Dólar ganha força e sobe a R$ 3,51; Bovespa passa a cair com bancos

O dólar comercial ganhou mais força no fim da manhã desta quinta-feira contra o real e agora avança 1,15%, cotado a R$ 3,513 para compra e a R$ 3,515 para venda. Contra as dez principais divisas do mundo, o dólar sobe 0,41%, de acordo com o índice Dollar Spot, da Bloomberg.

Moeda norte-americana está cotada neste momento a R$ 3,31 (Foto: SeongJoon Cho)
Moeda norte-americana está cotada neste momento a R$ 3,31 (Foto: SeongJoon Cho)

A moeda americana segue tendência de valorização após o Banco do Povo (banco central da China) afirmar que não há motivos para esperar mais depreciação da moeda chinesa — embora o yuan tenha voltado a perder valor hoje, pelo terceiro dia seguido. Analistas acreditam que novas quedas da divisa podem levar o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) a adiar a elevação de juros no país.

No mercado acionário, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abriu em alta, seguindo os mercados estrangeiros. Mas as preocupações dos investidores com o setor bancário e a queda de Petrobras e Vale fazem o índice de referência Ibovespa cair agora 0,71%, aos 48.043 pontos.

A China reduziu nesta quinta-feira em 1,11% a taxa de referência do yuan frente ao dólar, pela terceira vez em três dias, informou a agência oficial Xinhua. Na quarta-feira, a autoridade monetária chinesa cortou a taxa referencial diária em 1,62%.

Mas o Banco do Povo afirmou nesta quinta-feira que não há motivos para o yuan seguir em queda, dados os sólidos fundamentos econômicos do país, declaração que conseguiu abrandar um pouco do temor dos mercados internacionais.

As principais bolsas da Ásia fecharam em alta. O índice Nikkei, da Bolsa de Tóquio, encerrou o pregão em alta de 0,99%; o Hang Seng, da Bolsa de Hong Kong, avançou 0,43%, e a Bolsa de Xangai, registrou alta de 1,76%.

As Bolsas europeias — que sofreram forte impacto da desvalorização do yuan — também demonstram certo alívio, registrando a primeira alta em três pregões. O índice de referência Euro Stoxx avança 1,66%, enquanto a Bolsa de Londres tem alta de 0,61%; a Bolsa de Paris sobe 1,77%, e a de Frankfurt, de 1,67%.

No Brasil, os investidores seguem monitorando o cenário político. Nos últimos dias, uma série de notícias contribuíram para reduzir a pressão de alta do dólar — a moeda chegou a bater R$ 3,57 durante as negociações de quinta-feira passada.

Entre elas estão a aliança entre o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e a presidente Dilma Rousseff; os 15 dias adicionais que o governo ganhou para defender suas contas diante do Tribunal de Contas da União (TCU); e a manutenção do grau de investimento do país pela Moody’s, que ainda definiu a perspectiva como estável.

BB AUMENTA PROVISÃO PARA CALOTE E PREOCUPA INVESTIDOR

Assim como na véspera, as ações dos bancos têm a maior influência sobre o Ibovespa. Os investidores temem o efeito da proposta da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que visa a elevar a alíquota da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Liquido) do setor financeiro de 15% para 23%.

A apresentação do relatório da senadora foi adiada para a tarde desta quinta-feira.O Bradesco registra desvalorização de 0,84%, enquanto o Itaú Unibanco cai 1,24%. O Santander recua 2,03%.

Mas a maior baixa vem do Banco do Brasil, que desvaloriza-se em 2,75%. A instituição informou hoje que registrou lucro líquido R$ 3 bilhões no segundo trimestre, alta de 6,3% na comparação com o mesmo período de 2014 e em linha com o que previam os analistas do mercado financeiro.

Mas preocupa os investidores o fato de o BB ter elevado em 21% suas provisões para perdas com possíveis calotes, para R$ 5,53 bilhões.

As ações de Petrobras e Vale também operam em queda. A estatal perde 1,08% nos papéis ordinários (ON, com direito a voto) e 1,01% nos preferenciais (PN, sem voto). Já a mineradora registra recuo de 0,10% (ON) e 0,46% (PN).

G1

 

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