Campo Grande registra segunda deflação do ano

Da Redação/JN

Alimentação foi o principal grupo com queda acentuada, segundo o Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas e Sociais da Uniderp

Em julho, o Índice de Preços ao Consumidor de Campo Grande (IPC/CG) registrou nova deflação e ficou em -0,27%, segundo o Núcleo de Estudos e Pesquisas Econômicas e Sociais (Nepes) da Uniderp. No comparativo da série histórica dos meses de julho, é a menor taxa desde 2013, quando atingiu -0,35%. Em junho deste ano, a deflação ficou em -0,15%.

Grupo Alimentação, registrou fortíssimas quedas nos preços Foto Divulgação

De acordo com o coordenador do Nepes, Celso Correia de Souza, “o principal responsável pelo resultado do índice foi a Alimentação, que registrou fortíssimas quedas nos preços da carne bovina. Somente os grupos de Habitação e Transportes tiveram índices inflacionários positivos”.

A inflação acumulada nos últimos 12 meses, na capital de Mato Grosso do Sul, é de 2,52%, índice abaixo do centro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 4,5%. No período, o maior índice em relação aos grupos é do Vestuário, com 12,61%. Segundo o especialista, “está havendo uma recomposição de preços em relação ao ano passado”.

No acumulado de 2017, ou seja, em sete meses, a inflação registrada caiu de 1,29% para 1,01%, taxa ainda baixa quando comparada com anos anteriores. A maior inflação no período foi com Vestuário: 7,23%. Já o grupo Despesas Pessoais, se destaca pela inflação negativa de -2,74%, o que ajudou a conter a inflação em Campo Grande. “A Alimentação também está tendo uma grande contribuição neste ano para frear a inflação, com um índice acumulado de -2,57%”, esclarece Celso.

Maiores e menores contribuições

Os 10 “vilões” da inflação, em julho:

Gasolina, com inflação de 6,21% e contribuição de 0,20%;
Energia elétrica, com inflação de 4,06% e contribuição de 0,12%;
Diesel, inflação de 2,89% e participação de 0,08%;
Calça comprida masculina, com variação de 5,40% e colaboração de 0,06%;
Refrigerador, com acréscimo de 4,07% e contribuição de 0,05%;
Calça comprida feminina, com aumento de 2,66% e participação de 0,03%;
Televisor, com variação de 2,91% e colaboração de 0,03%;
Fogão, com acréscimo de 7,32% e contribuição de 0,02%;
Tênis com reajuste de 1,76% e participação de 0,02%;
Laranja pera, com elevação de 7,13% e colaboração de 0,01%.
Já os 10 itens que auxiliaram a reter a inflação, com contribuições negativas:

Batata, com deflação de -41,51% e contribuição de -0,17%;
Pescado fresco, com redução de -16,59% e colaboração de -0,12%;
Contrafilé, com diminuição de -13,41% e participação de -0,09%;
Blusa, com decréscimo de -4,25% e contribuição de -0,05%;
Sabão em pó, com baixa de -3,20% e colaboração de -0,04%;
Alcatra, com diminuição de -3,24% e participação de -0,04%;
Acém, com redução de -4,56% e contribuição de -0,04%;
Alho, com decréscimo de -32,59%e colaboração de -0,04%;
Ovos, com queda de -13,35% e participação de -0,04%;
Feijão, com baixa de -7,01% e contribuição de -0,03%.
Segmentos

O grupo Habitação, que possui o maior peso de contribuição para o cálculo do índice mensal, apresentou alta de 1,65%, motivado, principalmente, pelos aumentos nas contas de energia elétrica, com a mudança da bandeira tarifária para amarela e, também, em alguns eletrodomésticos, puxando a inflação para cima.

Repetindo o comportamento de maio e junho, o grupo Alimentação apresentou queda e fechou julho com -3,49%. As maiores altas de preços ocorreram com: limão (43,45%), pepino (11,49%), pimentão (7,95%), entre outros. Fortes quedas de preços foram registradas com: batata (-41,51%), alho (-32,59%), cenoura (-21,49%), entre outros produtos.

O coordenador do Nepes esclarece que este grupo é o melhor termômetro para o comportamento da inflação ao longo do ano, pois tem a segunda ponderação na formação do índice inflacionário. “Com a melhora do clima no país, vários dos produtos de alimentação têm diminuído de preços, principalmente, os hortifrútis. Se a tendência continuar, certamente a inflação ficará em torno, ou mesmo, abaixo da meta do CMN para o ano de 2017, de 4,5%”, expõe Celso Correia.

Queda de preços também foi constata com a carne vermelha bovina. Treze, dos 15 cortes pesquisados pelo Nepes da Uniderp apresentaram reduções. São eles: contrafilé (-13,41%), coxão mole (-9,24%), lagarto (-6,44%), acém (-4,56%), fígado (-3,54%), costela (-3,43%), alcatra (-3,24%), peito (-2,75%), músculo (-2,09%), patinho (-1,48%), picanha (-1,30%), cupim (-1,26%) e vísceras de boi (-0,55%). Filé mignon e paleta subiram 3,30% e 1,01%, respectivamente.

“O cenário de quedas expressivas foi motivado pelo baixo consumo de carne em nossa cidade e às dificuldades em exportar o produto devido aos problemas sanitários e com frigoríficos de maiores portes do MS, que não vêm abatendo regularmente. O início da entressafra e a redução de pastagem também fizeram com que a oferta de bois aos frigoríficos aumentasse o que, consequentemente, impactou para a baixa do boi gordo pago ao pecuarista, refletindo também no varejo”, explica o professor.

Quanto aos cortes de carne suína, todos os tipos pesquisados baixaram de preços: costeleta caiu -9,01%, bisteca -2,82% e pernil -0,96%. A carne de frango congelada também teve queda de -1%, bem como os miúdos de frango, -0,78%.

Diferente da Alimentação, o grupo Transportes apresentou uma forte inflação em seu índice: 1,74%, devido a aumentos nos preços dos combustíveis, com os aumentos das alíquotas dos impostos Pis e Cofins, que resultaram na elevação média de gasolina em 6,21% e do óleo diesel em 2,89%.

O grupo Educação também apresentou alta e fechou julho com índice moderado de 0,05%, devido a pequenos aumentos nos preços de produtos de papelaria.

O grupo Despesas Pessoais foi outro grupo com queda: -0,19%. Alguns produtos/serviços que tiveram aumentos de preços foram: absorvente higiênico (1,45%), protetor solar (0,96%), produto para limpeza de pele (0,72%), entre outros. Já as principais reduções ocorreram com fio dental (-2,60%), sabonete (-2,12%) e hidratante (-2,04%). O grupo Saúde seguiu a mesma tendência e ficou em -0,20%, devido a promoções oferecidas ao consumidor pelas farmácias, como anti-infeccioso e antibiótico (-1,58%) e vitamina e fortificante (-1,39%).

Completando o estudo, Vestuário encerrou o mês com primeira deflação desse grupo: -0,84%, que vinha aumentando de preços no sentido de recompor as quedas que aconteceram no ano de 2016. Os maiores aumentos de preços foram registrados com a calça comprida masculina (5,40%), sandália/chinelo feminino (3,98%), e sandália/chinelo masculino (2,67%). Quedas de valor ocorreram com: camisa masculina (-5,14%), sapato masculino (-4,90%), short e bermuda masculina (-4,36%), entre outros.

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