Ciúmes da ex-mulher causou atropelamento e morte de jovem de 25 anos na Capital

Max William Romana dos Santos, 24 anos, suspeito de matar o namorado da ex-mulher, Rafael Souza do Carmo, 25 anos, na tarde do último domingo (31), no bairro Mata do Jacinto, se apresentou à polícia na tarde de ontem (04). O motivo do crime seria ciúmes da ex-companheira, Pâmela Kethelyn Conceição Valejo, 23 anos.

Segundo informações da delegada Fernanda Félix, da Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam), Max confessou que atropelou e matou Rafael após uma discussão. “Eles teriam se encontrado na casa de Pâmela cinco minutos antes do crime. Na ocasião, ele alegou que foi xingado por Rafael. Quando a ex-mulher e a vítima deixaram o local em uma motocicleta, ele foi atrás, acelerou o carro e atropelou os dois”, contou a delegada. A moto que o casal estava era conduzida por Pâmela e foi arrastada por 16 metros. Rafael morreu na hora e namorada foi socorrida com diversos ferimentos.

Frio, Max ficou calado durante coletiva de imprensa e não demonstrou arrependimento. Foto: Kerolyn Araújo
Frio, Max ficou calado durante coletiva de imprensa e não demonstrou arrependimento. Foto: Kerolyn Araújo

Ainda conforme a delegada, Max abandonou o carro usado para atropelar o casal, seguiu para o Posto de Saúde do bairro Nova Bahia, onde pegou um mototáxi. Ele foi até um matagal próximo a uma loja de materiais para construção no bairro Nova Lima, onde permaneceu escondido até o dia seguinte. “Na segunda-feira, Max pegou um ônibus, foi até o terminal Júlio de Castilhos e, de lá, seguiu para uma lan house, onde pesquisou sobre o crime nos jornais”, detalhou Fernanda Félix.

Segundo informações da polícia, de ônibus, Max foi para a casa de um irmão no Jardim Noroeste, onde foi convencido a se apresentar à polícia. Após ser preso, ele disse que decidiu atropelar o casal porque se sentia ‘ameaçado’ por Rafael e acreditava que ele tivesse uma arma, porém a polícia confirmou que Rafael não estava armado no momento do crime e não possui revólver.

Violência doméstica

De acordo delegada Ariene Murad, titular da Deam, Pâmela já havia sofrido violência doméstica por parte do autor do crime. “Foram registrados três boletins de ocorrência contra Max, em 2010, 2012 e o último no dia 20 de março deste ano. Na ocasião, Pâmela pediu medidas protetivas contra o autor, mas em menos de um mês, pediu a revogação da medida por não se sentir mais ameaçada por ele”, explicou.

Balanço

Neste ano já foram registrados cinco feminicídios no Estado, sendo quatro deles causados por ciúmes. Outras 36 mulheres sofreram tentativa de feminicídio em Mato Grosso do Sul, sendo 13 casos na Capital. Desse número, apenas um agressor não está preso.

A delegada Ariene Murad ressaltou que dos 36 casos de tentativa de feminicídio, apenas duas vítimas já haviam procurado a polícia para denunciar a violência doméstica. “Nosso maior desafio é fazer com que as mulheres denunciem seus agressores”, disse.

Crimes

Max responderá por homicídio duplamente qualificado e tentativa de feminicídio. Se for condenado, poderá pegar até 50 anos de prisão pelos dois crimes. O autor também responderá por furto, já que furtou o carro usado para atropelar as vítimas de uma oficina mecânica onde trabalhava.

 

 

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