Economia do conhecimento e cidades conectadas são eixos estratégicos para o desenvolvimento do Estado

Em terra de cego quem tem olho é rei, já afirma o dito popular. E em tempo de crise, quem enxerga oportunidades onde muitos só vêem problemas é inovador.

Segundo dados do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) de 2013, com 384 incubadoras tecnológicas e 3.764 empresas incubadas, o país fatura 260 milhões de dólares anuais. Com foco em produtos e serviços com alto valor científico e tecnológico agregados, essas empresas buscam soluções para problemas cotidianos de diferentes graus de complexidade.

Na 14ª edição do encontro da Rede MS de Inovação, que acontece entre os dias 20 e 21 de maio no Sebrae, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul mostra não quer esperar, mas fazer o futuro e sai na frente buscando integração entre universidades, parques tecnológicos, agências de fomento e gestores públicos para criar ambientes de inovação que propiciem o desenvolvimento da economia de conhecimento.

Jorge Audy, Vice-Presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), explica que esse tipo de economia, já é muito comum internacionalmente e que o Brasil precisa dar um salto para criar espaços híbridos, onde a cidade se torna um espaço de experimentação das pesquisas da universidade, “Quando olhamos em 10 anos vemos que fizemos muito mas em escala econômica precisamos de um impacto muito maior pela dimensão do nosso país”, afirma.

Audy, explica que a criação desses ambientes é urgente, para que as boas ideias não saiam do Brasil para serem desenvolvidas no exterior.

Com 8 incubadoras de base tecnológica e 3 de cooperativas populares, o Estado também possui um parque tecnológico e diversas fundações e instituições de pesquisa dispostas a buscar soluções e transformar a realidade das pessoas que vivem nas regiões de fronteira seca ou para os problemas ambientais relacionados a agricultura e pecuária, ou ainda geração de emprego e renda para as famílias que vivem em assentamentos rurais, “O desenvolvimento do futuro está na rede de pequenas empresas”, declara Audy.

O objetivo do Governo do Estado agora, segundo o superintendente de superintendente de Ciência, Tecnologia e Inovação, Renato Roscoe, é criar novos mecanismos para a inovação explorando o potencial dos municípios do interior e não só nas grandes cidades de MS, “Vamos levar linhas de internet rápida para os municípios em infovias e criar cidades conectadas, porque como ter um pólo de desenvolvimento tecnológico sem informação adequada?”.

As cidades inovadoras na opinião do diretor presidente da Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect), Marcelo Turine, são obra de um processo de evolução natural, “Primeiros temos ciência, porque sem ciência não tem tecnologia e sem tecnologia não há inovação, então basicamente todo o envolvimento das instituições de pesquisa, do governo e das iniciativas privadas foram propícias para a criação desse ecossistema de iniciativas estratégicas no MS”.

Turine, explica que além das possibilidades econômicas reconhecidas como frigoríficos, usinas de cana e álcool e a produção de grãos, a grande estratégia da economia de conhecimento, é a agregação de valor aos produtos, já que em muitos casos o Brasil exporta matéria prima e acaba importando produtos processados a partir daquele material com um custo muito superior.

Jardel Mattos, presidente da Rede MS de Inovação, afirma que além das cidades inovadoras outra articulação a ser feitas são os negócios sociais. Rogério Oliveira, co-fundador da Yunus Negócios Sociais Brasil, explica que estes empreendimentos são uma mistura de ONG com modelo de negócios tradicionais, “Ele nasce para solucionar um problema social, essa é sua missão, mas ele não depende de doação para existir, é autossustentável”, como exemplo ele cita a criação de um aparelho auditivo que funciona a partir de energia solar, que custa 90% mais barato que o aparelho convencional.

Luana Campos

 

 

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