Composto do jaborandi tem ação contra parasita da esquistossomose

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Experimento realizado testou a atividade da epiisopiloturina contra diversos tipos de parasita. Foto: Divulgação

Um composto extraído da folha do jaborandi (Pilocarpus microphyllus) e denominado epiisopiloturina apresentou em testes pré-clínicos atividade contra a forma jovem e adulta do parasita Schistosoma mansoni, causador da esquistossomose.

A doença afeta quase 240 milhões de pessoas no mundo sendo a verminose que mais mata segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Atualmente a principal droga usada no controle da doença, o praziquantel, só tem eficácia contra vermes adultos e, embora melhore o quadro, não consegue promover a cura completa ou interromper o processo de transmissão. Além disso é altamente tóxico para o fígado e não apresenta formulação pediátrica, dificultando o tratamento de crianças – principal faixa etária atingida pela doença.

Os resultados dos ensaios de estabilidade química da epiisopiloturina foram publicado recentemente em artigo na revista PLoS Neglected Tropical Diseases.

O trabalho de pós-doutorado de Ana Carolina Mafud sob a supervisão da professora do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) Yvonne Mascarenhas, avalia a eficácia e a segurança do composto como fitoterápico em parceria com SUS (Sistema Único de Saúde).

“Também existe a possibilidade de criar versões sintéticas da molécula com pequenas modificações e ação potencializada, o que seria mais interessante para a indústria farmacêutica”, explica Mafud.

Mafud explica que a pesquisa surgiu da necessidade de encontrar um destino correto para os resíduos gerados durante o processo de industrialização da pilocarpina, outra substância existente na folha do jaborandi usada no tratamento de glaucoma.

Ao investigar o resíduo pesquisadores da Universidade Federal do Piauí (UFPI) observaram que 70% do líquido era composto pela epiisopiloturina, que também é alcaloide mas age biologicamente diferente a pilocarpina.

Em experimentos realizados no Instituto Butantan o professor da Faculdade de Ciências de Guarulhos (Facig) Josué de Moraes verificou in vitro a atividade da epiisopiloturina contra diversos tipos de parasita, até que notou efeito contra o S. mansoni em todas as fases de seu ciclo de vida.

“O verme tem um ciclo de vida bem complexo e, no organismo humano, pode existir em três formas diferentes: ovo, jovem, adulto. A epiisopiloturina foi eficaz em todos os estágios e não apresentou toxicidade significativa nem nos ensaios in vitro e nem nos animais”, contou Mafud.

esquitossomose
O parasita Schistosoma Mansoni, causador da esquistossomose (ou barriga d’água)

Mais de 700 milhões de pessoas vivem em áreas endêmicas, localizadas principalmente em regiões tropicais e subtropicais, em comunidades carentes sem acesso a água potável e saneamento adequado.

Na fase aguda da doença, os infectados podem apresentar coceiras e dermatites, febre, inapetência, tosse, diarreia, enjoos, vômitos e emagrecimento. Na fase crônica, episódios de diarreia podem alternar-se com períodos de prisão de ventre.

A doença pode evoluir para um quadro mais grave com aumento do fígado (hepatomegalia) e cirrose, aumento do baço (esplenomegalia), hemorragias provocadas por rompimento de veias do esôfago e barriga d’água (abdome proeminente pelo escape de plasma do sangue).

 

 

com informações da Agência Fapesp

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