Deputado Jean Wyllys diz que quase foi agredido por manifestante em Campo Grande

O deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) postou em sua página no Facebook uma crônica onde diz ter sido quase agredido por um manifestante na noite de ontem (03), no Aeroporto Internacional de Campo Grande. Jean está na Capital participando de um evento na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS).

De acordo com a publicação do deputado, ao desembarcar em Campo Grande, Jean encontrou um grupo de manifestantes antipetistas que estavam no local aguardando a saída de deputados do Partido dos Trabalhadores (PT), que viajaram no mesmo voo. Um dos integrantes do grupo teria se aproximado de Wyllys e começado a insultá-lo, inclusive teria tentado agredi-lo sem nenhum motivo.

Ainda segundo a publicação, o deputado não recuou e enfrentou o manifestante. Os insultos só acabaram após um grupo da Defensoria Pública interver na situação e acalmar o homem.

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Agenda

O deputado ministrou uma palestra na manhã desta sexta-feira (03), na UFMS, sobre os caminhos dos direitos da população LGBT no parlamento. No período da tarde, Wyllys irá falar sobre Lei Maria da Penha para casais homoafetivos na Escola Superior da Defensoria Pública do Estado.

Veja a publicação do deputado na íntegra:

NOVA CRÔNICA DO ABSURDO
(Afeto e ódio em intervalos de segundos)

Acabei de chegar a Campo Grande, no estado do Mato Grosso do Sul, onde amanhã participarei de duas atividades. Na parte da manhã, a partir das 9h, vou ministrar uma palestra na UFMS sobre os caminho dos direitos da população LGBT no parlamento, organizada por grupos de pesquisa dessa universidade; e na parte da tarde, às 14h, vou falar sobre a aplicabilidade ou não da Lei Maria da Penha para casais homoafetivos na Escola Superior da Defensoria Pública do estado. Mesmo sendo deputado federal pelo Rio de Janeiro, eu sempre soube que o meu mandato é nacional, pela agenda que eu toco no Congresso, e faz parte da minha rotina legislativa e política — sempre que a difícil agenda do meu trabalho me permite fazer isso — viajar para outros estados, atendendo aos convites que recebo da sociedade civil organizada.

Mas vejam só o que aconteceu agora há pouco no aeroporto de Campo Grande. Decidi escrever esta crônica do absurdo porque duas situações que se sucederam uma após a outra, em intervalos de segundos, quando cheguei aqui me pareceram simbolizar, de certa forma, o clima de polarização que vive o país, que não é apenas entre partidários de diferentes campos políticos, mas principalmente entre o afeto e o ódio; entre o amor e a violência.

Assim que saí do avião, pouco antes de achar o pessoal da Defensoria Pública que estava me aguardando no aeroporto, um rapaz veio falar comigo, disse que admirava meu trabalho no Congresso e pediu para tirar uma foto. Foi meu primeiro contato com a afetividade e o carinho do povo sul-mato-grossense. Fiquei alguns minutos conversando com ele e, pouco depois, percebi que havia no aeroporto uma manifestação de grupos antipetistas que estavam aguardando a saída de deputados do PT que, por acaso, viajavam no mesmo voo que eu para retornarem ao seu estado. A questão não era comigo, mas, de repente, um senhor que fazia parte da turba me reconheceu, veio me insultar sem qualquer motivo e tentou me agredir fisicamente!

Eu não sou desses que recuam ou se escondem e o enfrentei prontamente, dizendo em bom tom para aquele canalha fascista descontrolado o que achava dessa atitude antidemocrática e grosseira. Mas, aí, logo o pessoal da Defensoria chegou e interveio, tentando acalmá-lo e evitar um problema maior — tentaram acalmá-lo contra minha vontade, diga-se, pois, se dependesse só de mim, ele sairia do aeroporto preso (aliás, quando eu o enfrentei e lhe disse — ele acuado contra a parede – que eu chamaria a polícia, ele balbuciou “chamar a polícia, não”).

O que me deixa assustado é o ódio crescendo em nossa sociedade e o fascismo se manifestando sem pudor, formando um exército de burros orgulhosos, pessoas que exibem sua ignorância e seu desprezo pelas formas democráticas e se acham corajosas por isso. O que me assusta são as cores sombrias do Facebook escurecendo a vida real!

No mesmo dia em que Eduardo Cunha virou réu da Justiça, em votação unânime do Supremo Tribunal Federal, pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, esse homem estava ali para xingar um cara como eu. Haja paciência!

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