Com Neymar, Dunga terá de sacrificar Oscar,Douglas Costa ou centroavante

Presença do atacante, liberado para enfrentar a Argentina em novembro, obrigará o técnico a mudar seu setor ofensivo

Há uma certeza para o próximo jogo da seleção brasileira: Neymar estará de volta contra a Argentina, em novembro. Depois de cumprir suspensão por quatro jogos (Venezuela e Paraguai na Copa América, Chile e novamente a Venezuela pelas eliminatórias), o atacante poderá vestir novamente a camisa 10 amarela. Seu retorno, evidentemente, acarretará a saída de alguém.

Neymar volta contra a Argentina (Foto: Divulgação )
Neymar volta contra a Argentina (Foto: Divulgação )

Dunga terá de escolher entre Oscar, em má fase no Chelsea e na Seleção, Douglas Costa, voando no Bayern de Munique, mas ainda instável quando é convocado, ou um centroavante. Hulk e Ricardo Oliveira disputaram os dois primeiros jogos do torneio classificatório para a Copa do Mundo de 2018, com vantagem para o santista, autor de um gol sobre a Venezuela.

O único do setor ofensivo que não corre riscos é Willian. Melhor em campo na vitória da última terça-feira, na qual fez dois gols, ele também é quem costuma criar, junto com Neymar, as melhores jogadas do Brasil.

A versatilidade do craque permite a Dunga analisar o posicionamento e também os momentos dos companheiros para escolher quem sacar. Em tese, seu lugar está sendo ocupado por Douglas Costa. É pelo lado esquerdo que Neymar costuma atuar na seleção brasileira. Só que, até dois meses atrás, Douglas era um jogador questionado entre os 23. Agora, coberto de elogios pelo início no poderoso Bayern de Guardiola, tornou-se sério postulante a uma vaga de titular.

Suas atuações nas eliminatórias não repetiram o que ele tem feito na Alemanha, mas não se pode dizer que foram frustrantes. Ele imprimiu velocidade, foi um dos poucos que tentaram algo diferente na derrota para o Chile, e deu uma assistência para Ricardo Oliveira – com auxílio do zagueiro Amorebieta. Faltou o gol no lance em que preferiu o passe para Oscar à finalização.

Oscar, por sinal, está na berlinda. Criticado no primeiro jogo e vaiado no segundo, ele teve um desempenho bem inferior ao que o tornou um dos jogadores mais escalados da Seleção nos últimos anos. Lucas Lima, por exemplo, entrou em seu lugar e deu mais fluência ao ataque.

É difícil que Neymar ocupe essa faixa do campo, embora isso já tenha ocorrido com Luiz Felipe Scolari. Dunga teria de adaptar Willian ao setor mais central.

Outra possibilidade é fazer com que o atacante do Barcelona seja o que se convencionou chamar de “falso 9”. Ele atuaria no lugar do centroavante, Ricardo Oliveira ou Hulk, com uma característica totalmente diferente deles. A intimidade com o gol torna a hipótese palpável, embora ele só tenha atuado como homem mais adiantado do Brasil, com Dunga, no amistoso contra o Japão. Coincidência ou não, ele fez os quatro gols da vitória por 4 a 0.

A presença de um jogador fazendo a função de centroavante, seja ele de origem, como Ricardo Oliveira, ou adaptado, caso de Hulk, não vinha sendo habitual nessa segunda passagem do técnico pela Seleção. No início de seu trabalho, Diego Tardelli e Roberto Firmino se alternaram como parceiros de ataque do craque, num sistema de mais movimentação. É possível que o 4-2-3-1 usado por Dunga nas primeiras duas rodadas das eliminatórias sofra ajustes e volte a ser um 4-4-2.

A volta de Neymar se dará justamente no clássico diante da Argentina, provavelmente em Buenos Aires, embora a federação local cogite transferir a partida para o interior. A força do adversário e sua necessidade de conquistar a primeira vitória no torneio – tem uma derrota e um empate – certamente vai interferir na decisão de Dunga. Se o brasileiro está mais do que garantido na convocação da semana que vem, por outro lado, Messi, seu amigo de Barcelona, dificilmente estará recuperado de lesão no ligamento colateral interno do joelho esquerdo.

globoesporte.com

 

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