Suspeito de envolvimento em aborto é preso em Dourados; Aline virou estatística

 

O técnico de laboratório Dinilson Rodrigues Nunes, suspeito de participação no aborto clandestino feito por Aline dos Reis Franco (26), foi preso nesta segunda-feira (09), em Porto Murtinho, a 433 quilômetros de distância de Campo Grande. De acordo com o site Dourados News, Aline que estava grávida de dois meses e morreu em decorrência de complicações no procedimento do aborto no dia 6 de dezembro. O delegado Rodrigo Nunes Zanata é o responsável pelo caso.

Aline dos Reis Franco, de 26 anos, morreu após tentativa de aborto. (Facebook)

Aline morreu após passar mal e dar entrada no hospital de Porto Murtinho. Por causa do estado grave de saúde, ela foi encaminhada para Campo Grande, mas morreu ainda na ambulância, em Jardim.

A mãe disse na delegacia não saber que a filha estaria grávida. Ela também afirmou que recebeu telefonema de uma amiga de Aline afirmando que a moça teria passado mal e estava morta.

A principal suspeita é de que Aline ingeriu Cytotec, um conhecido abortivo, comprado por uma amiga, passou mal e foi levada ao hospital, mas omitiu do médico a tentativa de aborto e disse que estava passando mal por causa do calor. O caso foi registrado como morte a esclarecer e segue em investigação.

 

Aborto

De acordo com a Pesquisa Nacional de Aborto (PNA) a interrupção da gravidez é prática tão comum no Brasil que, até completar 40 anos, mais de uma em cada cinco mulheres já fez aborto.

O estudo, que começou em 2010,  foi realizado pela antropóloga Débora Diniz, professora do Departamento de Serviço Social da UnB (Universidade de Brasília) e do Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero, e pelo sociólogo Marcelo Medeiros, também da UnB e do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Para fazer o levantamento, eles entrevistaram 2.002 mulheres moradoras da região urbana do Brasil, alfabetizadas e com idades entre 18 e 39 anos.

O médico Drauzio Varella é a favor da legalização do aborto e defende que a prática já existe para as classes mais altas da sociedade. “Desde que a pessoa tenha dinheiro para pagar, o aborto é permitido no Brasil. Se a mulher for pobre, porém, precisa provar que foi estuprada ou estar à beira da morte para ter acesso a ele. Como consequência, milhões de adolescentes e mães de família que engravidaram sem querer recorrem ao abortamento clandestino, anualmente.”

O médico defende também que uma linha de pensamento que é contra o aborto coloca toda a responsabilidade na mulher sem se importar com as circunstâncias.

“Há os que são contra a interrupção da gravidez em qualquer fase, porque imaginam que a alma se instale no momento em que o espermatozoide penetrou no óvulo. Segundo eles, a partir desse estágio microscópico, o produto conceptual deve ser sagrado. Interromper seu desenvolvimento aos dez dias da concepção constituiria crime tão grave quanto tirar a vida de alguém aos 30 anos depois do nascimento. Para os que pensam assim, a mulher grávida é responsável pelo estado em que se encontra e deve arcar com as consequências de trazer o filho ao mundo, não importa em que circunstâncias.”

Independentemente do nível social e racial, o estudo mostrou que a maioria das interrupções é feita no centro do período reprodutivo feminino, entre 18 e 29 anos, e que é prática comum entre mulheres de todas as classes, mas a prevalência aumenta com a idade, com o fato de a mulher viver na zona urbana, ter mais de um filho e não ser da raça branca.

Revelou, também, que a religiosidade das mulheres não interfere na hora de fazerem a escolha: 175 das entrevistadas que fizeram abortos são católicas, seguidas por 72 protestantes e evangélicas e, finalmente, por 49 mulheres de outras religiões ou sem religião.

Lembrando que o número de abortos no país é superior ao contabilizado pela pesquisa, já que as mulheres analfabetas e das áreas rurais não fizeram parte do estudo, além disso uma mulher pode abortar mais de uma vez.

Cytotec

O Misoprostol, nome científico do Cytotec, é um composto abortivo muito conhecido pelos profissionais da Saúde. Este medicamento possui enormes efeitos colaterais ruins e pode levar a morte da mulher que o utiliza.

Existem sites que vendem este medicamento, tratam dos efeitos colaterais de maneira natural e não orientam sobre o risco de utilizar este composto.

“Não há princípios morais ou filosóficos que justifiquem o sofrimento e morte de tantas meninas e mães de famílias de baixa renda no Brasil. É fácil proibir o abortamento, enquanto esperamos o consenso de todos os brasileiros a respeito do instante em que a alma se instala num agrupamento de células embrionárias, quando quem está morrendo são as filhas dos outros. Os legisladores precisam abandonar a imobilidade e encarar o aborto como um problema grave de saúde pública, que exige solução urgente.” Conclui Drauzio Varella.

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