Em Audiência Pública, Sesau destaca falta de médicos após perda de 300 profissionais

A diminuição no número de médicos na Rede Municipal de Saúde, principalmente nas UBSF (Unidade Básica de Saúde da Família) foi o principalmente problema discutido durante a Audiência Pública realizada na manhã desta quarta-feira (30) na qual a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) fez a prestação de contas referente ao 2° quadrimestre de 2015.

30ivan
Secretário municipal de Saúde, Ivandro Fonseca

Segundo o secretário municipal de Saúde, Ivandro Fonseca, somente na atenção básica, nas unidades de saúde da família foram perdidos 104 médicos que pediram demissão e por conta dessa ausência de médicos, a Capital corre o risco de perder recursos federais. “104 médicos se evadiram e com essa ausência a perda de recursos federais é ainda maior, são 104 profissionais que deixaram de atender nas UBSF’s. São 11 equipes sem médicos de 40 horas nos bairros Jardim Noroeste, Alves Pereira (duas equipes), Cohab, Aero Itália, Nova Esperança, Serradinho, Botafogo, Itamaracá, Iracy Coelho e Macaúbas. Nesses bairros estamos desassistidos desse profissional e uma UBSF sem médico por mais de 60 dias é descredenciada como unidade de saúde da família”, afirmou.

Conforme dados apresentados pelo secretário, “no período avaliado (maio a agosto/2015) as 05 Equipes que ficaram sem médicos foram das seguintes Unidades de Saúde da Família: São Conrado, Alves Pereira, Mário Covas, Cohab e Aero Itália. Foram contratados 67 médicos para a Atenção Básica entre janeiro e agosto, sendo 22 destes durante o período avaliado (2º quadrimestre) e foram revogados contratos de 104 profissionais, sendo 48 entre maio e agosto/2015”, demonstrou.

O vereador Dr. Jamal, que foi secretário municipal de saúde durante a gestão de Gilmar Olarte, justificou que a evasão de médicos ocorreu por conta dos baixos salários propostos pela Prefeitura Municipal. “A classe médica sofre com a baixa salarial. Hoje um médico recebe cerca de R$ 2.500,00 por 20 horas. Não existe interesse da maioria dos médicos, muitos que vão fazer plantões, são médicos que estão fazendo residência médica e ao terminar a residência esse médico recebe proposta do interior e acaba migrando, porque lá paga melhor do que se paga aqui. Enquanto não tiver implantado o Plano de Cargo e Carreiras e a valorização dos médicos vamos continuar perdendo profissionais”, disse o parlamentar.

Ivandro destacou ainda que somando a urgência e emergência foram perdidos mais de 300 médicos. “Falta profissionais nas unidades de pronto atendimento 24 horas também. Quando deixamos a Sesau em março de 2014 tínhamos 1.200 médicos, agora pegamos a Prefeitura com apenas 900 médicos. Assumimos numa situação caótica, tínhamos várias unidades sem médicos, voltamos com uma greve de médicos, com mais de 200 mortes, greve de enfermeiros. Estamos tomando providências para normalizar tudo isso. O tempo de espera era de 14 horas e hoje caiu em torno de uma hora e meia a 2 horas. A população não está sem atendimento, está sendo atendida”, afirmou.

Ainda de acordo com o secretário de Saúde, “estamos fazendo um diagnóstico da saúde para dar uma resposta à Câmara. Temos profissionais altamente qualificados, que precisam apenas de uma oportunidade, que o município conceda apenas aquilo que está definido como direito do servidor. Sou contra a terceirização da saúde pública. Acredito no serviço público, precisamos deixar claro que as condições de trabalho previsto no Estatuto do Servidor precisam ser disponibilizadas ao servidor”, disse.

Dengue – Sobre o combate à dengue, Ivandro destacou que no período de maio a agosto de 2015 foram notificados 1.077 casos de dengue, sendo 501 confirmados e destes, 01 caso considerado grave, evoluindo para óbito.

“O resultado permanece abaixo do limite máximo da meta, o que é esperado, visto que o número de casos também está abaixo do limiar endêmico no período. Visando reduzir o número de casos e a ocorrência de epidemias foram implementadas atividades, dentre elas, o trabalho integrado do Agente de Controle de Endemias/ACE na Estratégia Saúde da Família, em ações de promoção e prevenção da dengue, em 35 UBSF e 1UBS”, revelou.

Serviço – A reunião foi convocada pela Comissão Permanente de Saúde, composta pelos vereadores Paulo Siufi (presidente), José Chadid, Luiza Ribeiro e Alex do PT; e também pela Comissão Permanente de Finanças e Orçamento, composta pelos vereadores Carla Stephanini (presidente), Eduardo Romero (vice), Prof. João Rocha, Herculano Borges e Carlão.

Comentários

comentários