Deputados fazem ‘barraco’ por protesto da Fetems contra advogada do Impeachment

Mara Caseiro
Mara apresentou moção de repúdio contra a atitude do sindicalista (Foto: Victor Chileno – AL/MS)

Os deputados estaduais protagonizaram “um barraco” com atropelo de falas, murros na mesa e nervos aflorados durante a sessão ordinária desta quarta-feira (6) na AL-MS (Assembleia Legislativa de MS). O assunto que levou a exaltação de ânimos foi um repúdio a protesto que o presidente da Fetems (Federação dos Trabalhadores da Educação de MS) Roberto Boatrelli, participou no aeroporto de Brasília, contra advogada Janaína Paschoal. Ela que é uma das autoras do pedido de Impeachment da presidenta Dilma Rousseff foi alvo e vem sendo hostilizada por onde passa ou encontra manifestantes a favor da chefe do Executivo federal, afastada de suas funções no mês de maio para responder ação no Senado por suposto crime de responsabilidade. A mesa diretora teve que interferir e chamar atenção dos envolvidos no bate boca maior entre Mara Caseiro e Pedro Kemp, que em campos sempre opostos, vivem trocando farpas no Parlamento.

A confusão começou a ser instalada quando no inicio do expediente da sessão, a deputada Mara Caseiro (PSDB) apresentou uma Moção de Repúdio, a ser aprovada e encaminha em nome do Legislativo Estadual contra o lider sindical, que é aliado a Movimentos Sociais, que apoiam o PT e são contra o chamado ‘golpe’ aplicado no País. Botarreli foi citado como autor do ato repudiado pela deputada, que contou com assinatura de apoio a seu pedido, dos colegas ligados a oposição ao então governo de Dilma e do PT, e companheiros de partido: Onevam de Matos, Flavio Kayatt e Beto Pereira. Bem como ainda dos parlamentares Cel.Davi (PSC) e Renato Câmara e Marcio Monteiro, ambos do PMDB, e o trio, de atual governo interino de Michel Temer.

A deputada ampliando a polêmica ocupou a tribuna na chamada palavra livre, para reforçar sua posição contra o protesto no aeroporto de Brasília contra a advogada. “Eu como mulher me senti agredida pelo manifesto. Ela [Janaína] é uma pessoa contra a corrupção e a Fetems, que defende a Educação, defende os professores que estão ali para ensinar, se presta com seu líder [Botareli] a um papel desses de incentivo ao ódio? Isso é uma vergonha”, disse a deputada.

Em nome da bancada do PT, o deputado Cabo Almi (PT), que tem Botarreli e a Federação como aliados e defensores dos menos favorecidos, foi o primeiro a se manifestar dizendo que para ‘começo’, a moção de repúdio é equivocada. “Discordo dos atos de repúdio que tem virado moda. Se para todo ato tivermos que expedir uma moção de repúdio nós teríamos que fazer várias por dia”, disse o petista, que completou indagando: “Onde está a democracia? Ele -Botareli- é uma liderança, expoente de lutas e conquistas para a categoria e sociedade em geral. Ele fez um ato democrático. E sem falar, que o lado da advogada, esse povo da direita já fez a mesma coisa e pior com muita gente. Por que para um lado tudo pode e para outro nada pode? E justamente por ser um líder sindical o Botarelli tem o nosso respeito”, afirmou.

Nervos aflorados

Mara Caseiro, apesar de conceder aparte ao petista, reprovou e voltou a deferir contra Botareli. “Ele já fez isso aqui comigo, fui ameaçada por ele e seu pares. Este senhor é uma vergonha para MS e aos Educadores de bem e conscientes, ao ver cometer ato de vandalismo no aeroporto e contra uma pessoa e ainda acima de tudo, uma mulher. Não podemos admitir que atos como esse possam acontecer e não ter uma ação contraria. Ele tem que defender, protestar civilizadamente, sim para sua classe da Educação, que ele e todos deveriam ser até exemplo. Mas fizeram ao contrário e defendendo aquilo ou aqueles que levaram a falência, a derrocada do Brasil”, criticou em tom alterado a deputada.

Pedro KempNeste momento, ou entre as falas da parlamentar, os deputados Pedro Kemp e João Grandão, ambos do PT, fizeram intervenções fora do microfone, contradizendo a fala de Mara, lembrando de exemplos e casos de barbáries cometidas por grupo ligados a deputada no MS e pelo Brasil. “É um absurdo, um abuso, vem falar e atacar um homem de luta ou manifestações democráticas. Quantas vezes atacaram a presidente Dilma com palavras de baixo calam. Se manisfestaram e nós, a presidente vinha a público para dizer no minimo que era legitima e solidaria a qualquer forma de expressão, que não ferice nenhum direito da cidadania e dos cidadãos. O que Botareli não fez em momento algum. Agora temos que ouvir isso. Vai tomar vergonha”, diz Kemp, que ainda depois de um tempo com continuidade da fala da deputada, se retirou do plenário.

Ao bater na mesa, Grandão disse “não me venha falar inverdades, asneiras, não tem o que dizer não suba a tribuna, não faz as suas arruaças, não se junta para dar um golpe e agora não quer ou não aguenta as consequências. Não foi feito nada além de um manifesto, como ela, aquela advogada apareceu para todo Brasil, esbravejando, com ar de possuída em comício do golpe, pedindo o fim e aniquilação de toda raça que não concorda com ela e seu grupo”, disse o petista.

Os deputados Onevan de Matos e Zé Teixeira (DEM) usaram a fala para concordar com Mara Caseiro. “O presidente da Fetems é um educador, que deve distribuir educação e não agir dessa forma. Eles são exemplo, o que será que os jovens vão pensar e tirar disso? Tem que ter democracia, mas com respeito e dignidade”, disse Onevan. “A democracia é boa, dá o livre direito de expressão, mas não tem duas leis. Não podemos ter valores invertidos”, considerou Teixeira.

Comentários

comentários