Cultura chama Bernal de caloteiro, mas recebe nova promessa de receber recursos

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Atores, cantores, produtores buscam direito de receber recursos (Fotos: Lúcio Borges)

O dia será longo a espera da concretização de mais uma ‘promessa positiva’ de liberação de recursos ao setor cultural de Campo Grande, que entre atores, músicos, produtores culturais e de evento, amanheceu nesta quinta-feira (3), mais uma vez em frente ao prédio da prefeitura da Capital. Um grupo de pelo menos 80 pessoas foi cobrar o empenho e pagamentos de recursos da ordem de R$ 4 milhões, referentes a editais abertos em 2016, pela administração municipal ao setor. A busca é em cima do montante correspondentes a 67 projetos do Fmic (Fundo municipal de Incentivo a Cultura) e Fomteatro, que eram para ter sído pagos na terça-feira, 1º de novembro. A classe, além de não ver a verba prometida, foi protestar pelo tratamento recebido há dois dias, onde em busca de explicações e do ‘dinheiro em si’, foram mal tratados por diretores de secretarias responsáveis pelos pagamentos.

Hoje, representantes do setor, em alta critica fizeram barulho em frente ao Paço Municipal, chamando até o prefeito Alcides Bernal de “caloteiro” ou que que a prefeitura não poderia dar mais um calote nos trabalhadores da Cultura. A ‘fúria’ ou retorno com letra da música, vem ante eles terem sido renegados e rechaçados, na terça-feira, de que não haveria nenhum recurso a ser empenhado e que não lhes cabia ficar perturbando na Fundac (Fundação Municipal de Cultura) e muito menos no setor financeiro da prefeitura. Com isto, hoje, um protesto foi organizado em busca dos recursos e de explicações de Bernal, que havia ‘empenhado palavra’ com o setor e garantido a liberação da verba.

“Queremos nossos recursos de volta. De-volva o dinheiro da população e de nosso trabalho. Queremos uma prefeitura sem calote a todos os setores da sociedade. Mantenha o empenho de suas palavras Bernal. Empenhe os recursos e nos pague Bernal. Não dê e não seja mais um caloteiro”, cantaram manifestantes, em protesto hoje, que começou logo cedo, as 8h30 em frente ao Paço Municipal. O resultando foi mais uma ‘promessa positiva’ de ter a liberação do dinheiro. A cantilena de “o caloteiro”, veja no vídeo abaixo, foi também em referência ao não pagamento dos recursos pelo então prefeito Gilmar Olarte em 2014 e 2015, e até por Nelsinho Trad, em final da administração em 2012.

Após repercussão negativa de reunião na Fundac, onde a classe foi hostilizada, hoje o prefeito abriu as portas do gabinete para os artistas. Uma comissão formada pela categoria e o Fórum Municipal de Cultura esteve reunida por uma hora com Bernal e o secretário de Governo, Odimar Luis Marcon. O prefeito, apesar de pontuar que tem que verificar as finanças, mais uma vez garantiu que pretende pagar. “Eu cumpro minha palavra. eu quero cumprir tudo. Vou pedir analise detalhada para ver as finanças, para empenharmos tudo que me compete, além da Cultura, todas as áreas”, disse Bernal aos representantes, conforme divulgou aos colegas manifestantes, o presidente do Fórum, Airton Raes Fernandes.

Movimento quer resposta ainda hoje e prefeito para depois

cultura2Fernandes, disse que a primeira proposta de Bernal foi de dar uma resposta até a próxima semana, o que foi recusado pela classe, que pontuaram ter o empenho até segunda-feira. Ao final da reunião, Bernal disse que ainda hoje dá uma resposta sobre a assinatura da ordem de empenho, pois iria se reunir com o secretariado. “O Bernal falou sobre o compromisso dele com a cultura e disse que vai voltar a se reunir com os secretários para fazer um raio-x das finanças e ver a possibilidade da assinatura ainda nesta semana”, afirmou o presidente do Fórum.

A fala foi apresentada a ‘uma assembleia’ em frente ao Paço, onde o Fórum apresentou a questão aos artistas que votaram por permanecer em frente ao Paço até terem uma resposta definitiva. Os artistas garantiram que só saem da prefeitura após Bernal assinar a ordem de empenho garantindo o recurso. “Promessas, promessas, disse que está trabahando, que vai cumprir, mas já passou o tempo de tempos e ainda vai ver. Ainda após como fomos tratados por seus secretários. Tem que resolver e pronto”, comentou o ator e diretor teatral Jair Damasceno, ao sair da reunião como membro da comissão.

O presidente do Fórum, explica ainda que se a questão não for assinada, com a mudança na gestão, o prefeito eleito Marquinhos Trad (PSD) não tem a obrigação de pagar. “Já se ficar assinada a ordem de empenho, a conta entraria no ‘restos a pagar’ e seria um compromisso da Prefeitura”, disse Fernandes.

O produtor cultural, Thomas Ramos, foi mais ameno no comentário inicial “o preito disse que ia analisar hoje as finanças, e fez o compromisso que quer e vai pagar. Ele quer os empenhos até segunda-feira”, disse. Mas, após manifestações critica pontuou, como gravamos em vídeo, que a comissão foi firme e não tolerou e não aceitou postergar a questão que já deveria ter sido resolvida e respeitada a classe.

O presidente do Fórum, o diretor do grupo Maracangalha, Fernando Cruz; e demais artistas, como cantor Gilson Espíndola, o ator Felipe Silveira,d entre outros permanecer em frente ao Paço.

Diretor do Maracangalha (de costa) fala com colega
Diretor do Maracangalha (de costa) fala com colega

Dados

O orçamento municipal previa o pagamento de R$ 9,6 milhões, que na verdade contemplavam o pagamento do edital atrasado e o lançamento do de 2016, com os R$ 4 milhões citados. Publicado no dia 5 de agosto, a relação dos aprovados trazia ainda a informação de que o pagamento seria feito no primeiro dia deste mês, o que não aconteceu, mesmo os artistas abrindo as contas solicitadas pela Prefeitura.

“Aguardávamos a liberação da verba, tanto pelo que já foi produzido, como até para pagar a abertura da conta bancária solicitada, que gerou custos e está correndo”, revelou o fotógrafo, André Patroni, que é um dos artistas que faz coro em frente à Prefeitura e relatou sua situação.

O diretor do Maracangalha, Fernando Cruz relembrou a lamentável situação em que a cultura se encontra desde o não pagamento dos editais de 2014. “Isso é má fé da prefeitura, ela faz um compromisso com a categoria, a população. Os projetos foram publicados, mas o dinheiro não foi pago. Isso para mim é má fé, foi utilizado em período eleitoral”, frisa.

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