“Ele batia nela”, diz mãe de mulher concretada na casa do ex

Jaciele Daiane Silva dos Santos morava em Horizontina (Foto: Reprodução/RBS TV)
Jaciele Daiane Silva dos Santos morava em
Horizontina (Foto: Reprodução/RBS TV)

O medo do ex-marido era um sentimento diário para Jaciele Daiane Silva dos Santos, de 22 anos, que morava em Horizontina, no Norte do Rio Grande do Sul. É o que conta a dona de casa Acilda Navete Silva dos Santos, 47 anos, mãe da jovem cujos restos mortais foram localizados pela polícia na noite da última quinta-feira (23) concretados nos fundos de uma churrasqueira na casa do homem, que está preso junto com o irmão por suspeita do assassinato.

O casal ficou cerca de cinco anos junto e foi justamente a violência do ex-marido o motivo para a separação, ocorrida há um ano e meio. “Ele batia muito nela, era bastante violento. (Ela) não podia viver junto com ele, que vivia a ameaçando”, relata Acilda.

Ela conta que a filha deixou de sair com as amigas ao final de semana e evitava circular pela cidade de pouco mais de 18 mil habitantes. Tudo para não esbarrar com o ex-marido. Tamanho resguardo, no entanto, não evitou a morte de Jaciele. “Ela vivia trancada. Quando ficava sozinha aqui em casa, não ficava com janelas e portas abertas.”

Segundo a mãe, Jaciele tinha procurado a delegacia e denunciado o homem pela Lei Maria da Penha. Quando ocorreu a primeira audiência sobre a separação no Fórum, eles já tinham se reconciliado. Mas em junho do ano passado, uma briga feia colocou fim no relacionamento. O casal trabalhava na ordenha de leite, no interior de Horizontina, e durante uma folga do trabalho passaram a discutir. Foram socos, tapas e pontapés. Dali, a mulher foi parar no hospital.

“Ele bateu muito nela. Quem me ligou avisando foi o patrão deles. Já o marido dela fugiu.” Depois de receber alta, a jovem ficou 15 dias com um dos olhos machucado.

Acilda crê que entre os motivos para tanta violência está o ciúme doentio do homem, somado ao consumo de drogas. “Eu não sei o que ele usava, mas a gente percebia. Ele ficava bem agitado, bem nervoso. Ficava muito ansioso com tudo.”

Após a separação, a jovem voltou para a casa de sua mãe, na avenida principal de Horizontina, mas o homem rondava a casa à procura de Jaciele, que evitava dar demonstrações de que pudesse estar sozinha no local. Temia pelo pior.

Mas no dia 5 de outubro, ela deixou de lado a prudência. O homem entrou em contato com Jaciele às 8h. Tinha sido a última pessoa a ligar para ela no dia de seu desaparecimento, informação que a Acilda conseguiu levantar com a polícia na última sexta-feira (16). A jovem estava à procura de emprego naquele dia e resolveu mudar de planos com a ligação do ex-marido. Ele prometia dar um computador portátil novo para ela. O anterior tinha sido destruído por ele em uma briga do casal.

A mãe só foi dar falta da jovem às 14 horas daquele dia. Uma irmã de Jaciele tinha passado mal e seria levada para o hospital. Acilda precisava de companhia. Na primeira ligação da dona de casa para a filha, chamou várias vezes. Alguém atendeu e desligou em seguida. Na segunda tentativa, a mesma coisa. “Eu disse alô e desligaram”, lembra. Na terceira vez, o telefone foi desligado, sem mesmo completar a chamada.

Em seguida, a família procurou a polícia, que sustentava a hipótese de desaparecimento. A mãe reclama do trabalho dos investigadores. “Eles me pediram para ter calma, que ela poderia ter viajado, estar se escondendo.” Mesmo sabendo que o pior poderia ter ocorrido, ela teve esperança que a filha aparecesse na segunda audiência organizada após a denúncia da Jaciele. Ela não foi. Entretanto, o homem compareceu, dizendo estar surpreso com a ausência da ex-mulher.

Na noite de quinta-feira, Acilda recebeu uma ligação da delegada Beatrice Didier de Almeida. Relatava a localização de um corpo na casa onde moravam o ex-marido e o ex-genro da mulher. “Ela não me deixou ir até lá”, disse a mãe de Jaciele, que ficou esperando. “Retornei a ligação e ela me disse que acharam a Jaciele, morta. Fiquei em estado de choque. Eu esperava encontrá-la viva, não desse jeito”, lamenta.

Após serem retirados da residência do ex-marido, os restos mortais de Jaciele foram enterrados em um cemitério na Vila Cascata, interior de Horizontina. Em um das redes sociais, comentários lamentavam a morte da jovem. “Nem acredito que fizeram essa crueldade com você”, dizia uma das suas amigas.

G1

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