De abraço a passeio, idosos emocionam com pedidos de Natal

Embora a maioria das pessoas pensem o contrário, asilo não é lugar de idoso abandonado pela família. A realidade desses lares que abrigam pessoas tão amorosas e carentes, contraria tais pensamentos. Dentre as causas, esta é a menor delas. De acordo com Josineth de Oliveira, uma das assistentes sociais do Asilo São João Bosco, os 86 idosos que residem no lar, estão no local por diversos fatores. Vínculo familiar rompido e/ou fragilizado são umas das causas que levaram a maioria desses corações que inspiram cuidados, buscarem conforto em um lugar dirigido por 88 profissionais que vivem para cuidá-los.

Para muitos idosos, faltam entretenimento no local (Foto: Paulo Francis)
Para muitos idosos, falta entretenimento no local (Foto: Paulo Francis)

A solidão não só existe, como chega e faz dezenas de pessoas se sentirem na escuridão. O lar abriga algumas destas, que passaram anos de suas vidas trabalhando e não formaram suas próprias famílias. Ao envelhecer, percebem que a vida não é só trabalho e descobrem a importância em valorizar momentos, pessoas e lugares. A dependência química e a dificuldade financeira são fatores preponderantes, que impossibilitaram muitos idosos de viverem com suas famílias, o que os levaram a morar no asilo, que luta para sobreviver, através de projetos e verbas governamentais.

Segundo Josineth, o lar cuida de 50 homens e 36 mulheres. Entres eles, cerca de 60 são completamente dependentes dos cuidadores,  21 dependem parcialmente e somente cinco não dependem de cuidados maiores. Para ela, todo o amor, carinho e atenção vindo da equipe do asilo, nunca suprirá a falta de uma família.

Missão

Faltando pouco mais de um mês para a chegada do natal, a equipe do Página Brazil visitou a casa destes idosos para saber quais seriam os presentes que mais os fariam felizes, nessa época celebrada por bilhões de pessoas em todo o mundo. Os pedidos, simples e singelos, emocionaram nossa reportagem.

Gertrudes
Gertrudes adora festas e ama dançar (Foto: Paulo Francis)

Gertrudes, uma senhora que exala felicidade e vaidade, diz que um almoço e um passeio a faria ainda mais alegre. Tímida e recatada, economizou palavras, mas esbanjou simpatia com um lindo sorriso, dizendo que a saúde já é um grande presente.

Lino Lima diz que adora usar camisas (Foto: Paulo Francis)
Lino Lima diz que adora usar camisas (Foto: Paulo Francis)

Lino Lima, de 67 anos, mora no asilo há uma década e se diz muito feliz no lugar. Perguntado sobre o que o agradaria no dia de natal, ele respondeu que uma camisa de tamanho quatro, seria muito bem vinda.

Para Maria José, de 63 anos, não lhe falta nada. Ela se diz satisfeita com tudo e todos, e dispensa qualquer tipo de presente material. “Sou feliz aqui, não preciso de mais nada”, garante.

Maria José diz estar satisfeita no asilo (Foto: Paulo Francis)
Maria José diz estar satisfeita no asilo (Foto: Paulo Francis)

Nelson Fortunato, com 78 anos, mora no lar a aproximadamente sete meses. De acordo com a assistente social Paula Alencar, Nelson chegou no asilo quase sem vida. “Me curei aqui”, lembra. Quando perguntado sobre o que o faria contente no natal, ele sorriu e disse “uma namorada, uma mulher bonita”.

Uma ‘figura’ arrancou sorrisos de quem estava a sua volta. Ana Ferreira, tem 90 anos e surpreende a todos com sua vaidade. Sentada ao lado de sua bengala, apreciava a natureza do lugar, com pulseiras, brincos e colares. “Eu gostaria de ganhar um batom rosa, uma maquiagem e um perfume. Um abraço, um beijo e um aperto de mão me faz falta, ficaria muito feliz”, completa.

Ana Ferreira esbanja vaidade (Foto: Paulo Francis)
Ana Ferreira esbanja vaidade (Foto: Paulo Francis)

Para o gaúcho Antônio Francisco, de 81 anos, um simples abraço já estaria ótimo. “Roupa não serve, a gente usa algumas vezes e depois ‘perde’, um abraço me deixaria muito feliz”.

Ajuda

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O gaúcho Antônio, diz que o melhor presente seria um abraço (Foto: Paulo Francis)

Um lugar tão especial, que muitas vezes se torna esquecido, abriga dezenas de corações carentes e desamparados, de pessoas com uma linda jornada, que ficariam felizes com o que muitos deixam passar batido. Um abraço apertado, um olhar sincero, uma companhia para um passeio, um aperto de mão. Pedidos que com toda certeza emocionam, e trazem uma profunda reflexão: será que temos do que reclamar?

Para quem tem interesse em agradar estas lindas almas, o asilo fica na Avenida José Nogueira Vieira, no bairro Tiradentes, em Campo Grande. As portas estão abertas para receber qualquer tipo de ajuda, carinho e doação.

Telefone: (67) 3345-0500

 

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