Delação de Delcídio leva ex-senador à prisão em nova fase da Lava Jato

O anexo 15 da delação do senador Delcídio do Amaral (Sem Partido-MS), tornado público no mês passado, traz informações que ajudam a entender a 28ª fase da Lava Jato, batizada de Operação Vitória de Pirro, e deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (12).

Delcidio do Amaral Foto GERALDO MAGELA/AGÊNCIA SENADO/JC
Delcidio do Amaral Foto GERALDO MAGELA/AGÊNCIA SENADO/JC

O resumo do anexo traz o título “pedágios cobrados na CPMI da Petrobras”, que bate com as informações divulgadas pela PF sobre a nova etapa. Nele, o Ministério Público Federal afirma que Delcídio “sabe de ilicitudes envolvendo o desfecho da CPMI que apurava os crimes no âmbito da Petrobras”.

De acordo com o documento, “a CPMI de 2014 obrigava Leo Pinheiro, Julio Camargo e Ricardo Pessoa a jantarem todas as segundas-feiras em Brasília”. “O objetivo desses jantares era evitar que os empresários fossem convocados para depor perante a CPMI”, diz o resumo.

Os três já foram alvos de fases anteriores da Lava Jato e estudam colaborar ou colaboraram com as investigações após terem os seus nomes envolvidos nas investigações.

Entre os políticos apontados por Delcidio como envolvidos na tentativa de atrapalhar as investigações da CPI, está Gim Argello, preso pela Polícia Federal nesta terça.

Ainda de acordo com a versão do ex-lider do governo petista, Gim, e outros colegas parlamentares, cobrariam “pedágios” para não convocar e “evitar” maiores investigações contra executivos de empreiteiras.

Segundo Delcidio, “os jantares em que foram discutidas ‘as não convocações’ podem ser comprovados por gravações das câmeras nas residências de Gim Argello ou nas ruas através dos sistemas de segurança, bem como pelos próprios trabalhos da CPMI”.

Apesar de não citar a delação de Delcídio, a PF divulgou nesta terça (12) que “as investigações apuram indícios concretos de que destacado integrante da Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada no Senado Federal e também da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito instaurada no Congresso Nacional, ambas com o objetivo de apurar irregularidades na Petrobras, teria atuado de forma incisiva no sentido de evitar a convocação de empreiteiros para prestarem depoimento, mediante a cobrança de pagamentos indevidos travestidos de doações eleitorais oficiais em favor dos partidos de sua base de sustentação”.

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