Dólar fecha a semana em queda, mas encerra o primeiro mês do ano em alta

O dólar fechou em queda nesta sexta-feira (29), reagindo ao corte de juros no Japão e ao leilão de venda de dólares com compromisso de recompra anunciado pelo Banco Central para esta tarde, mas investidores continuavam apreensivos em relação à política econômica do governo brasileiro, segundo a agência Reuters.

Moeda americana fecha a semana em queda (Foto: Ilustração)
Moeda americana fecha a semana em queda (Foto: Ilustração)

A moeda norte-americana caiu 1,37%, vendida a R$ 4,0243. Veja a cotação do dólar hoje. Às 16h, a moeda caiu a R$ 3,99. Em janeiro, a moeda subiu 1,93%. Na semana, houve queda de 2,1%.

Dólar em 2016

A moeda-norte americana terminou o ano de 2015 cotada abaixo de R$ 4, a R$ 3,948 no dia 31 de dezembro. No ano passado, o dólar subiu 48%, maior alta anual em quase 13 anos.

No primeiro mês de 2016, o dólar atingiu seu maior valor sobre o real da história. No dia 21 de janeiro, a moeda fechou os negócios cotada a R$ 4,1655.

Cenário nesta sexta

Nos mercados externos, moedas emergentes reagiam positivamente à surpreendente decisão do banco central japonês de adotar juros negativos. A medida reduz o custo de operações conhecidas como “carry trade”, quando operadores captam recursos no exterior e os reinvestem em ativos que pagam juros altos.

“A decisão do BC do Japão está ajudando os ativos emergentes em geral, o que se traduz em algum suporte ao real”, disse o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, citando também o avanço dos preços do petróleo à agência Reuters.

No cenário local, o BC brasileiro anunciou após o fechamento da sessão passada leilão de linha de até US$ 1,8 bilhão para esta tarde. A operação tem como fim a rolagem de contratos que vencem em fevereiro, segundo a assessoria do BC.

Os leilões de linha são utilizados em momentos de baixa liquidez (falta de dólares) no mercado de câmbio. Quando o dólar registra altas, o BC realiza ofertas de leilões de linha para atenuar as pressões sobre o câmbio.

Mesmo assim, operadores continuavam apreensivos com o cenário local, especialmente após a ata do Copom (Comitê de Política Monetária) alimentar apostas de que os juros básicos podem não subir neste ano. A moeda norte-americana chegou a subir nesta manhã, atingindo R$ 4,0965 na máxima da sessão.

O J.P.Morgan elevou sua previsão para o câmbio e passou a estimar que o dólar atingirá R$ 4,70 no fim de 2016, argumentando que a manutenção da Selic levou à desancoragem das expectativas de inflação.

As medidas de estímulo ao crédito anunciadas na véspera somando R$ 83 bilhões também eram motivo de cautela. O anúncio vem em um momento de inflação de dois dígitos apesar da profunda recessão econômica.

A consultoria de risco político Eurasia Group apontou que o anúncio aponta alguma incoerência, sugerindo que “a política econômica será cada vez mais errática conforme a presidente tenta equilibrar a necessidade de aplacar a base aliada… e a necessidade de ajuste fiscal”, ecreveram em relatório, segundo a Reuters.

Analistas do BBVA salientaram que, embora a medida não tenha impacto fiscal imediato, pode afetar os resultados dos bancos públicos no futuro e, consequentemente, as contas públicas. (G1)

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