Dilma pediu ajuda de Delcídio para soltar Marcelo Odebrecht, diz delator

O ex-chefe de gabinete do senador Delcídio do Amaral (sem partido-MS), Diogo Ferreira, afirmou em acordo de delação premiada que a presidente Dilma Rousseff pediu ajuda do senador para obter na Justiça a soltura do empreiteiro Marcelo Odebrecht, preso na Operação Lava Jato sob acusação de corrupção.

Afirmação foi feita em delação do ex-chefe de gabinete de Delcídio - Foto: Divulgação/PR
Afirmação foi feita em delação do ex-chefe de gabinete de Delcídio – Foto: Divulgação/PR

Essa ajuda, segundo Ferreira, ocorreria por meio da indicação de Marcelo Navarro ao cargo de ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça).

As declarações de Ferreira confirmam a delação premiada do seu ex-chefe, o senador Delcídio, que também assinou uma colaboração premiada.

De acordo com seu depoimento, Delcídio lhe relatou que a presidente Dilma conversou com ele sobre o assunto em um encontro particular.

O pedido da presidente foi “que obtivesse de Marcelo Navarro o compromisso de alinhamento com o governo para libertar determinados réus importantes da Operação Lava Jato”, diz o depoimento.

E completou: “Segundo o senador Delcídio do Amaral, a presidente Dilma Rousseff falou expressamente em Marcelo Odebrecht”.

Ferreira relatou que ficou encarregado de fazer contatos com Marcelo Navarro e juntou conversas por mensagens de celular em que marca encontros do futuro ministro do STJ com o senador Delcídio.

Os encontros para tratar do assunto também ocorriam entre o então ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e Delcídio, de acordo com o delator.

Navarro, de fato, votou no ano passado pela soltura de Marcelo Odebrecht em um habeas corpus no STJ, mas acabou sendo vencidos pelos demais ministros, então a prisão foi mantida.

No segundo depoimento de sua delação, Ferreira detalhou como recebeu pagamentos do filho do pecuarista José Carlos Bumlai, Maurício, que seriam destinados a comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, para que não fechasse delação premiada.

Assim como já havia dito Delcídio, Diogo afirmou que o ex-presidente Lula tinha preocupação com a possibilidade de Cerveró fechar a delação.

A delação de Diogo foi firmada com a PGR (Procuradoria-Geral da República) em 30 de março, mesmo dia dos depoimentos. Ocorreu posteriormente à delação de Delcídio.

Diogo havia sido preso juntamente a Delcídio no ano passado, depois de ter sido gravado em reunião na qual o senador prometia ajuda financeira a Cerveró e até discutia um plano de fuga. Atualmente está em regime de prisão domiciliar.

OUTRO LADO

Procurada na tarde desta terça-feira (19), a assessoria do Palácio do Planalto ainda não respondeu até as 16h (horário de Brasília). A presidente Dilma Rousseff já rebateu anteriormente as acusações de Delcídio, negando-as e afirmando que eram movidas por “vingança”.

O ministro do STJ Marcelo Navarro também já afirmou anteriormente, em nota, que se reuniu com diversas autoridades, mas que nunca se comprometeu a assumir nenhuma posição específica. (Folha.com)

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