Cientistas descobrem como controlar efeitos colaterais do uso medicinal da maconha

Maconha medicinal pode ter efeitos negativos bloqueados, indica pesquisa - Agência O GloboPesquisadores das universidades de East Anglia, Barcelona, Pompeu Fabra, entre outras instituições europeias, identificaram um método para bloquear os efeitos colaterais cognitivos da cannabis, como amnésia, e, ao mesmo tempo, preservar os seus benefícios para o uso medicinal.

O estudo conduzido em camundongos foi publicado nesta quinta-feira no periódico científico “PLOS Biology”. O trabalho revela como alguns efeitos cognitivos negativos do tetrahidrocanabinol, substância psicoativa encontrada na maconha e conhecida como THC, são ativados por caminhos diferentes daqueles considerados benéficos, e que envolvem receptores canabinoides e de serotonina.

Assim, quando o caminho certo é bloqueado, o THC ainda pode exercer efeitos como a redução de dores sem provocar perda de memória, por exemplo. Durante os estudos com camundongos, os pesquisadores descobriram que a ausência de um determinado receptor de serotonina conhecido como 5HT2AR reduz alguns dos efeitos cognitivos negativos do THC, mas que essa mesma ausência não tem impacto nos seus efeitos positivos.

Os pesquisadores acreditam que o trabalho possa futuramente representar um marco para terapias baseadas no uso da cannabis, já que tem potencial de evitar que elas causem alterações no humor, na percepção e na memória dos pacientes. — Tem havido um grande interesse médico em entender o mecanismo molecular pelo qual atua o THC, para que os seus efeitos benéficos possam ser aproveitados sem os seus efeitos colaterais.

O THC atua por meio de uma família de células receptoras chamadas de canabinoides. A nossa investigação anterior revelou quais desses receptores são responsáveis pelos efeitos antitumorais do THC. Esta nova pesquisa demonstra como alguns efeitos benéficos da droga podem ser separados de alguns indesejáveis — afirmou o pesquisador Peter McCormick, da Escola de Farmácia da Universidade East Anglia.

Alertando que, apesar dos resultados, os pacientes não devem tentar se automedicar com a cannabis, McCormick disse esperar que o estudo leve à criação de um equivalente sintético que possa ser disponibilizado às pessoas em tratamentos médicos diversos no futuro.

Fonte: O Globo

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