Dólar registra 5ª alta seguida e chega a R$ 3,80 com preocupação sobre ajuste

O dólar opera em alta pelo quinto dia consecutivo nesta quinta-feira, chegando a atingir a máxima de R$ 3,809 durante a primeira hora de negociação.

Desde 10 de dezembro de 2002 a divisa não fecha acima de R$ 3,80. A moeda americana avança no momento 0,74%, cotada a R$ 3,788 para compra e a R$ 3,790 para venda.

Moeda norte-americana abre o dia em forte alta (Foto: Bloomberg News)
Moeda norte-americana abre o dia em forte alta (Foto: Bloomberg News)

Com a disparada do câmbio, o dólar turismo em espécie ultrapassou ontem a barreira dos R$ 4 nas casas de câmbio, enquanto chegava a R$ 4,27 no cartão pré-pago.

Assim como na véspera, os investidores seguem preocupados com uma possível demissão do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e com a potencial aprovação de novos gastos pelo Congresso Nacional. Ontem, esses fatores fizeram o dólar subir 2,06%, a R$ 3,762 — o maior valor de fechamento desde os R$ 3,79 de 12 de dezembro de 2002.

A “Folha de S. Paulo” publicou nesta quinta que o ministro Levy procurou ontem a presidente Dilma Rousseff e seu vice, Michel Temer, para se queixar de isolamento e falta de apoio dentro do governo. De acordo com o jornal, Levy indicou que pode deixar o cargo se a situação não mudar.

Teria sido essa conversa com o ministro que levou a presidente a defendê-lo publicamente na quarta, dizendo que ele não está isolado.

Hoje, os investidores devem repercutir também a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que anunciou na noite de quarta ter decidido parar de subir a taxa de juros básicos, a Selic, após sete altas seguidas e mantê-la em 14,25% ao ano.

Na Europa, as ações operam em alta pelo segundo dia, seguindo o desempenho das commodities após dados positivos sobre a recuperação econômica no continente. Hoje, um indicador de atividade nos setores industrial e de serviços na Zona do Euro mostrou o melhor resultado desde maio de 2011.

Um feriado de dois dias na China também alivia a tensão dos investidores, uma vez que os mercados do país asiático vinham sendo os responsáveis pela turbulência global nas últimas semanas.

A mercado também repercute a decisão do BCE (Banco Central Europeu), que deixou as taxas de juros da zona do euro inalteradas nesta quinta, deixando-as nas mínimas recordes enquanto estimula a economia por meio da compra de títulos soberanos.

A taxa de refinanciamento, que determina o custo do crédito na economia, segue em 0,05%. Já a taxa de depósitos foi mantida em -0,20% — ou seja, os bancos continuam pagando para deixarem o dinheiro estacionado. A taxa de empréstimos continuou em 0,30%.

A Bolsa de Londres opera em alta de 1,34%, enquanto a de Paris avança 1,04%. Em Frankfurt, a alta é de 1,6%. O índice de referência europeu Euro Stoxx registra valorização de 1,14%.

O Globo

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