Marun se diz surpreso com votação contra Cunha e que continuaria defesa

Marun defende mesmo tratamento a Cunha (Foto: Divulgação )
Marun na mesa diretora, enquanto Cunha era presidente (Foto: Divulgação )

O deputado federal por Mato Grosso do Sul, Carlos Marun (PMDB), ainda continua a falar e declarou ter ficado surpreso com a votação contra Eduardo Cunha, que teve seu mandato cassado na noite desta segunda-feira (12), em Brasília. Mesmo sendo duramente criticado pelos sul-mato-grossenses, como por todo o Brasil, Marun, foi um fiel e até o fim defensor, do agora ex-presidente da Câmara dos Deputados e ex-deputado do PMDB do Rio de Janeiro, que recebeu apenas 10 votos contra sua cassação. Cunha foi alçado de seu mandato por 450 votos de colegas que encerraram sua longa e polemica carreira política, que se ainda retornar, só volta em 2027, pois ficará inelegível por oito anos, após o fim do período do atual mandato. Marun chegou até registrar ‘oficialmente’ que ficou triste com o resultado, mas que assume e continuaria a defesa que sempre fez durante o processo, por acreditar no que estava fazendo.

Marun, também peemedebista, ou mais ‘cunhista’, disse nesta terça-feira (13) que sua surpresa, é diante do placar tão desfavorável para Cunha ante seu poder e muitos então aliados, que ajudaram a Câmara a ter o maior tempo, 11 meses, para finalizar um processo de cassação por quebra de decoro parlamentar, do qual Cunha sofreu e foi instalado em 10 de outubro de 2015. “Depois dos muitos atos e ações contra que foram surgindo de todos os lados, nesta altura, todos já sabíamos, o próprio Cunha, que era esperada a cassação. A aprovação até seria por um bom placar. Mas, elástico assim, o resultado efetivamente foi surpreendente”, declarou o peemedebista de MS, que foi único do Estado, e entre os 10, que votou a favor de Cunha.

Com apenas dez votos favoráveis ao peemedebista, isto era quase impensável e não era esperado, apontou Marun, que mencionou que as ausências de deputados do Centrão e do próprio PMDB, partido de Cunha, na sessão de julgamento, influenciou o resultado. “Se formou uma onda e essa onda estourou em cima da cabeça do deputado Eduardo Cunha. Jamais diria que haveria qualquer previsão ao número que resultou exposto no placar ao final da votação. Vemos também o que não faz o poder ser perdido e o que são ou viram as costas”, afirmou o deputado, que ainda apontou que também recebeu apoio pelo trabalho defensor que realizou.

Marun, foi durou com seus colegas que abandonaram Cunha e ratificou que não se arrepende em defender até o final o mentor e ou naquilo que acreditar. O parlamentar chegou a declarar a imprensa e mesmo fez registro em sua rede social que ficou triste, mas que continuaria a fazer defesa. “Após passar o processo de cassação do deputado Eduardo Cunha, quero agradecer o apoio que recebi de muitos e as criticas construtivas que me chegaram também de todos os lados. As ofensas nem considerei. Mas, ontem dormir triste com o resultado, mas em paz com minha consciência. Não sou e nunca serei vira casaca e não me falta, nem faltará coragem para defender o que considero certo”, descreveu o peemedebista.

Até oposição se surpreendeu

Eduardo Cunha diz que não fará delação premiada (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/AB)
Cunha ontem, em último discurso de defesa na Câmara (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/AB)

Os deputados, incluindo os outros sete de MS, aprovaram o parecer do Conselho de Ética da Casa, que pediu a cassação do mandato de Cunha, por ele ter mentido durante depoimento na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Petrobras, sobre ter contas secretas na Suíça. E estas contas teriam recebido dinheiro do esquema de pagamento de propina envolvendo a Petrobras e investigado na Operação Lava Jato.

O deputado Ivan Valente (SP), líder do PSOL, que junto com a REDE, requereu a abertura do processo, e que ontem previa a cassação por pelo menos 350 votos, também se disse surpreso com a derrota tão expressiva de Cunha. “Foi um placar bastante dilatado. Mostra o instinto de sobrevivência dos políticos, mesmo os fisiológicos, clientelistas, corruptos, porque temos eleições [municipais, em outubro] e a carreira política pela frente. Ninguém esperava que ele tivesse apenas dez parlamentares para votar com ele”, afirmou.

O relator do processo contra Cunha quando o caso começou a tramitar no Conselho de Ética, o deputado Marcos Rogério (DEM-RO), também avaliou que o resultado surpreendeu, mas que o tempo de quase um ano, foi protelatório, beneficiou Cunha, mas que acabou também por enfraquece-lo.

“O fato de ele ter esticado o processo, feito dele o processo mais longo da Casa, acabou permitindo que os parlamentares tomassem conhecimento, a cada dia que passava, de fatos novos. Isso fez com que, ao final, o placar fosse tão alto [pela cassação]. O placar foi realmente muito elástico, nos surpreendeu de certa forma porque ele anunciava ter um grupo de aliados muito grande que na hora da votação não apareceu. Foi uma surpresa sobretudo para ele”, disse Rogério.

 

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