Favela Dilma Rousseff muda de nome devido à crise econômica

A presidente Dilma Rousseff caiu, pelo menos em uma comunidade situada em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Indignados com o preço dos alimentos, as condições precárias de vida e as informações sobre corrupção, os moradores da Favela Dilma Rousseff resolveram mudar o nome da localidade.

Há três semanas o local foi renomeado provisoriamente como Favela dos Abandonados. Os moradores recolheram a placa que homenageava a presidente Dilma na entrada da favela. Na manhã de sexta-feira, 10 de julho, eles cogitavam rebatizá-la de Comunidade Joaquim Barbosa, em referência ao ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF).

Os moradores recolheram a placa que homenageava a presidente Dilma na entrada da favela Foto: Fabiano Rocha
Os moradores recolheram a placa que homenageava a presidente Dilma na entrada da favela Foto: Fabiano Rocha

— Votei na Dilma e briguei por votos na eleição. Mas, de janeiro para cá, ela está destruindo nossa classe social. O desemprego cresceu demais. Eu sou pedreiro mas ninguém contrata. A gente não consegue fazer compras — disse o presidente da Associação de Moradores, pastor Vagner Gonzaga dos Santos, de 37 anos.

O líder comunitário retirou a placa, mas ainda não conseguiu se livrar dos adesivos da campanha eleitoral do ano passado, que insistem em estampar o rosto de Dilma. Embora a revolta tenha incidido sobretudo na presidente, a indignação abrange toda classe política. A favela foi alvo dos candidatos nas eleições do ano passado.

No local vivem 52 famílias, cerca de 250 pessoas, sem serviços regulares de água, esgoto e energia.
No local vivem 52 famílias, cerca de 250 pessoas, sem serviços regulares de água, esgoto e energia. Foto: Fabiano Rocha

— Os políticos são ratos. Nós somos queijo. Eles vêm com tudo atrás de votos mas desaparecem depois de eleitos — afirmou o pastor.

Além da política e do desemprego, a religião tambem colabora para a perda de apoio da presidente na comunidade.

— Cada um faz o que quer, mas esse negócio de levar cartilha gay para as escolas é baixaria — afirmou Vagner Gonzaga.

A comunidade fica na margem da BR-465, a antiga rodovia Rio-Santos. No local vivem 52 famílias, cerca de 250 pessoas, sem serviços regulares de água, esgoto e energia. Com a ausência de oportunidades de trabalho formal, os moradores vivem de atividades informais. A maioria vende bebidas na rodovia.

— Já fui ajudante de cozinha, doceira e balconista, mas estou sem emprego desde o começo do ano. Eu crio sozinha minhas três filhas e tenho que ir pra pista vender água e refrigerante — reclamou Miranildes Alexandrina Coelho, de 32 anos.

A comunidade fica na margem da BR-465, a antiga rodovia Rio-Santos.

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