Felipe Massa revela “ajuda divina” para garantir pódio: “Pensava só em Deus”

“Nas últimas três voltas eu pensava só em Deus, pedi ajuda, vamos lá, vamos lá, por favor, me ajuda”, disse o emocionado Felipe Massa depois de conquistar o terceiro lugar no GP da Itália, neste domingo, em Monza, diante de um público que sabe como nenhum outro fazer sua própria festa em frente ao pódio do mítico e quase secular autódromo. Em 1921 celebrará 100 anos.

Felipe Massa celebra pódio no GP da Itália (Foto: Getty Images)
Felipe Massa celebra pódio no GP da Itália (Foto: Getty Images)

Lewis Hamilton venceu, conforme todos, sem exceção, esperavam por causa da impressionante vantagem do modelo W06 Hybrid da Mercedes, agora com uma nova versão de unidade motriz, ainda mais eficiente que a já usada até o GP da Bélgica, prova anterior a de Monza.

Mas a festa maior dos tifosi tinha outro motivo: Sebastian Vettel, da Ferrari, recebeu a bandeirada em segundo lugar. “Grazie, Grazie a tutti”, disse o alemão, muito emocionado também com a manifestação extrema de carinho. “E pensar que eu já fui vaiado aqui nesse mesmo pódio apenas por ter vencido por um time que não era a Ferrari”, lembrou. Assim como aconteceu com Hamilton neste domingo.

O dia era de fortes emoções em Monza. Massa conversou com a imprensa mantendo sorriso no rosto o tempo todo. “Nas dez últimas voltas acabei perdendo rendimento, meus pneus traseiros estavam desgastados. Fiz o meu pit stop bem antes do meu companheiro. E no fim os deles estavam em melhor condição que os meus”, explicou. Massa parou na 19ª volta e Valtteri Bottas, parceiro na Williams, na 22ª, ou três voltas mais tarde.

Na 40ª volta, de um total de 53, Hamilton liderava com uma vantagem grande sobre Vettel, 22,4 segundos. A seguir vinham Nico Rosberg, da Mercedes, 3,7 segundos atrás, em terceiro, Massa, 8,4, e Bottas, a 5 segundos e 4 décimos de Massa. Mas na 48ª, a cinco da bandeirada, o ritmo do finlandês era bem melhor que o de Massa. A diferença entre ambos caiu para 2,1 segundos.

A luta entre ambos ganhou ainda maior importância quando na 50ª volta os dois viram Rosberg abandonar em razão de problemas na unidade motriz, na Variante della Roggia, a segunda chicane. Quem vencesse a batalha entre Massa e Bottas iria para o pódio, pois o alemão era o terceiro colocado e Massa, quarto, e Bottas, quinto.

Nessa mesma volta, Bottas ficou a um segundo de Massa o que lhe permitia usar o flap móvel (DRS), recurso que faz o carro ser mais veloz nas retas e ajuda ultrapassar de maneira decisiva. Foi nesse instante que Massa passou a recorrer ao céu para garantir o pódio, como no ano passado, em Monza, na mesma escuderia Williams.

E ao que parece foi atendido. “Estou muito feliz com o resultado”, afirmou. “A equipe disputou uma corrida maravilhosa, esse pódio é maravilhoso, o que sentimos lá fica sempre dentro do sangue. Conquistamos pontos importantíssimos para a equipe.”

O piloto e sua família são bastante religiosos. “Antes da largada nós rezamos, eu o Felipinho (filho) e a Rafa (Rafaela, esposa). O Felipinho falou sobre o resultado: ‘Tomara que seja como na Áustria’. E foi mesmo o que aconteceu” (veja o vídeo abaixo). Em Spielberg, dia 21 de junho, Massa obteve o primeiro pódio do ano, com o terceiro lugar. Hoje foi o segundo.

Apesar do sucesso no GP da Itália, a Williams de novo não foi eficiente nos boxes. Massa perdeu no seu pit stop 25 segundos e 207 milésimos. E Rosberg, na volta anterior, 18ª, 24 segundos e 657 milésimos. Isso colaborou para Massa perder o terceiro lugar para o alemão da Mercedes na operação de pit stop, reconquistada 31 voltas mais tarde em razão do abandono do adversário.

Ao ver Rosberg parado, Massa pensou: “Fui para terceiro. Mas nada acabou, meu companheiro estava chegando. Só pensei em trabalhar, manter o ritmo, e não era fácil, meus pneus traseiros estavam bem gastos”.

Bottas tentou a manobra na 53ª e última volta, na freada da primeira chicane, mas ainda estava alguns metros longe para conseguir ganhar a posição de Massa. Haveria a possibilidade de com o uso do DRS tentar novamente na saída da Curva Lesmo para, na freada da Variante Ascari, buscar a ultrapassagem. E de novo o céu estava do lado de Massa.

“Eu tinha ainda essa chance, mas fiquei sem o MGU-K (sistema de recuperação de energia cinética) e tive de me contentar com o quarto lugar”, falou Bottas.

O diretor técnico da Williams, Pat Symonds, comentou com o GloboEsporte.com: “Acompanhamos com grande atenção a luta de nossos dois pilotos”. À pergunta se estava preocupado com a disputa, disse: “Não. Felipe e Valtteri sabem, conversamos entre nós, que estão liberados para lutar entre si. Mas também sabem que não podem afetar o interesse da Williams.”

O terceiro lugar de Massa, garantido por uma diferença de 361 milésimos, lhe deu uma pequena folga na quarta colocação do Mundial de Pilotos. Soma, agora, depois de 12 etapas, 97 pontos, diante de 92 de Kimi Raikkonen, da Ferrari, quinto hoje em Monza, e 91 de Bottas. A quarta colocação no campeonato é a meta de Massa depois de entender, após as primeiras corridas, que não haveria o que fazer com as duas primeiras, reservadas a Hamilton e Rosberg.

Mérito do trabalho que a gente vem fazendo a cada corrida. Mas temos de manter os pés no chão, nossos concorrentes são muito fortes. As coisas acabam apenas na última corrida”, afirmou Massa.

O exemplo de como tudo muda rápido na F-1 vem da Ferrari. Na edição do ano passado do GP da Itália, Hamilton também venceu, com Rosberg em segundo. Massa foi terceiro. A melhor Ferrari, a de Raikkonen, em nono, recebeu a bandeirada 38 segundos depois de Massa. E neste domingo, Vettel com o modelo italiano SF-15-T terminou a prova, nos mesmos 5.793 metros de Monza, 22 segundos e 593 milésimos na frente de Massa.

“Que salto de performance, não?”, falou, rindo, Symonds. “É fácil explicar. A Ferrari tem um orçamento muito, mas muito maior que o nosso. Eles fizeram um enorme investimento para produzir um chassi melhor e, principalmente, uma nova unidade motriz, a maior dificuldade deles em 2014.” Massa concorda com o seu diretor técnico. “Eles acertaram desta vez no motor. Agora ele é tão competitivo como o nosso (Mercedes). E numa pista como essa o motor faz uma diferença tremenda. A cada corrida vai ficando mais difícil para nós, eles continuam com um carro mais rápido que o nosso.”

A próxima etapa do calendário é o GP de Cingapura, dia 20. E traçados de rua representam o calcanhar-de-Aquiles do modelo FW37-Mercedes da Williams. Em Mônaco e na Hungria, circuitos lentos, Massa e Bottas não marcaram pontos nos dois, única vez na temporada até agora. “Esperamos a Red Bull muito forte lá”, comentou Massa. O time austríaco deverá, para ele, disputar grande corrida, como fez em Mônaco e Hungria. Nesta, colocou os dois pilotos no pódio, Daniil Kvyat segundo e Daniel Ricciardo, terceiro.

“Mas não fomos mal lá no ano passado, cheguei em quinto. A chance de marcar bons pontos em Cingapura existe. Vou para lá com um pensamento positivo. O resultado desta corrida (Monza) ajuda numa etapa que pode ser mais complicada para nós”, falou Massa.

Massa faz parte do grupo que defende a manutenção da prova de Monza no campeonato na F-1. O contrato com a FOM termina no ano que vem. E Bernie Ecclestone exige que os promotores do GP da Itália paguem o mesmo de outras etapas na Europa, 18 milhões de euros (R$ 72 milhões) por edição do evento. Hoje paga 10 milhões de euros (R$ 40 milhões). Valores estimados, mas não desmentidos pelos dois lados.

“Monza faz parte da história da F-1. É um lugar muito importante para a F-1, olha a tradição desse lugar, os fãs, a F-1 não pode perder isso. A F-1 pode, talvez, perder algo menos importante, mas não Monza. Nós corremos para o público, pelos fãs. Quando você vê, do pódio, uma reta inteira cheia de gente, até a curva 3, e não vê o asfalto, é um calor humano que a F-1 não pode perder”, afirmou Massa.

Até o primeiro-ministro da Itália, Matteo Renzi, conversou com Ecclestone, neste domingo, tentando sensibilizá-lo do mesmo lembrado por Massa. Mas quem conhece o homem que define os rumos da F-1 e se responsabiliza também pelo calendário, sabe que ele não vai abrir precedentes. Haveria uma reação em cadeia com outros circuitos históricos.

Os promotores do GP da Itália dizem não ter condições de pagar o solicitado pela FOM, sem o investimento do governo italiano, seja da região da Lombardia, onde se encontra o autódromo, ou o governo central. Mas há problemas até com a legislação italiana para os governos passarem a discutir essa possibilidade.

Globoesporte.com

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