Empresário da Capital é alvo da Lava Jato por suspeita de propinas da Odebrechdt

thiago_cance_0O empresário campo-grandense Thiago Nunce Cance é o envolvido e alvo de condução coercitiva que ocorreu em Campo Grande na manhã desta segunda-feira (26), pela 35ª fase da Operação Lava Jato – batizada de Omertà. A ação ocorreu em outros seis Estados, onde o alvo principal foi o ex-ministro da Fazenda, Antonio Pallocci,  que foi levado preso em São Paulo. Thiago é filho de Aurélio Cance, condenado no escândalo Sanasa (empresa de água da prefeitura de Campinas  – SP), e, agora aparece como nome investigado, após análise de documentos recuperados no computador da delatora Maria Lucia Tavares, do departamento Operações Estruturadas da empreitara Odebrecht. Ela ficou conhecido como a pessoa do “departamento da propina”, daquela empresa que era referente a entregas de recursos ilícitos em espécie à políticos e servidores públicos.

De acordo com dados revelados à pouco, dois nomes que aparecem na lista são de “Rovério Pasotto e Thiago Cance”, onde pode haver ligação pela proximidade dos envolvidos e cargos que um ocupava e o outro era parente. O primeiro é gerente da Sanasa, em Campinas, e Thiago filho de Aurélio, condenado no escândalo que derrubou o então prefeito de Campinas Hélio de Oliveira Santos, o Dr Hélio (PDT), em 2010. Os procuradores afirmaram que ainda precisam apurar melhor o ‘motivo’ e as ‘circunstâncias que envolveram a entrega de recursos’ a Thiago, onde para isto foi pedido a quebra do sigilo ‘telemático’ do campo-grandense.

O delegado da Polícia Federal, Filipe Hille Pace, da equipe da Lava Jato, apontou que os fatos que podem comprometer Thiago são relacionados a partir de dados como que em 27 de julho de 2010, ele se hospedou em um hotel que constava como endereço de entrega de recursos oriundos da Odebrecht. “A pessoa de Rovério Pagotto é o então Gerente de Planejamento e Projetos da Sanasa, envolvida em investigações de corrupção em relação a contratos firmados durante a gestão do ex-prefeito Hélio de Oliveira. No mesmo contexto, está Thiago Cance (também referido como um dos destinatários de recursos ilícitos entregues pelo setor de operações estruturadas da Odebrecht), com agravante dele ser filho de Aurélio Cance, pessoa também envolvida em esquema de corrupção e já condenado”, apintou Pace.

Pace ainda acrescentou que a relação de Thiago Cance, por ele estar em endereço descrito como entrega a ser destinada ao empresário. “Foi confirmada a existência de três hospedagens do investigado -Thiago – no ano de 2010, sendo que, em duas das três vezes. Thiago Cance deixou o hotel na mesma data de sua entrada, circunstância essa que reforça a convicção de que, de fato, a sua estadia no hotel tenha sido concretizada unicamente para receber os recursos ilícitos a ele destinados”, informou o delegado.

Thiago é sobrinho de André Luis Cance, ex-secretário estadual de Fazenda da gestão de André Puccinelli, e que chegou a ser preso também suspeito de desviar recursos públicos, durante a Operação Lama Asfáltica, especifica de Mato Grosso do Sul.

Omertà

A chamada Omertà, apura práticas dos crimes de corrupção, associação criminosa e lavagem de dinheiro. A Lava Jato afirma que “em outros casos de corrupção e lavagem de ativos, a realização de encontros e reuniões em hotéis é prática comum entre os envolvidos, utilizando o local como forma de inviabilizar a descoberta das tratativas e da entrega de recursos em espécie”.

De acordo com a PF, o ex-ministro Palocci teria atuado como intermediário do grupo político do qual faz parte perante o Grupo Odebrecht. “Há indícios de que o ex-ministro atuou de forma direta a propiciar vantagens econômicas ao grupo empresarial nas diversas áreas de contratação com o Poder Público, tendo sido ele próprio e personagens de seu grupo político beneficiados com vultosos valores ilícitos”, informou nota da PF.

Por determinação do juiz federal Sergio Moro, Palocci e outros acusados tiveram R$ 128 milhões em bens bloqueados pela Justiça, valor que indicado em planilha que supostamente registra os valores de propina que estavam sob a gestão do ex-ministro. A medida atinge contas e investimentos bancários dos investigados. Desse total, Palocci teria recebido R$ 6 milhões. Moro afirmou que possuía provas de que Palocci teria coordenado repasses de propinas da Odebrecht para o PT.

Capivari em Campinas

Os investigadores da Lava Jato afirmam que é possível fazer a vinculação dos supostos recursos ilícitos com obra realizada pelo Grupo Odebrecht para a Sanasa. “Verificou-se que, no ano de 2010, consórcio liderado pela Odebrecht foi contratado pela Sanasa para execução do Programa de Saneamento Capivari II. Analisadas em conjunto as entregas de recursos destinadas a Rovério e Thiago, e constatado que ambos os investigados possuem relação com a Sanasa e que a Odebrecht, naquele ano, obteve contrato para execução de obra relativa à Sanasa, é bastante provável que os recursos espúrios tenham relação com o contrato obtido pela Odebrecht”, assinalam delegados.

Dr. Hélio foi cassado após denúncias de um esquema de corrupção na Sanasa, autarquia que cuida dos serviços de água e esgoto no município. Segundo promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público Estadual (MPE), lobistas pagavam propinas a políticos e funcionários públicos vencer licitações.

Neste caso, havia a combinação de preços entre concorrentes para superfaturamento dos valores. Depois, dividia-se os lucros entre as empresas e membros do governo municipal. Para o MPE, o esquema teria causado prejuízos de R$ 615 milhões aos cofres públicos.

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