Coffee Break vai passar por Bonassini, provas e defesa antes de julgamento

Grupo de 24 investigados na Operação Coffee Break foi denunciado nesta terça-feira (31), pela PGJ (Procuradoria-geral de Justiça), por envolvimento no suposto esquema para cassar o prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal (PP), em 2014.

Documento com 361 páginas é resultado de suposto esquema de propinas.
Documento com 361 páginas é resultado de suposto esquema de propinas.

De acordo com o procurador-geral do Ministério Público Estadual, Paulo Passos, a denúncia ainda tem que ser aceita pelo TJMS, que pode, ou não, acatar o processo. “A denúncia apresentada será analisada pelo desembargador Luiz Cláudio Bonassini. Os indiciados serão comunicados e o Ministério Público poderá fazer a defesa sobre a peça jurídica. O Tribunal se reúne para analisar se recebe essa acusação”, disse . “O Tribunal de Justiça recebe e começa a fase de instrução criminal. Com oitiva de testemunhas e apresentação de provas. É apresentada manifestação do MPE e defesa dos acusados. Só depois que irá ocorrer o julgamento pela sessão criminal”, explicou Paulo Passos.

Alguns deles responderão por dois tipos de crimes, associação criminosa e corrupção. No grupo “associação criminosa” estão aqueles que teriam organizado e planejando as ações para que o esquema para a cassação do prefeito desse certo. Já os que foram denunciados por “corrupção ativa” seriam os responsáveis pelo trabalho a campo, de conversar com os vereadores para convencê-los a votar pelo afastamento de Alcides Bernal. Para isso, teriam oferecido aos políticos vantagens financeiras e cargos na administração do vice-prefeito Gilmar Olarte, caso ele assumisse a Prefeitura.

Já os vereadores foram denunciados por “corrupção passiva”, por terem aceito as vantagens para votar pela cassação de Bernal. Na sessão do dia 12 de março de 2014, dos 29 vereadores apenas 6 votaram contra o afastamento do prefeito – os outros 23 foram favoráveis. Alcides Bernal acabou sendo cassado e retornou ao cargo no dia 25 de agosto do ano passado, no mesmo dia em que foi deflagrada a Operação Coffee Break. A denúncia tem 361 páginas.

Segundo Paulo Passos, as investigações deixaram claras que houve um “conluio e conjungação de esforços” Na Lista de indicciados estão o ex-governador André Puccinelli (PMDB), o prefeito afastado Gilmar Antunes Olarte (PROS) e o ex-prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad (PTB). Também constam na denúncia o procurador da Câmara Municipal André Scaff, os empresários João Baird, João Amorim, Fabio Machinski e Carlos Naegele.

Foram indiciados ainda o ex-presidente da Câmara Municipal, vereador Mario Cesar (PMDB), Flavio Cesar (PSDB), Eduardo Romero (Rede), Gilmar da Cruz (PRTB), Otávio Trad (PTB), Paulo Siufi (PMDB), Airton Saraiva (DEM), Jamal Salem (PR), Waldecy Chocolate (PTB), João Rocha (PSDB), Edson Shimabukuro (PTB), Edil Albuquerque (PTB), Carlão Borges (PSB), e o ex-vereador Alceu Bueno.

Também constam na lista os empresários Luiz Pedro Guimarães e Raimundo Nonato, responsáveis por apresentar a denúncia que culminou na cassação de Alcides Bernal. Os nomes foram divulgados durante coletiva de imprensa nesta terça-feira (31),com a participação do Procurador-Geral de Justiça, Paulo Passos, da coordenadora do Gaeco, Cristiane Mourão, e de seu antecessor, o promotor de Justiça Marcos Alex Vera.

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