Com alta do dólar, BC vende hoje até US$ 3 bi para tentar conter alta da moeda

Com a disparada do dólar, o Banco Central (BC) decidiu fazer maior intervenção no mercado de câmbio. O BC decidiu vender hoje (8) até US$ 3 bilhões das reservas internacionais, com o compromisso de comprar novamente os dólares em novembro. Com mais dólares no mercado, o banco tenta conter a alta da moeda.

Essa operação, chamada no mercado de leilão de linha, não era feita pelo BC desde março deste ano
Essa operação, chamada no mercado de leilão de linha, não era feita pelo BC desde março deste ano

Essa operação, chamada no mercado de leilão de linha, não era feita pelo BC desde março deste ano. Naquele mês, o órgão anunciou um leilão de rolagem (renovação de vendimento), mas além da renovação, vendeu US$ 200 milhões. A última vez que banco fez um leilão de linha, sem rolagem, foi em dezembro de 2014, quando vendeu US$ 2 bilhões.

Ao vender dólares por meio dos leilões de linha, o BC retira dólares das reservas internacionais, mas apenas por um período. O dinheiro volta às reservas com a compra feita pelo BC na data estabelecida no leilão.

Além desse leilão de linha anunciado para hoje, o banco tem usado outra ferramenta para intervir no mercado de câmbio: os swaps cambiais. Nesse caso, a intervenção não compromete as reservas internacionais. O BC oferta contratos de troca de rendimento no mercado futuro. Apesar de serem em reais, as operações são atreladas à variação do dólar. No swap cambial, a autoridade monetária aposta que o dólar subirá mais que a taxa DI (taxa de depósito interbancário, ou seja, a cobrada em transações entre bancos). Os investidores apostam o contrário. No fim dos contratos, ocorre uma troca de rendimentos (swap) entre as duas partes. Quando o dólar sobe, o BC tem prejuízo proporcional ao número de contratos em vigor. Quando a cotação cai, os investidores deixam de lucrar.

Nos meses em que o dólar sobe, o BC tem prejuízo com as operações de swap. Quando a cotação cai, o órgão tem lucro. Os resultados são transferidos para os juros da dívida pública, aliviando as contas públicas quando os contratos de swap são favoráveis à autoridade monetária e precisando ser cobertos com as emissões de títulos públicos pelo Tesouro Nacional quando ocorrer o oposto. O BC tem feito leilões para rolagem de contratos de swaps cambiais.

Na última sexta-feira (4), o dólar fechou cotado a R$ 3,86, com alta de 2,68%. A cotação é a mais alta desde outubro de 2002. Na semana, a moeda americana acumulou alta de mais de 7%. Os últimos cinco dias foram de trajetória ascendente do dólar, que reagiu a incertezas políticas e econômicas e à crise chinesa.

AGÊNCIA BRASIL

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