Carne Fraca: hollywoodiana e erro em desserviço são adjetivos usados por deputados de MS

O assunto da Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal na última sexta-feira (17), foi alvo de duras criticadas ‘oficiais’ dos deputados estaduais, durante a sessão ordinária desta terça-feira (21) na AL-MS (Assembleia Legislativa de MS). Os parlamentares, apesar de muitos já terem se posicionado em reuniões, cartas abertas, pelas redes sociais ou em entrevistas, como as publicadas pelo Página Brazil, hoje, falaram oficialmente da Tribuna da Casa de Leis, onde pediram providencias por parte das autoridades do governo federal e estadual. A voz dos que se pronunciaram, tanto de grande parte que é pecuarista, como de outros parlamentes, foi para classificar como desmoralizante, erro gravíssimo e até fraude pelo mercado financeiro.

O vice-líder do governo, deputado Beto Pereira (PSDB), classificou como ‘Hollywoodiana’ desastrosa a operação, que descobriu um esquema de pagamento de propina a 33 fiscais/servidores do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), por donos de 21 frigoríficos para liberação de mercadoria imprópria para comercialização. Como também o modo irregular e criminoso de preparar gêneros alimentícios da área da carne. “Foi ou tudo está sendo feito com esse exagero todo, com milhares, 1,5 mil agentes da PF, acusando ou colocando tudo e todos como criminosos e ou problemático. Coisas que são ditas por quem não é técnico da área, como por exemplo, dizendo que Ácido Ascórbico, que é até vitamina C, como sendo algo cancerígeno. Isto não é correto. O Ministério Público e Polícia Federal fazendo tudo de forma midiática e colocando o governo ou mesmo toda economia de um país, em risco”, disparou o tucano.

“Não tenho dúvidas de que a melhor carne do mundo é a nossa”, disse Fernandes

O deputado Marcio Fernandes (PMDB), que falou ontem ao Página Brazil, declarando todo seu descontentamento e posição. Ele, hoje, solicitou que a Assembleia encaminhei um documento ao MPF (Ministério Público Federal), PF e Mapa cobrando a divulgação de uma lista de frigoríficos que não são alvo de investigação. “De maneira alguma se pode generalizar como está sendo feito com a nossa carne. Não acredito que marcas renomadas como essas estejam com irregularidades como estas que estão dizendo. A mídia social tem um poder muito grande de repercussão e depois para desfazer e quase impossível”, disse Fernandes, que é presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária e Políticas Rural, Agrária e Pesqueira da AL-MS.  A reportagem resumiu a fala hoje do deputado, pois ele ratificou o muito que declarou em vídeo e matéria do Página Brazil ontem.

“Defendo que se deva claro investigar, coibir e até proibir as empresas que de fato forem comprovadas envolvimento, que ainda nem isto pode ser afirmado categoricamente, entre as irregularidades. Mas, acima de tudo, não generalizar e deixar a população com todo esse medo. Nada podemos colocar tudo sendo uma, mais infelizmente, o Brasil tem feito isto”, disse coronel David (PSC).

Desserviço em Tsunami

O outro deputado tucano Onevan de Matos, chamou de ‘irresponsabilidade’ da Polícia na divulgação da Operação, e destacou que alguns países já deixaram de importar carne brasileira, depois da divulgação do suposto escândalo da carne, que envolveu ou envolve menos de 1% da cadeia produtiva nacional.

“Como se faz um des-serviço desse a nação, divulgar ou apontar um problema dessa envergadura, envolvendo a tudo e todos. Não se sabia, não viram ou foi de proposito em espalhar que menos de 1% das empresas eram como se fosse todas. Era uma gota no oceano que fizeram um Tsunami, colocando entre 21 todas as quase 5 mil de todo país”, apontou Matos.

Beto Pereira ainda afirmou que a carne brasileira, incluindo a produção sul-mato-grossense, está entre as melhores do mundo.

Para Zé Teixeira (DEM), os prejuízos são incalculáveis e recairão sobre os produtores rurais, que têm a mercadoria como única moeda de troca para garantir a produção. Ele lembrou a crise da aftosa, em 2005, e como os produtores do Estado se uniram para recuperar o status de carne de boa qualidade junto ao mercado internacional. “De vez em quando, querem destruir a cadeia produtiva brasileira, mas não tem como matar o produtor; esse dano ocorreu por exagero, nos atingiu e desmoralizou, mas para tudo tem jeito, as irregularidades serão apuradas e continuarão sendo produzidos os alimentos para todos”, afirmou.

O deputado Paulo Siufi qualificou os resultados da operação como “pirotecnia surreal”. Segundo ele, o Congresso Nacional deveria aprovar medidas punitivas com relação ao abuso de autoridade. “Infelizmente, o que fizeram não tem volta e hoje tem gente cortando pedaço de carne para ver se encontra papelão dentro, mas precisamos buscar meios de evitar situações semelhantes”, afirmou.

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