Estudantes levam atendimento médico-odontológico a famílias pantaneiras

A ansiedade é grande na última reunião dos preparativos para a aventura de 3 dias no Pantanal. As orientações são as básicas para qualquer passeio no campo, economia na bagagem, alimentação leve antes da partida, “e não esqueçam o repelente”, lembra a veterana de viagem, Thaciana Liberato, estudante do 6° ano de medicina da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

Entre os dias 15 e 17 deste mês, ela e outros 9 colegas da área de saúde, entre profissionais e estudantes dos cursos de medicina, odontologia e enfermagem, levarão atendimento direto para cerca de 80 famílias na região do Pantanal do Rio Negro. Como na época das cheias não é possível chegar por meio terrestre, a equipe seguirá até Aquidauana de van e de lá seguem em aviões até a Fazenda Tupã Cyretã (Lugar da Mãe de Deus em língua indígena), onde desenvolverão atividades de clínica médica, com ações curativas e de prevenção.

“Isso dá a oportunidade aos alunos de conhecerem um universo que talvez nunca teriam acesso, essa realidade, esse dia a dia que nenhum turista consegue ver”, explica a coordenadora do projeto, Mirian Coura. Este ano a novidade, segundo ela, será a participação da Fundação Oswaldo Cruz – MS (Fiocruz – MS), com a implantação do projeto ‘Farmácia Viva‘, “Vamos dar início ao processo de plantio de mais de 200 espécies de plantas medicinais que podem ser prescritas como fitoterápicos para as doenças que não são consideradas graves”, explica.

A coordenadora lembra que no improviso, já chegaram até mesmo a realizar cirurgias no local, “Era um segurando o abajur para o médico conseguir retirar um tumor de uma senhora, e deu tudo certo”.

Thaciana comenta o espanto que sentiu na primeira vez que participou do projeto, “Lá existem pessoas que já moraram na cidade, tiveram parto em hospital por exemplo, mas existem casos em que a pessoa não sabe o que é camisinha, anticoncepcional, não tem orientações básicas de higiene, é um mundo a parte”. Apaixonada pela experiência, a estudante, que pretende seguir na especialidade de saúde feminina, acredita que o maior ganho para a vida profissional é conhecer o público e aprender a abordar os pacientes, “Isso ajuda a gente a entender melhor as queixas que as pessoas apresentam”.

Thaciana realiza exame de labirintite em paciente. Foto: Valentin Manieri
Thaciana realiza exame de labirintite em paciente em 2014. Foto: Valentin Manieri

“Sempre tive vontade de fazer algo pelo outro, então quando a professora me chamou eu disse QUERO, de imediato”, conta a acadêmica que fez malabarismo com os horários para conseguir participar da viagem este ano. Como estudante ela conta que realiza a parte de triagem, orientação, exames físicos e ensina o auto-exame das mamas, no entanto, “A experiência pessoal ainda supera a profissional”, afirma. Depois de um dia de trabalho, ela e os colegas têm a oportunidade de contemplar a paisagem de fim de tarde única do Pantanal sul-mato-grossense e tomar banho de corixo, “A água lá tem cor de suco de limão”, conta ela aos calouros de viagem, “Mas eu achei uma delícia!”, conclui.

Financiado pela fundação americana The Mango Tree, o projeto de extensão universitária “A UFMS vai à escola Pantaneira“, realiza o trabalho há 10 anos, com uma expedição por semestre. O objetivo agora é construir uma base de atendimento médico-odontológico no local para ampliar as possibilidades de participação de outros alunos, com aumento do número de viagens, e dar abertura a outros projetos similares de utilizarem o local e proporcionarem bem-estar a comunidade.

Luana Campos

 

 

 

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