Denúncia no MPF aponta que Marquinhos recebeu R$ 200 mil de laranjas, deputado nega

O empresário, Arnaldo Britto de Moura Junior, proprietário da empresa 4 Rodas, foi a sede da Polícia Federal nesta terça-feira (13), depor sobre a denúncia que fez em 2014 ao Ministério Público Federal (MPF) , contra o deputado estadual Marquinhos Trad (PSD), revelando suposto esquema de lavagem de dinheiro durante a campanha eleitoral daquele ano.

Arnaldo Britto de Moura Junior, e Marquinhos Trad
Arnaldo Britto de Moura Junior, e Marquinhos Trad

O parlamentar, segundo a denúncia arrecadou cerca de R$ 200 mil em dinheiro vivo e de forma ilícita envolveu laranjas para simular doações eleitorais. Grandes quantias em dinheiro eram depositadas em suas contas e sacadas no mesmo dia.

De acordo com o documento, o dono da empresa 4 Rodas decidiu revelar toda a trama à Justiça, depois de ser enganado por Marquinhos. A empresa de Arnaldo foi condenada em 15 de dezembro de 2015 pela juíza da 44 Zona Eleitoral, Cíntia Xavier Letteriello Medeiros, a pagar multa no valor de R$ 244,8 mil por ter feito doação para campanha eleitoral acima do limite de 2% dos rendimentos brutos auferidos no ano de 2013. Naquele ano o faturamento da empresa foi de R$ 51,5 mil e a doação de R$ 50 mil.

Segundo o parlamentar, o empresário e a irmã dele, Sandra, inventaram factoides para manchar sua carreira política. “É mentira. Eu sou vítima disso”, afirmou em seu comitê no final desta tarde.

Para explicar à Justiça como foi ludibriado por Marquinhos – que segundo ele teria agido de má-fé para conseguir um recibo de doação e esquentar a quantia de dinheiro , Arnaldo relata na denúncia que conheceu Marquinhos por intermédio de sua irmã, que fazia a parte financeira da campanha.

O deputado, no entanto, afirma que sofreu extorsão de Arnaldo e de Sandra. “Na minha campanha de 2014, ele através da irmã dele, doou R$ 50 mil e eu emiti o recibo eleitoral. Prestei contas à Justiça, tudo conforme manda a lei. Depois de certo tempo, a irmã dele me procura dizendo que ela tinha se equivocado, que o irmão não tinha caixa para doar R$ 50 mil”.

Para o parlamentar, as denúncias chegam à beira do ridículo, pois Sandra atuou no financeiro de seu comitê de campanha em 2014 e foi gerente do banco Safra, tendo conhecimento da Legislação Eleitoral.

Lavagem de dinheiro

Na denúncia, Arnaldo diz no documento que foi enganado, uma vez que foi dito a ele que a operação não acarretaria em nenhum tipo de despesa. No fim, não foi isso que aconteceu. Citado pela Justiça, o empresário procurou Marquinhos. O escritório que realizou a prestação de contas do candidato, M&C Contabilidade, chegou a pedir a declaração de imposto de renda de pessoa jurídica, mas Arnaldo acabou condenado à revelia.

A prática de crime eleitoral está sendo investigada e ele figura como testemunha.

Comentários

comentários