Empresário ligado ao PT é preso pela PF em operação contra lavagem de dinheiro

A Polícia Federal realizou nesta sexta-feira uma operação que tem como alvos empresários que doaram para partidos políticos na campanha de 2014. Segundo a PF, 90 mandados de busca e apreensão são cumpridos em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás e Distrito Federal.

Policiais federais chegam à Superintendência da instituiçãoem Brasília com malotes, documentos e carros de luxo apreendidos na Operação Acrônimo, em diversos estados Foto André Coelho / O Globo
Policiais federais chegam à Superintendência da instituiçãoem Brasília com malotes, documentos e carros de luxo apreendidos na Operação Acrônimo, em diversos estados Foto André Coelho / O Globo

No total, 30 endereços de pessoas físicas e de 60 empresas foram incluídos na ação. A PF diz que a ação é para apurar atuação de uma organização criminosa suspeita de lavagem de dinheiro. A Operação Acrônimo teve a participação de 400 policiais.

O principal alvo é o empresário Benedito Rodrigues de Oliveira Neto, dono de gráfica em Brasília, uma das quatro pessoas presas na ação.

Nas buscas, foram aprendidos R$ 98 mil e US$ 5 mil. A assessoria da PF informou que, durante a operação, teria sido constatado que o grupo investigado continua atuando e por isso foi feita prisão em flagrante. A PF não esclareceu em que circunstância o flagrante foi feito, nem o crime que estava sendo praticado. Ao todo, 12 carros foram apreendidos e estão na superintendência da PF em Brasília.

Entre as medidas determinadas pela Justiça Federal, está o sequestro de um bimotor turboélice King Air, avaliado em R$ 2 milhões, de propriedade do empresário, que é ligado ao PT. A mesma aeronave havia sido apreendida durante a campanha com R$ 116 mil. O avião tem o prefixo PEG, iniciais de seus filhos: o acrônimo que batizou a operação da PF.

Segundo a PF, além de Benedito, foram presos Pedro Augusto de Medeiros e Victor Nicolato. Uma quinta pessoa, ainda não identificada, foi detida por porte ilegal de arma.

A Polícia Federal também deteve Marcier Trombiere Moreira, ex-funcionário do Ministério das Cidades que atuava na campanha do candidato eleito ao governo de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT). Marcier Trombiere está na lista dos alvos das buscas e apreensões, obtida pelo GLOBO, que inclui ainda o dono da empresa Qualicorp, José Seripieri Filho.

Entre os investigados na operação, está o ex-deputado Virgilio Guimaraes (PT-MG). Também está na lista, o ex-assessor do Ministério das Cidades que estava no avião que transportava o dinheiro apreendido.

O delegado Denis Cali, responsável pela operação, garantiu que nenhum partido político está sob investigação, que começou em outubro do ano passado, após as eleições. Ele afirmou que a Operação Acrônimo entra agora numa nova fase.

— Não há nenhum partido político sendo investigado e nem figura pública —disse o delegado, sem citar que há ex-parlamentares entre os alvos da operação ou políticos com foro privilegiado.

Perguntado se o fato de o avião ter sido apreendido poderia ter alguma ligação com a campanha do governador de Minas Fernando Pimentel (PT), o delegado repetiu que, por enquanto, não há político sob investigação.

— Até o momento, o Pimentel não é alvo da operação — garantiu o delegado.

A investigação indica que empresas do ramo gráfico e de publicidade eram usadas para lavar dinheiro. Ao todo, 30 pessoas jurídicas pertencem a pessoas do grupo. A principal delas, segundo fontes, é a Gráfica Brasil, da família de Bené.

Ela seria a responsável pela maior parte do faturamento de R$ 500 milhões do grupo desde 2005. O alto valor chamou a atenção da PF já que antes as empresas do grupo faturavam R$ 400 mil. O enriquecimento aconteceu depois de contratos superfaturados com o governo federal, segundo o delegado.

Ao longo dos quase 8 meses de investigação, a PF diz que realizou acompanhamentos dos suspeitos, além de vigilâncias. A investigação também se analisou dados de notebooks, smartphones, tablets, além de outros dispositivos e mídias apreendidos durante a ação no ano passado. Segunda a polícia, mais de 600 gigabytes de informação relevante foram cruzados com outras fontes e bases de dados.

EM 2010, CASO DOSSIÊ

Em 2010, Bené como é conhecido, foi interrogado pela PF sobre a denúncia de que teria pago o aluguel da casa usada na campanha presidencial. Ainda teve de prestar informações sobre um grupo de inteligência da campanha da então candidata Dilma Rousseff (PT) que estaria envolvido na produção de um dossiê contra o ex-governador José Serra (PSDB).

O empresário teve também que dar explicações sobre supostas irregularidades em um contrato da Dialog com o Ministério das Cidades. A empresa tinha contratos da ordem de R$ 49 milhões com vários ministérios em 2009.

G1

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