CPI do Cimi divulga relatório preliminar e aponta culpa do órgão em invasões

CPI do Cimi divulgou na tarde desta quarta-feira (4) relatório preliminar apontando que o Conselho Indigenista Missionário é culpado por incitar e financiar invasões de propriedades particulares em Mato Grosso do Sul.

Relatório aponta culpa do Cimi nas invasões (Foto: ALMS)
Relatório aponta culpa do Cimi nas invasões (Foto: ALMS)

As 218 páginas do documento são divididas em cinco seções: considerações iniciais, provas documentais, provas orais, citação de membros do órgão implicados nas condutas objeto de apuração e propostas de encaminhamentos futuros, indicadas pelo relator, deputado Paulo Corrêa (PR).

Tanto os relatos quanto os documentos colhidos pelo colegiado desde o dia 30 de setembro, quando os trabalhos foram iniciados, demonstram o “modus operandi” do Cimi. Isso inclui organização primorosa, táticas de guerrilha, apoio para armamento indígena e agressividade.

Uma das ocasiões mais simbólicas, descrita com detalhes no relatório, é a reintegração de posse da fazenda Buriti, em 2013, quando os indígenas enfrentaram a Polícia Federal e resistiram em deixar a área, sob orientação e com apoio do Cimi. O resultado foi a morte do índio Oziel Gabriel.

O documento aponta ainda investimento internacional para as chamadas “retomadas”, palavra utilizada por membros da organização e por ativistas da causa indígena para classificar as invasões de propriedades particulares.

Entre os anos de 2013 e 2014, entidades estrangeiras repassaram mais de R$ 7 milhões ao Cimi. Entretanto, nenhuma comunidade indígena foi beneficiada por projetos custeados com esse recurso.

Diversos indígenas ouvidos pela CPI comprovaram a culpa do Cimi na incitação à invasão. Dois delegados de Polícia Federal também relataram à CPI detalhes sobre a atuação da organização na invasão da fazenda Buriti, quando membro do Cimi foi flagrado de posse de um manual anarquista. Entre outras coisas, ele ensina como fraudar cartões de crédito, fabricar bombas caseiras e silenciadores para armas de fogo.

Por outro lado, os poucos membros do Cimi que conseguiram ser localizados para prestar depoimento, se esquivaram da maioria das respostas e proferiram declarações evasivas.

De acordo com a presidente da CPI, deputada Mara Caseiro (PSDB), este é um relatório preliminar, que ainda poderá receber sugestões dos demais membros do colegiado. O documento final, conforme a parlamentar, será discutido e votado no dia 10, às 14h, no plenário da Assembleia Legislativa.

Na opinião da deputada, o relatório deixa clara a atuação do Cimi para desestabilizar o agronegócio, as instituições oficiais e os poderes constituídos.

Durante todos os meses de trabalho da CPI, via Justiça, o órgão tentou atrapalhar o andamento das investigações.

Para Mara Caseiro, tanto os produtores rurais quanto os indígenas são vítimas nesse contexto.

“Os indígenas são manipulados, enganados, iludidos e ludibriados pelo Cimi, enquanto os proprietários rurais são penalizados pela ação danosa dessa organização”, disparou.

O relatório recomenda que os crimes cometidos pela instituição devem ser apurados com rigor. O documento final, a ser apresentado dia 10, deverá ser encaminhado para diversos órgãos, incluindo Ministério Público, Polícia Federal, Presidência da República e Vaticano, entre outros.

Além de Paulo Corrêa e Mara Caseiro, integram a CPI os deputados Onevan de Matos (PSDB), Marquinhos Trad (PSD) e Pedro Kemp (PT).

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