Em busca do casamento, fiéis fazem fila por bolo de" Santo Antônio em Campo Grande

Centenas de católicos fizeram fila na manhã deste sábado (13), na Paróquia Santo Antônio, em Campo Grande. Nesta data, os religiosos celebram o dia do “padroeiro” da cidade fundada por um mineiro devoto, José Antônio Pereira, em 1872. Inicialmente, Pereira chamou a região onde se formaria a capital de Mato Grosso do Sul, de “Arraial de Campo Grande de Santo Antônio”.

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Voluntários dedicaram 60 horas para fazer o bolo Foto Ivan Silva

O Antônio original, de quem o fundador de Campo Grande recebeu o nome, conhecido como “Antônio de Lisboa”, nasceu no final do século XII, na capital portuguesa e morreu em Pádua, na Itália, no dia 13 de junho de 1231. Daí os católicos celebrarem o seu dia nesta data. Considerado um dos maiores intelectuais e doutores da igreja romana, Antônio foi frade agostinho e tornou-se franciscano em 1220, tendo atuado em várias cidades europeias até morrer em Pádua, na Itália. Foi declarado santo pela Igreja Católica pouco depois de falecer.

Segundo o pároco da igreja de Santo Antônio, padre Odair Costa, “a festa é realizada há vinte e cinco anos na capital”. Já a crença dos devotos de que o religioso, considerado santo pela igreja católica, seria casamenteiro, Costa explicou: “Ela surgiu de uma atitude caridosa de Antônio, que ajudou uma moça que não podia casar – porque era de família humilde e não tinha dote para poder casar – e foi ajudada pelo santo”, contou o pároco. Assim, baseados na crença de que Antônio tinha um carinho especial pelos apaixonados, os católicos alimentam a tradição de que ele seria casamenteiro.

Nesta manhã, o devoto Josimar Cavalheiro Machado chegou a dizer que “não queria vir, mas insistiram, eu vim e acabei achando uma aliança”. E acrescentou: “Agora vou esconder, para não assustar as meninas”. Segundo Josimar, “o excesso de empolgação pode afastar mais, do que atrair e pretende”. O devoto disse ainda que só vai “contar que achou a aliança no bolo de Santo Antônio depois, se o namoro ficar sério”, brincou.

Outro Antônio – Luís Antônio – um dos voluntários que trabalharam na distribuição do bolo, contou que “alguns devotos relataram ter entrado na fila às quatro da manhã para pegar o bolo”.

Entre as centenas de pessoas que foram até à paróquia no Centro de Campo Grande, estava a dona de casa Maria dos Santos, que afirmou que “há quarenta anos participa da festa para reforçar o casamento” com o companheiro de décadas, Edilson Ribeiro da Silva. Quando perguntamos para dona Maria: “Quantas vezes a senhora encontrou uma aliança no bolo ao longo de mais de 40 anos de participação na festa (e de casamento)?”, ela respondeu rindo: “Nenhuma!” Notamos que a devota estava levando vários pedaços de bolo para casa e ela contou: “é para minha filha, para dar sorte na escolha do marido”, falou confiante.

Priscila Passos BrumAcreditando nessa mesma “sorte”, outra devota que encontrou uma aliança, Priscila Passos Brum, contou que “é a segunda vez que encontra uma aliança no bolo” e confiante afirmou: “agora vai, se Deus quiser! E já quis!”, apesar de admitir que ainda não tem um pretendente.

Bolo – O chefe de cozinha e confeiteiro Cristiano Luna coordenou os cerca de 20 voluntários que começaram a preparar no feriado católico de Corpus Christi, na quinta-feira (4) da semana passada, as fornadas que comporiam o bolo final com dezenas de metros e 1 tonelada e meia.

Luna, que também ajudou a coordenar a equipe de cerca de 50 voluntários que ajudaram na distribuição do bolo, contou que neste ano a organização deu uma tremenda força para aqueles que acreditam na tradição e querem se casar: “mil e duzentas alianças foram misturadas à massa do bolo e uma delas, é de ouro”, revelou. Cheio de convicção, Luna declarou ao final da entrevista: “Quem encontrar a de ouro, é ‘batata’: casa!”

Silvio Ferreira

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