Fábio tenta com as mãos, mas cabeça iluminada de Centurión decide

Goleiro do Cruzeiro fecha o gol no Morumbi até os 37 minutos, quando o argentino marcou seu terceiro gol pelo São Paulo, o terceiro de cabeça 

O jogo da noite desta quarta-feira no Morumbi teve três personagens importantes. Diante dos holofotes e de mais de 66 mil torcedores, no maior público do ano no Brasil, o Cruzeiro suportava a pressão do São Paulo até os 37 minutos do segundo tempo, sempre pelas mãos salvadoras do ídolo Fábio. Suportava porque Centurión usou a cabeça e a última porção de fôlego restante para dar a vitória por 1 a 0 aos tricolores na primeira partida das oitavas de final da Copa Libertadores da América.

Fábio acostumou-se a sofrer em jogos contra o São Paulo. Maior vítima da carreira de Ceni com oito gols tomados, protagonizou os embates com o Mito nos últimos dez quase sempre levando a pior. Desta vez, o destino do herói cruzeirense parecia ser outro. E de paladar mais saboroso. Enquanto Ceni se aquecia para seguir atento aos raros ataques mineiros, Fábio trabalhava, trabalhava, trabalhava…

Foram ao menos três defesas incríveis, incluindo uma cabeçada no contrapé do ativo Alexandre Pato no primeiro tempo. Mas Ceni também trabalhou. Discretamente, há duas semanas, apostou em rara entrevista coletiva que Centurión seria ídolo no clube em que idolatria tem seu sobrenome. Profetizou e somente aguardou diante da atuação destacada de seu colega de profissão.

Na etapa complementar, além da precisão do arqueiro celeste, o ímpeto do São Paulo era contido por dois fatores fundamentais. A falta de capricho do setor ofensivo, mais espirituoso do que afiado, e a apatia inexplicável dos torcedores que lotaram o Morumni. Os cerca de três mil cruzeirenses, além dos 11 em campo, sentiam que era possível ganhar espaço. E se arriscaram após oitenta minutos de precaução.

Milton Cruz, de nome mais uma vez gritado pela torcida, percebeu e quis o troco. Sacou o inoperante Wesley para lançar Boschilia, um pedido das arquibancadas. O garoto de 19 anos, ovacionado antes do jogo mesmo no banco, entrou pilhado, beirando a afobação. Até que transformou o desespero em velocidade para tabelar com o eficientíssimo Bruno, que apresentou capricho até então inexistente em campo para cruzar.

Com a bola viajando na área do Cruzeiro, uma história se repetiu na cabeça de Centurión. Cabeça que cumprimentou as redes do Godoy Cruz e deu o título argentino ao Racing (ARG) em 2014. Cabeça que venceu a zaga do Bragantino em sua estreia pelo São Paulo em fevereiro. Cabeça que evitou eliminação precoce na Libertadores contra o Danubio (URU) já nos acréscimos. Cabeça que superou as mãos até então intransponíveis de Fábio para colocar o Tricolor em vantagem contra a Raposa para o jogo de volta, marcado para a próxima quarta-feira, 19h30, no Mineirão.

FICHA TÉCNICA: COPA LIBERTADORES 2015

OITAVAS DE FINAL – IDA

SÃO PAULO 1 x 0 CRUZEIRO

Local: Morumbi, São Paulo (SP)
Data/hora: 6/5/2015, às 22h
Árbitro: Carlos Amarilla (PAR)
Auxiliares: Eduardo Cardozo e Milciades Saldivar (ambos do PAR)
Renda/Público: R$ 3.672,805,00 / 66.369 presentes

Gols: Centurión, aos 37’/2ºT (1-0)

Cartões amarelos: Denilson e Ganso (SAO); Mayke, Manoel e Henrique (CRU)
Cartões vermelhos: –

SÃO PAULO: Rogério Ceni; Bruno, Rafael Toloi, Lucão e Reinaldo; Denilson, Souza, Wesley (Boschilia, aos 25’/2ºT), Ganso e Centurión (Rodrigo Caio, aos 39’/2ºT); Alexandre Pato. Técnico: Milton Cruz

CRUZEIRO: Fábio; Mayke, Léo, Manoel e Mena; Willians, Henrique, Marquinhos, De Arrascaeta e Willian (Gabriel Xavier, aos 26’/2ºT); Leandro Damião (Joel, aos 19’/2ºT). Técnico: Marcelo Oliveira

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