Delegada detalha investigação sobre mortes no setor oncologia da Santa Casa

A delegada titular da DECO(Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado), Ana Claudia Medina contou ao Página Brazil nesta quarta-feira (05), como foram conduzidas as investigações que resultaram no indiciamento de cinco pessoas, sendo dois médicos, duas enfermeiras e o farmacêutico, responsáveis por quatro mortes ocorridas no setor de oncologia da Santa Casa de Campo Grande.

(Foto: Paulo Francis)
(Foto: Paulo Francis)

O fato ocorreu há pouco mais de um ano na Capital e a delegada alega que a “falha humana” foi comprovada, inclusive durante uma reprodução simulada feita pela Polícia Civil.

Segundo Ana Claudia, a Policia Civil entrou no caso através do registro de três boletins de ocorrência sobre morte a esclarecer, que diziam que as vitimas teriam vindo a óbito com lesões gravíssimas por conta de um medicamento utilizado durante o tratamento quimioterápico. ” As investigações iniciaram na 1ª Delegacia de Policia, onde eu era lotada na época e demandaram bastante estudo, necessidade de laudos periciais, realização de muitas diligencias. Com a minha transferência e devido a complexidade do caso, a investigação também foi transferida para a DECO e nós concluímos que houve uma troca de medicamento, onde foram feitos os indiciamentos na responsabilidade de cada um dos envolvidos”, conta.

A responsável pelas investigações contra que foram verificadas falhas durante o processo de manutenção de quimioterápicos pelo farmacêutico que era um profissional capacitado, porem não especializado nesse tipo de manipulação. Ele trabalhava com diluentes em um laboratório, com exames clínicos e não teve tempo hábil para se habilitar e capacitar. “Ele ficou duas semanas sendo treinado por uma enfermeira, sendo que na primeira semana ele só observava, na segunda semana ele manipulou alguns medicamentos e na terceira semana, quando encontrava-se já sozinho para a condução dos trabalhos, ele acabou cometendo essa falha de trocar os medicamentos. Ressalto que era o período de maior demanda do setor, que era o período da manhã.”, afirma.

A delegada diz que além dos erros citados, houve vários registros falhos, lacunas abertas, registros que eram feitos por outro profissional em outro período e documentos que estavam fora de todos os procedimentos operacionais necessários. Por conta disso foi feito o indiciamento do proprietário do local por por homicídio com dolo eventual, o médico assistente por homicídio culposo, como também o farmacêutico, uma outra farmacêutica por falsidade ideológica e a enfermeira por exercício ilegal da profissão.

Ana Claudia todos ressalta que todos os envolvidos respondem em liberdade, e apesar de indiciados todos colaboraram desde o inicio com as investigações, porem os inquéritos seguiram com mais de 10 mil folhas para o Ministério Público para serem analisados.

Paulo Francis

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