurança egípcias mataram no domingo por engano 12 pessoas, incluindo dois turistas mexicanos, ao atacar seus veículos durante uma ofensiva contra jihadistas, o que levou o governo do México a exigir uma exaustiva investigação do ocorrido.

Pick-ups cruzam o deserto egípcio em foto tirada em maio Amr Abdallah Dalsh/Reuters
Pick-ups cruzam o deserto egípcio em foto tirada em maio Amr Abdallah Dalsh/Reuters

“As forças conjuntas da polícia e do exército, que perseguiam terroristas em Wahat, no deserto ocidental, abriram fogo por erro contra quatro veículos que transportavam turistas mexicanos” em uma “zona não autorizada a turistas”, indicou o ministério do Interior em um comunicado. O ministério não forneceu nenhum detalhe sobre as vítimas, mas afirmou que “o incidente provocou a morte de 12 (pessoas), mexicanos e egípcios, e feriu outras 10”.

O deserto do oeste egípcio, muito apreciado pelos turistas, é um dos redutos de grupos jihadistas, que cometem com frequência muitos atentados contra as forças de ordem em todo o país. A chancelaria mexicana, que confirmou o incidente ocorrido “em circunstâncias ainda não esclarecidas”, indicou em um comunicado que havia sido “confirmado o falecimento de dois mexicanos”, embora o processo de “identificar e confirmar os nomes” das vítimas prosseguisse.

O embaixador do México no Egito e funcionários consulares se dirigiram ao Hospital Dar-el-Fouad, localizado em um subúrbio a oeste do Cairo, para atender cinco mexicanos feridos no ataque, cujo estado médico é estável, disse a chancelaria mexicana. O presidente do México, Enrique Peña Nieto, condenou estes incidentes e exigiu “do governo do Egito uma investigação exaustiva do ocorrido”, escreveu em sua conta da rede social Twitter.
Até o momento, não se sabe se os veículos foram atingidos por disparos de armas automáticas, de artilharia ou por bombardeios aéreos. A chancelaria mexicana convocou uma coletiva de imprensa para esta segunda-feira.

Extenso deserto

Até o momento, não se sabe o local exato no qual ocorreu o incidente, mas ele foi registrado enquanto os turistas se dirigiam do Cairo ao oásis de Bahariya, 350 km a sudoeste da capital, informou à Agência France Presse (AFP) um funcionário de alto escalão do ministério do Turismo que pediu o anonimato.

Segundo a fonte, os turistas e seus acompanhantes abandonaram a estrada para entrar no deserto, em uma zona não autorizada a turistas. Durante a tarde, o grupo Estado Islâmico no Egito afirmou em um comunicado que “resistiu (no domingo) a uma operação do exército no deserto ocidental” e que “obrigou membros do exército a fugir”, sem fornecer mais detalhes.

Tanto os braços egípcios do EI – o Estado Islâmico no Egito e a Província do Sinai – quanto o resto dos grupos jihadistas reivindicam com frequência ataques contra as forças de ordem, especialmente na península desértica do Sinai, onde têm seu principal reduto.

Após depor o presidente islamita Mohamed Mursi em julho de 2013, seu sucessor à frente do país, o presidente Abdel Fatah Al-Sissi, lançou uma sangrenta repressão contra seus partidários. Centenas de policiais e soldados morreram nos últimos dois anos em atentados dos jihadistas, que alegaram em um primeiro momento agir em represália pela repressão implacável.

France Presse

 

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