Dólar fecha a quinta-feira em queda e volta a ser vendida a R$ 3,85

O dólar fechou em queda de mais de 1% sobre o real nesta quinta-feira (29), a R$ 3,85, com  investidores desmontando apostas de alta da moeda norte-americana ao fim de um mês um pouco mais calmo, mas com mercado ainda mostrando baixo volume devido às incertezas políticas e econômicas no Brasil, destaca a Reuters.

Moeda americana fecha o dia em queda (Foto: Ilustração)
Moeda americana fecha o dia em queda (Foto: Ilustração)

A moeda norte-americana encerrou a sessão em queda de 1,68%, a R$ 3,8541 na venda, menor patamar em duas semanas. Na mínima do dia, a moeda norte-americana caiu 1,80%, a R$ 3,8496, e, na máxima, subiu 0,95%, a R$ 3,9574.

Com o recuo desta quinta-feira, a divisa acumula queda de 0,94% na semana e de 2,81% no mês. No ano, porém, a alta ainda é de 44,96%.

Baixo volume de negócios

Segundo operadores ouvidos pela Reuters, muitos agentes financeiros desmontavam suas apostas na alta do dólar, com a moeda norte-americana caminhando para fechar o primeiro mês de queda após três meses seguidos de alta.

“O mercado está muito técnico, muito pequeno. Quem estava comprado em dólar e perdeu dinheiro neste mês não quer dobrar a aposta, e o efeito de deixar essa posição vencer é o mesmo de um fluxo de entrada”, disse o operador da gestora de recursos de um banco internacional.

O efeito desse movimento era amplificado pelo baixo volume de negócios. Investidores vêm evitando fazer grandes operações devido ao quadro político e econômico incerto no Brasil, com dificuldades cada vez maiores no campo fiscal.

Nesta manhã, foi divulgado que o governo central registrou em setembro déficit primário menor que o esperado, mas somou no acumulado nos 9 primeiros meses do ano um rombo de R$ 20,93 bilhões – o pior resultado para este período desde o início da série histórica, em 1997.

Expectativa de alta de jutos nos EUA

A cautela vinha também após o Fed sinalizar, na véspera, que pode elevar a taxa de juros em dezembro. Se confirmada, essa decisão tende a atrair para a maior economia do mundo recursos aplicados em países como o Brasil, pressionando o câmbio local.

O resultado do PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA no terceiro trimestre, embora aquém das expectativas, continuou a alimentar a expectativa de que o Fed poderá elevar a taxa de juros em dezembro.

Essa perspectiva chegou a levar o dólar a subir ante o real nesta manhã, mas o movimento perdeu força.

Operadores afirmaram que a mudança não veio em reação a notícias ou fundamentos, e sim a operações pontuais que tiveram seu efeito amplificado pela baixa liquidez.

Ação do BC

Nesta manhã, o BC concluiu a rolagem integral dos swaps cambiais que vencem em outubro. O próximo lote de swaps vence em 1º de dezembro e equivale a US$ 4,832 bilhões.

Em reunião com parlamentares nesta quinta-feira, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, defendeu que o Brasil não deve mexer nas reservas internacionais no atual contexto, já que elas têm funcionado como um seguro para a economia brasileira, segundo gravação feita por um dos participantes da reunião obtida pela Reuters.

UOL

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