Com foco de doença letal em equinos, produtores pedem fiscalização rigorosa

Com o foco de mormo equino confirmado pela Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal de Mato Grosso do Sul (Iagro/MS), no mês de abril, no município de Bela Vista (MS), os produtores rurais da região passaram a cobrar do poder público medidas mais rígidas no que diz respeito à fiscalização e à vigilância sanitária na faixa de fronteira do estado.

De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Bela Vista, Marcelo Loureiro de Almeida, o foco de mormo é um sinal de que há falhas na fiscalização, no controle da saúde animal e no trânsito de animais no estado. “Isso causa insegurança entre os produtores, uma vez que outras enfermidades podem afetar a região”, diz.

Ainda segundo Marcelo Loureiro, o setor privado (produtores) já havia alertado à Iagro sobre possíveis focos da doença, visto que estados vizinhos a Mato Grosso do Sul registraram alguns casos recentemente. “Se você tem um vizinho que está enfrentando problemas com sanidade animal, é preciso tomar medidas preventivas para que o mesmo não aconteça na sua casa. A fiscalização está falha”, ressalta.

Atualmente, está confirmada a presença de mormo nos estados de Alagoas, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo.

“Outra preocupação é com a febre aftosa. Um foco de aftosa aqui causaria importantes perdas econômicas para o estado, seria crucial. O governo precisa ser mais eficiente e rigoroso no que diz respeito ao controle do trânsito de animais, como a utilização de barreiras móveis”, alerta o presidente.

Zona Livre de Aftosa

A região é livre de aftosa com vacinação desde 2011 e compreende 13 municípios que fazem fronteira com a Bolívia e o Paraguai: Antônio João, Japorã, Mundo Novo, Aral Moreira, Bela Vista, Caracol, Coronel Sapucaia, Corumbá, Ladário, Paranhos, Ponta Porã, Porto Murtinho e Sete Quedas.

Medidas

O animal diagnosticado com mormo deve ser sacrificado, incinerado e enterrado. A interdição da propriedade somente será suspensa pelo serviço veterinário oficial após o sacrifício do animal positivo e a realização de dois exames sucessivos em todo o plantel, com intervalo de 45 a 90 dias. Com resultados negativos nos testes de diagnóstico, é considerado saneado o foco, a propriedade é desinterditada e o trânsito é liberado.

A colheita de material deve ser realizada por médico veterinário oficial ou autônomo cadastrado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), e o material encaminhado aos laboratórios credenciados pelo MAPA.

Com a confirmação do foco no estado, passou a ser obrigatória a apresentação de exame negativo para mormo para o trânsito de equídeos (com destino para aglomerações), em Mato Grosso do Sul.

Todos os eventos de laço cumprido, cavalgadas e outros que não possuem exame negativo de mormo foram temporariamente suspensos.

Doença

O mormo é causado pela bactéria Burkholderia mallei que atinge os equídeos (cavalos, burros e mulas). De acordo com o Ministério da Agricultura, é uma doença de notificação imediata, incurável, letal, de potencial zoonótico e tem como principal via de infecção a digestiva, podendo ocorrer também por via respiratória e cutânea. O período de incubação da doença varia de um a 14 dias.

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