Completando uma semana ‘Fazenda de Lamas’ deixa 8 presos por tempo indeterminado

Presos foram levados para Superintendência da PF em MS, mas depois encaminhados ao sistema carcerário espalhado pela Capital.
Presos foram levados para Superintendência da PF em MS, mas depois encaminhados ao sistema carcerário espalhado pela Capital.

A operação ‘Fazendas de Lama’ está completando uma semana, com oito dos principais acusados continuando presos preventivamente, entre as 15 pessoas que foram detidas temporariamente na última terça-feira, na segunda fase das investigações do processo da Lama Asfáltica em Mato Grosso do Sul. A prisão preventiva, que agora é no minimo de 30 dias, podendo ser ‘indeterminada’, foi decretada no sábado (14), horas antes de se encerrar os cinco dias da prisão de todo o grupo, que é acusado de “organização criminosa” pelos investigadores da Polícia e Receita Federal e da CGU (Controladoria Geral da União). O processo apura desvio de recursos públicos do governo federal, de 2007 a 2014, na então administração do ex-governador André Puccinelli, e nesta etapa, a lavagem de dinheiro dos investigados oriundos da fraude em licitações, repasses de propina e também ou por consequência, fraudes no campo da Receita Federal.

As investigações são no campo Federal, assim por competência da Justiça Federal, que decretou a continuidade das prisões, passando a preventiva das oito pessoas, que tem como principais nomes: de Edson Giroto, ex-deputado federal e ex-secretário estadual de obras; a mulher dele, Rachel Rosa de Jesus Portela Giroto; e o empresário João Amorim e a filha dele, Ana Paula Amorim Dolzan. As outras duas filhas do dono da Proteco, que também haviam sido presas na terça-feira, não continuaram presas, como outros cinco que tiveram os mandados cumpridos, mas que venceram a meia-noite do sábado.

A medida atingiu também, Wilson Roberto Mariano de Oliveira, o Beto Mariano, ex-deoutado estadual e que foi diretor da Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos), na gestão de Giroto, no governo de Andre Puccinelli; A filha dele, Mariane Mariano de Oliveira; a sócia de Amorin, Elza Cristina Araújo dos Santos e o empresário Flávio Henrique Garcia Scrocchio, preso em Tanabi (SP).

A decisão faz com que os suspeitos permaneçam detidos por tempo indeterminado, sendo que Mariane e Elza estavam em regime domiciliar e ainda não se sabe se a prisão preventiva irá alterar de alguma forma o benefício.

Fazenda de Lamas

Delegados da PF, CGU e Receita Federal (Foto: Lúcio Borges)
Delegados da PF, CGU e Receita Federal em coletiva a imprensa na 3ª feira, explicando a Operação (Foto: Lúcio Borges)

Ao todo 15 pessoas haviam sido presas, que além dos oito ja citados, havia outro servidor concursado e na época também diretor da Agesul, Hélio Yudi Komiyama, que conseguiu reverter a prisão e foi solto já na sexta-feira (13), e, Renata Amorim Agnoletto e Ana Lúcia Amorim (filhas de João Amorim). Como ainda Ana Cristina Pereira da Silva; André Luiz Cance, ex-secretário estadual adjunto de Fazenda; Evaldo Furrer Matos, empresário de Rio Negro e Maria Vilma Casanova, ex-presidente da Agesul. Todos não tiveram as prisões temporárias convertidas em preventivas e foram soltos ao fim do dia.

As investigações, em resumo, estão relacionadas a desvios ou a um montante em contratos de R$ 2 bilhões em recursos federais, na execução de obras em rodovias no Estado, bem como até a compra de livros didáticos. Os investigados são suspeitos de fazerem parte de uma organização que fraudava licitações e obtinha dinheiro de forma ilícita, mediante pagamentos às empreiteiras por serviços não executados ou feitos com qualidade inferior ao que foi contratado.

A apuração dentre o total de R$ 2 bilhoões, mexeu em uma parte de R$ 195 milhões, identificando desvio de R$ 44 milhões, com a formação de uma “rede de laranjas” composta por familiares e terceiros para a lavagem do dinheiro obtido de forma ilícita. Esses valores, conforme apontou a investigação, foram usados principalmente na compra de fazendas, que totalizaram 67 mil hectares espalhados em Mato Grosso do Sul.

Veja todos os links de matérias que o Página Brazil relatou sobre o assunto na semana passada.

Fazendas de Lama: Servidor da Agesul é o quarto a deixar prisão

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