Fiems prevê fechamento de 20 mil vagas de trabalho com fim da desoneração da folha

O presidente da Fiems, Sérgio Longen, reforçou que, até o fim deste ano, o setor industrial de Mato Grosso do Sul deve atingir a marca de 20 mil postos de trabalho encerrados em decorrência da aprovação, pelo Senado, do Projeto de Lei 57/2015, que altera a política de desoneração da folha e aumenta as alíquotas de impostos sobre 56 setores da economia.

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Até julho este ano, de acordo com levantamento do Radar Industrial da Fiems, já foram fechadas 12 mil vagas de emprego nas indústrias do Estado e, com o agravamento da crise econômica aliada à política fiscal da União, esse número deve chegar a 20 mil como forma de ajuste por parte dos empresários devido a um cenário ainda pior para 2016.

“Quando se transfere esse custo para os produtos finais, você diminui o poder de compra da população e, com a restrição do consumo, automaticamente as indústrias reduzem a produção, resultando em demissões. Por isso, o setor produtivo classificou essa medida do Governo de ‘Lei do Desemprego’ e nós empresários a combatemos no Congresso Nacional. Infelizmente, os nossos políticos acabaram por permitir que o Planalto avançasse com essa medida sobre a sociedade”, declarou Sérgio Longen, alertando para o agravamento das demissões.

Ele acrescenta que o setor produtivo, representando pela Fiems, Fecomércio-MS, Famasul e Faems, está indignado com a política econômica do Governo Federal e ainda mais com a classe política do Estado, que validou uma medida que transfere para a sociedade um custo pesado por meio de novos impostos. “Nos próximos dias, vamos até Brasília (DF), onde teremos uma reunião na CNI (Confederação Nacional da Indústria) para avaliar e tentar encontrar uma saída que não seja repassar os custos para a sociedade”, informou.

Arrecadação

O presidente da Fiems explica que, antes da desoneração da folha de pagamento de 56 setores da economia, as indústrias pagavam 20% da folha para o INSS como contribuição. O Governo, entendendo que a contribuição era pesada, criou uma condição de melhoria para o setor empresarial, criando as alíquotas de 1% e 2% sobre o faturamento bruto das empresas. Passada essa fase, a União entendeu que estava precisando arrecadar cerca de R$ 22 bilhões a mais e voltou à carga, subindo as alíquotas de 1% para 2,5% e de 2,5% para 4,5%, então são aumentos impossíveis de não serem repassados.

Sérgio Longen informa que em Mato Grosso do Sul, para se ter ideia, os setores industrial e comercial vão passar a pagar ao Planalto cerca de R$ 900 milhões a mais com o fim da desoneração da folha de pagamento. “Nós vivemos em um Brasil que, por mais que seja democrático, o Governo tem nos faltado e a classe política também”, lamentou, garantindo que, terminada essa pauta do ajuste fiscal, já se abre nova uma nova pauta que é a revisão do PIS Cofins, que tirará alguns créditos e resultará em um novo aumento de tributos para ser distribuído para a sociedade.

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