Favela e mau cheiro na região do Dom Antonio toma conta de sessão da Câmara

Uma das manifestações dos moradores da região do bairro Dom Antonio (Fotos: Lúcio Borges)
Uma das manifestações dos moradores da região do bairro Dom Antonio (Fotos: Lúcio Borges)

A sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Campo Grande desta terça-feira (17) esteve com plenário praticamente vazio, mas não deixou de receber mais um protesto, que foi tímido, mas levou ao centro da Casa, novamente dois assuntos envolvendo os moradores da região do bairro Dom Antonio Barbosa/Cidade de Deus. A sessão de hoje foi ‘normal’, ao contrario do que vinha ocorrendo nos últimos meses, que recebia muitas manifestações diante diversos problemas sociais da Capital e contrapondo polemicas criadas pelos próprios parlamentares, como a ‘lei da mordaça’ e a declaração ofensiva do vereador Roberto Durães (PSC). Mas mesmo diante da ‘normalidade’ ou ‘não barulho’ dos movimentos que vinham ocorrendo, assuntos graves foram levados ao centro da sessão para que vereadores agissem quanto a ainda transferência da favela da Cidade de Deus e sobre o mau cheiro constante que impregna toda aquela região que fica no sudoeste da Capital.

Um grupo de moradores que foi levado da ‘Cidade de Deus’ para o bairro Vespasiano Martins, levou reivindicação e cobraram duramente os vereadores, sobre lentidão ou falta de resoluções na construção das novas moradias. “Vereadores a demora de vocês, nos deixou sem teto e passando frio”, dizia uma faixa aberta no plenário, por cerca de 20 pessoas, que também portavam outra pedindo “Dignidade para famílias da Cidade de Deus”.

O jovem Israel da Silva Rodrigues, que segurava e comandava a ação, apontou ao Página Brazil que eles estão correndo atrás do que prometeram e até saiu uma parte, mas que tem faltado para a maioria. “Tem uma grande parte das famílias ainda sem casa, que mudou de barraco de lado para outro somente, que estão passando frio, com o pior que ficou do que já estava. No caso das casas no Vespasiano que estão sendo erguida no mutirão, ta parado, pois falta material. A verba tem que ser liberada e o recurso tem que ser autorizado pela Câmara, que não assinam documentos para barrar a prefeitura. Mas quem se ferra somos nós”, revelou.

Os vereadores não concordaram com este protesto na Câmara e ao microfone, criticaram o movimento. “Vocês deveriam colocar essa faixa na porta da prefeitura, na casa do prefeito, que só enrola com tudo que ‘mete a mão’. Ele é o responsável. Nós cobramos, estivemos presente, recorremos a Justiça, pedimos e denunciamos o absurdo de tirar uma favela e criar outras tres. Eles dizem que vão resolver e criar um bairro, mas o que deveria ter sido feito antes e não criar novos problemas, como tem ocorrido”, disse Alex do PT, que foi acompanhado por José Chadid (PSDB), Airton Saraiva (DEM), Chiquinho Teles (PSD) e outros com apoio no plenário.

Outro problema – o mau cheiro mora junto com população local

Rubens Honorio que discursou na Tribuna
Rubens Honorio que discursou na Tribuna

O outro tema da mesma região levado a Casa de Lei, foi quanto ao mau cheiro que é constante, exalando forte odor fétido, que invade todas as casas e a ‘vida’ dos moradores. Está questão foi levada oficialmente ao Legislativo, que abriu a “Palavra Livre” a Rubens Honório Alcântara, que é presidente da Associação dos Moradores do Dom Antônio Barbosa e coordenador do Conselho Gestor de Saúde do Posto de Saúde do Parque do Sol. O representante usou a tribuna para falar sobre o mau cheiro que atinge, segundo ele, a 20 mil pessoas na grande região, que tem os bairros citados, como também os circunvizinhos Lageado, Vespasiano Martins, e também o grande Los Angeles.

“Somos 20 mil pessoas guerreiras pelo dia a dia de nossa própria condição social, que se agrava com nossa região que tem, foi ou é levada tudo de ruim, que não presta. Lá já tinha o lixão de anos, levaram uma estação de esgoto. Lá já tinha o curtume e levaram uma industria de adubo orgânico, dentre outras coisas. Nós precisamos de uma solução, queremos alguma, se não toda solução para podridão que nós temos, pela convivência da carniça que temos todo dia. Quero lembrar que quando qualquer um passa por uma carniça, desvia, foge e procurar retirar. Nós, não podemos nada disso e temos que conviver com tanto ador, mau cheiro constante, que arde nos olhos, doí no estomago e na alma, pois nós somos relegados, somos preteridos, mas conclamo que alguém faça alguma coisa, para ao menos amenizar nossa situação”, discursou Rubens Honório.

O presidente da Associação dos Moradores do Dom Antônio solicitou ainda que as autoridades façam algo urgente, concreto e definitivo. “Eu queria que vocês, todos sentisse na pele um dia lá que seja. Nos ajude, que tudo e todos se unam em um coletivo, que tirem algo de solução definitiva. Temos que ver ou vocês que tem o Poder para fazer algo minimo que seja, uma contrapartida, medidas compensatória de todos que estão lá levando ‘coisas ruins’, já que tudo de ruim vai para lá”, mencionou Rubens Honório.

A questão deste ‘protesto’ referente a região, foi apoiada pelos vereadores, que mencionaram que já requereram diversas ações, mas não foram atendidos também. Contudo, querem agir de uma forma que contribua de uma forma mais eficaz, para ao menos encaminhar uma ‘resolução’ mais concreta a prefeitura que é quem deve executar qualquer ação. “Já pedimos, sugerimos algumas coisas para tentar começar a resolver as1705_Camara2 questões, mas também ainda não se tornou realidade. Em fevereiro de 2015, encaminhei por exemplo, um pedido, e creio que seria no mínimo, a prefeitura contratar uma empresa especializada para estudar afundo a questão e propor algo a ser feito. Pesquisar, identificar e responsabilizar quem fez o maior estrago, se é um, se é mais ou mesmo todos provocam danos a população e Meio Ambiente”, disse Alex do PT.

Solução da Câmara para o presente e futuro

O petista ainda falou ou propôs que o Legislativo faça o trabalho mencionado e assim contribua de forma concreta e como tem que repassar ao Executivo, que repasse assim algo oficial, que não terá como ser dito que não se tem o conhecimento. “Se a prefeitura ainda não fez o estudo, por qual motivo não sei, mas não fez nem isso para identificar, que façamos nós. Requeiro a nossa direção que executemos nós, a contratação deste estudo, que a Câmara banque isto, para tomarmos decisões maiores, contra quer que seja atingido. Repassar a prefeitura que não terá assim nenhuma desculpa de não poder fazer nada por não ter o conhecimento do que ou como agir”, pediu Alex.

Para o vereador Eduardo Romero, presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara, o fato é consumado e se necessita tomar decisões para ‘resgatar’ as pessoas atuais e ainda pensar no futuro delas e de outros. “Temos que ser realista, pois já temos um conflito que à principio, quase não podemos resolver, além de amenizar ou retirar parte da questão, pois o que provoca tudo está instalado e na circunstancia não há o que fazer 100%, se não fechar tudo. O que não será possível ou mesmo com o estrago já feito é quase irrecuperável. Mas, quanto a Legislação ou atos executivo, temos que rever e determinar se a área é ou vai continuar sendo industrial naquela proporção ou só residencial. Isto para barrarmos que mais coisas do gênero surja no local, para ainda piorar a situação. Porque, com o que há, infelizmente, só reduziremos os impactos e se amenizará ou retirá-los do local”, apontou.

“Não temos que é que crucificar ninguém, mas buscar com todos uma solução”, definiu e concluiu o assunto o vereador Chiquinho Teles.

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