Campo-grandense volta do Japão com restos mortais de filhas

A campo-grandense Maria Aparecida Amarília Scardin, 50 anos, finalmente retornou a Campo Grande nesta segunda-feira (21) trazendo os restos mortais das filhas Akemi e Michelle Maruyama. As garotas foram mortas na longínquo cidade de Handa, no oriental Japão, onde Maria ainda teve que esperar pela liberação dos corpos por quase três meses. Ela teve que lutar lá na terra do sol nascente e aqui no Brasil, no campo burocrático e financeiro, para poder trazer os ‘corpos’ das filhas.

Maria Scardini é mãe de brasileiras assassinadas no Japão (Foto: Gabriela Pavão/ G1 MS)
Maria Scardini é mãe de brasileiras assassinadas no Japão (Foto: Gabriela Pavão/ G1 MS)

Hoje, ela chegou com a Capital com uma bagagem, que nenhuma mãe imagina que poderia ter, com as filhas dentro de uma mala. “Não imaginava isso para qualquer ser humano e muito menos pensava que minhas filhas iriam voltar para o Brasil dentro de uma mala. Mesmo com a mala aqui, ainda é surreal. É muito doloroso”, disse a mãe Maria, no desembarque na manhã de hoje em Campo Grande. O custeio de despesas da viagem e a cremação, custaram R$ 30 mil, que foram arrecadados pelos brasileiros.

Apesar dos cerca de 80 dias, Maria ainda pensa em seguir os tramites tradicionais e fazer um novo velório. Como ainda em construir uma capela no cemitério Cruzeiro para colocar as urnas com os restos mortais de Akemi e Michelle. No mesmo local, ela já sepultou um filho.

A jornada ‘tenebrosa’ na terra do sol nascente começou em 8 de janeiro, quando Maria seguiu para o Japão após as filhas serem assassinadas. As irmãs foram encontradas mortas em 29 de dezembro de 2015. Elas moravam há 12 anos no distrito Ippongi-choum, da cidade japonesa de Handa. O principal suspeito é o marido de Akemi, o peruano Tony La Rosa, que está preso.

Mãe investigadora

Maria conta que a espera no Japão, foi tempo ainda de buscar esclarecimentos e até fazer uma investigação paralela. “Conversei com amigos e parentes no Japão, onde aquele que era genro teria matado as meninas e ainda pois fogo no apartamento”, mencionou.

A ‘investigação’ de Maria levantou uma denúncia que atribui ao pai do então marido Tony, a sugestão de incendiar o imóvel. “Contei tudo à polícia e espero que possa dar novo rumo para a investigação”, diz.

Maria, menciona que no Japão é tudo “muito burocrático” em termos de investigação e que o genro ainda não foi indiciado pelo assassinado, apesar de ter muitas evidencias. “Ele está preso por outros crimes, como dirigir embriagado”, conta.

Matéria: Lúcio Borges

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