Escolas públicas administradas pela PM. Mais disciplina e melhor aprendizagem.

coronel_david

Na semana passada ocorreram provas do Exame Nacional do Ensino Médio, o ENEM, em todo o Brasil. Certamente, quando forem divulgados os resultados das escolas públicas que obtiveram as melhores notas, teremos, entre elas, escolas que estão sendo geridas pela Polícia Militar. Mesmo para aqueles que não coadunam com esta idéia e independente dos motivos que tornem estas escolas bem avaliadas, uma escola militarizada consegue – isto é fato- se mostrar mais eficiente que as demais escolas do ensino público, observando-se os testes realizados pelo MEC e o número de aprovados em vestibulares. Disciplina escolar, ensino de qualidade e alto rendimento na aprendizagem são características destas escolas existentes em vários Estados da federação. Já são 93 em todo o Brasil. Além disso, a violência e a sensação de insegurança que atingia alunos, professores e demais profissionais das instituições de ensino são imagens do passado.

E foi exatamente para conter a violência, de início, que as parcerias foram feitas entre a Secretaria de Educação e a Polícia Militar dos Estados. Mas atingiram algo impensável: a melhoria do ensino e na aprendizagem dos alunos. No Distrito Federal dez colégios que tinham sérios problemas de segurança e de disciplina escolar estão sendo desde janeiro administrados pela Polícia Militar. A mudança para melhor não demorou a acontecer. Em Goiás a meta é que até o fim do ano 24 novas unidades educacionais sejam militarizadas, chegando a 43 no Estado. Assim, Goiás se tornará a unidade da federação com maior número de instituições de ensino de cunho militar no País. As notas altas dos colégios administrados pela PM é um dos principais argumentos utilizados para a militarização. Para se ter uma idéia, o Colégio da Polícia Militar Hugo de Carvalho Ramos atingiu a nota mais alta entre as estaduais em Goiânia no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – Ideb, em 2013 (6,3). O Ideb representa a iniciativa pioneira de reunir em um só indicador dois conceitos igualmente importantes para a qualidade da educação: fluxo escolar e médias de desempenho nas avaliações. Em Manaus um colégio que fica em uma das regiões mais violentas da cidade e que antes registrava desordens de todos os tipos, como furtos, banheiros quebrados, brigas no pátio e trânsito livre de armas brancas, teve uma mudança radical depois que a PM assumiu a gestão. Hoje o colégio é um dos melhores do Estado e seus alunos já se destacam. De 2011 para 2013, a escola deu um salto no Ideb. O ensino fundamental passou de média 3,3 para 6,1. No ensino médio o salto foi de 3,1 para 5,8. O índice de reprovação, de 15,2% em 2012, foi zerado em 2014. Alguns alunos ainda apareceram, de maneira inédita, entre os primeiros colocados nas Olimpíadas de Matemática das Escolas Públicas.

Nestas parcerias os policiais militares assumem a administração da escola, cuidando, principalmente, da disciplina escolar, enquanto a parte pedagógica (professores e métodos de ensino) segue sob a responsabilidade da Secretaria de Educação. As crianças e jovens tem uma formação moral adequada aos novos tempos. Alunos cantando o hino nacional e o hino à bandeira, enquanto a mesma é hasteada conforme manda o protocolo militar, é algo rotineiro. Nessas escolas militarizadas não tem bullying, o aluno não agride a professora, as crianças não são abusadas, é proibido o aluno ter celular na sala de aula. A disciplina impera. E o respeito aos professores também. Aspecto importante a ser destacado é que a segurança nas ruas não será prejudicada, pois os policiais militares que trabalham nas escolas são aposentados. Além disso, quando policiais militares têm a oportunidade de lidar com crianças e adolescentes visando uma formação melhor, eles na verdade estão trabalhando com a prevenção, missão maior da Polícia Militar.

Mas existem críticas a esse modelo, principalmente por parte dos educadores que enxergam uma forma de intervenção nas escolas. Para Miriam Fábia, ex-diretora da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás (UFG), é um equívoco pensar que há como administrar uma unidade de ensino sem interferir no trabalho pedagógico. “O papel de gestor exige que ele influencie em questões como carga horária, trabalho dos professores e disciplina”. Iêda Leal, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação no Estado de Goiás (Sintego), acredita que os educadores poderiam resolver os problemas das unidades sem o envolvimento da PM. “O Estado fugiu da responsabilidade. Em vez de investir na formação dos docentes, na estrutura escolar e na valorização profissional, preferiu transferir o problema para outra secretaria.” A medida é prejudicial também na opinião de Miriam. “Do ponto de vista dos educadores, não é papel da PM administrar escolas. A tarefa é da Secretaria de Educação. Com isso, está sendo assumida a falência do sistema educacional, que as escolas são incapazes de lidar com seus problemas”.

Para o professor Afonso Galvão, doutor em psicologia educacional e professor de mestrado e doutorado na Universidade de Brasília, “o fato de policiais militares terem que administrar uma escola, fazendo com que elas saiam de uma situação crítica e sigam para um patamar melhor, já é uma constatação que a educação brasileira vai muito mal e que nós não conseguimos qualificar gestores civis capazes de fazer isto”. Para ele, “o Brasil não consegue instituir uma política educacional de longo prazo para a educação básica e que estabeleça esta qualidade, esta disciplina e dentro destes parâmetros (das escolas administradas pela PM). Não temos bons gestores formados para isso. Há uma crise na formação dos professores”.

Habituamos nossos pais e avós nos falarem que “tudo demais faz mal”. Hoje sofremos não pelo “demais”, mas pelo “de menos”. Menos qualidade no ensino, menos disciplina nas salas de aula, menos professores, menos salas de aula decentes e, menos famílias estruturadas cobrando superação e respeito de seus filhos. Esta iniciativa é válida, positiva e merece apoio integral daqueles que acreditam que o futuro das nossas crianças pode ser melhor. Posso garantir que isso não é militarismo, é humanismo. Com mais escolas como essas não precisaríamos ter tantos locais para “menores” infratores. O problema se resolve na raiz. Depois é tarde demais. É o que estamos vendo no Brasil. Para aqueles que são contra a militarização da escola porque, segundo eles, poderia atestar que a escola não é capaz de nada, que para ela funcionar tem que vir gente de fora, tem que vir a polícia, é preciso dizer que a situação existente na maioria das escolas brasileiras não é culpa do professor e nem é culpa da escola. A culpa é de quem falhou na educação destes jovens. E é necessário que isto seja corrigido. E se queremos um futuro melhor precisamos de crianças melhores. Só assim teremos cidadãos melhores.

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