‘Coffee Break’ deve fazer 17 réus entre vereadores e empresários a partir desta terça-feira

Passos
Procurador chefe da PGJ, Paulo Passos, que assumiu o cargo em 06 de maio

O resultado final da Operação Coffee Break, que apurou o possível esquema de corrupção para cassar o mandato do prefeito Alcides Bernal em 2014, deve estar finalmente chegando ao fim nesta terça-feira (31). Amanhã, a PGJ (Procuradoria-Geral de Justiça) do MPE (Ministério Público Estadual), como prometeu o procurador-chefe, Paulo Passos, será apresentado a denúncia contra os investigados ao TJMS (Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul). O Tribunal deve receber um pedido para indiciar e tornar réus pelo menos 17 pessoas, entre vereadores de Campo Grande e diversos empresários, acusadas pelas investigações do Gaeco (Grupo de Atuação no Combate ao Crime Organizado), acolhidas integralmente e acrescidas de novos dados pela PGJ. Passos prometeu, como o Página Brazil publicou no inicio do mês, que o caso se encerraria este mês.

A PGJ-MPE não explicitou oficialmente nada sobre o assunto, mas entre os denunciados devem estar 14 políticos e três empresários, como o dono da Proteco, João Amorim, já preso por outra operação e acusação, a Lama Asfáltica. Ele deve ser acusado, agora, como o mentor e líder do grupo que financiou a cassação do prefeito da Capital. Além de Amorim, pelo menos, outros cinco são considerados peças importantes nas articulações para retirar Bernal da Prefeitura. A denúncia a ser oferecida ao TJ-MS, está fundamentada no relatório do Gaeco, mas também, como prerrogativa da Procuradoria, em documentos e provas produzidas, após a entrega das conclusões do Gaeco. A PGJ realizou novas diligências e novas perícias.

O então coordenador do Gaeco, Marcos Alex Vera, entregou o relatório preliminar da investigação, no início de dezembro de 2015, onde concluiu que houve um ‘golpe-crime’, como até dizia sempre o chefe do executivo, e apontou o envolvimento no suposto esquema, do vice-prefeito afastado Gilmar Olarte (então do PP, hoje no PROS) e do ex-prefeito Nelsinho Trad (então no PMDB, hoje no PTB), além dos vereadores (veja abaixo lista) e dos empresários.

MarcosAlex
Então coordenador do Gaeco, Marcos Alex Veras

Conforme divulgações feitas na época da Operação Coffee Break, o empresário João Amorim, aparece várias vezes conversando ao telefone negociando com vereadores a cassação. Em uma das conversas interceptadas, ele fala com o então presidente da Câmara Municipal, Mário César da Fonseca, logo após a sessão em que Bernal foi cassado, no dia 12 de março de 2014. Assim, o Gaeco aponta a participação efetiva do então presidente do Legislativo, o que levou ao seu afastamento do cargo de vereador e presidente da Câmara, aceito pela Justiça. Ele conseguiu retomar as funções de vereador, mas não de presidente do Legislativo. Por conta disso, foi feita nova votação e eleito presidente da Casa, o vereador João Rocha (PSDB), que agora também deve estar entre os denunciados.

No relatório entregue a PGJ em dezembro do ano passado, os investigados são acusados de associação criminosa, corrupção passiva e corrupção ativa.

Inicio da Operação Coffee Break

A interrupção do mandato do prefeito Alcides Bernal, pela cassação feita pela Câmara, foi acusada e é apontada em relatório final das investigações realizadas pelo Gaeco no caso, que apareceu ‘por acaso’ em maior processo investigatório da Lama Asfáltica, que apura desvios de recursos públicos na administração de Andre Puccinelli, no governo do Estado.
Os dados originados de apuração e gravação da ‘Lama Asfaltica”, levou a realização da Operação Coffee Break, em 25 de agosto do ano passado, onde 13 pessoas, a maioria de parlamentares, foram conduzidos coercitivamente para prestar depoimento ao Gaeco e 17 celulares foram apreendidos para serem periciados no IC (Instituto de Criminalística). Como ainda, ao afastamento judicial e prisão de Gilmar Olarte e de João Amorim.

Os alvos da condução coercitiva, à época, e que devem se tornar reú foram: os vereadores Mario Cesar (PMDB); Edil Albuquerque (então no PMDB, hoje no PTB); Airton Saraiva (DEM); Waldecy Batista Nunes, o Chocolate, (então no PP, hoje PTB); Gilmar da Cruz (PRB); Carlos Augusto Borges (PSB), o Carlão; Edson Shimabukuro (PTB) e Paulo Siufi (PMDB); Jamal Salem (PR), na época secretário municipal de Saúde, e o ex-vereador Alceu Bueno, que renunciou após escândalo de exploração sexual, além dos empresários João Amorim, Fábio Portela Machinsky e João Roberto Baird.

O relatório preliminar foi entregue pelo Gaeco, com 4.800 páginas, conforme dados da época. Contudo, agora o que será apresentado ao TJ-MS, tem um procedimento ainda mais “robusto”, com cerca de 7 mil páginas, em novas provas produzidas pela PGJ. Alguns investigados que não aparecem no relatório preparado pelo Gaeco agora serão citados, a partir de documentos levantados, como a quebra do sigilo fiscal e bancário.

Além dos documentos e dos laudos da perícia feita nos celulares de empresários e vereadores, fazem parte do procedimento escutas telefônicas feitas com autorização da justiça. São escutas feitas nas investigações da Operação Lama Asfáltica, mas que foram compartilhadas diante da evidência da existência de um suposto esquema para cassar o prefeito Alcides Bernal.

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