Depoimento de Marcelo Odebrecht é cancelado em Curitiba

Foi cancelado o depoimento do presidente da construtora Odebrecht, Marcelo Bahia Odebrecht, que falaria pela primeira vez à Polícia Federal de Curitiba desde que foi preso, no último dia 19 de junho. O empresário, preso na 14ª fase da Operação Lava-Jato, batizada de “Erga Omnes”, é suspeito de participar de um esquema de formação de cartel e fraude em licitações da Petrobras.

De acordo com a defesa do empresário, o depoimento seria para que Odebrecht esclarecesse sobre um bilhete escrito no dia 22 de junho por ele e apreendido pela PF em que aparece a expressão “destruir e-mail sondas. US RR”. O bilhete, antes de ser entregue aos advogados do empresário, foi fotocopiado pela PF e encaminhado ao juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba. Mas como a advogada da construtora Dora Cavalcanti também precisa ser ouvida sobre o bilhete, ela não poderia acompanhar o depoimento do cliente e, por isso, o evento foi cancelado. Dora já havia chegado à sede da PF quando a polícia decidiu não ouvir mais o empresário.
O presidente de construtora foi preso há quase um mês durante a Operação Lava-Jato; no depoimento cancelado ele falaria sobre bilhete apreendido na prisão - Foto
À época da apreensão do bilhete, o delegado da PF Eduardo Mauat convocou a defesa do empresário para falar sobre o teor do bilhete e na representação encaminhada a Moro afirmou que os advogados foram informados que, independentemente da posição deles, “havia clara possibilidade” de ter havido orientação para a prática de conduta estranha à relação advogado-cliente.

Já a advogada Dora Cavalcanti informou que a palavra “destruir” foi usada no sentido de “desconstituir”, “rebater” e “infirmar” e que a interpretação da PF foi equivocada e as considerações do delegado da PF “fazem antever a lastimável determinação de criar celeuma onde não existe”. Dora ainda considerou a situação como um “flagrante preparado”.

Durante a Operação Lava-Jato, a Polícia Federal havia apreendido na sede da empreiteira, em São Paulo, um email enviado pelo executivo Roberto Prisco Ramos para executivos da Odebrecht, incluindo Marcelo Odebrecht. Neste e-mail, cujo assunto é “sondas”, havia menção a sobrepreço, que a Odebrecht alegou ser uma expressão de mercado. O e-mail foi endereçado ainda para Márcio Faria e Rogério Araujo, dois executivos da Odebrecht apontados por delatores da Lava-Jato como representantes da construtora no cartel que agia na Petrobras.

Fonte: O Globo

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