Câmara vai cumprir a lei e não vai acobertar nada, diz presidente

Em entrevista ao portal Página Brazil, o presidente em exercício da Câmara Municipal de Campo Grande, vereador Flávio César (PTdoB), comentou a notícia de que o vereador Aírton Saraiva (DEM), teria admitido em depoimento ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, “a realização de reuniões na residência do então governador, André Puccinelli (PMDB), e na residência do próprio vereador, para discutir a cassação de Alcides Bernal (PP).

Presidente da Câmara, em exercício, Flávio César disse que a Comissão de Ética não vai acobertar nada Foto Silvio Ferreira
Presidente da Câmara, Flávio César disse que a Comissão de Ética não vai acobertar nada Foto Silvio Ferreira

Segundo Flávio César, “primeiramente, nós precisamos entender essa declaração. Eu não conversei com o vereador Aírton Saraiva ainda, não tive acesso ainda ao seu depoimento ao Gaeco, e com certeza, uma coisa precisa ficar bem clara: a Câmara não vai se furtar do aspecto de investigar, de aprofundar no detalhamento de todos esses esclarecimentos sob o rigor da lei. O nosso compromisso nesse momento, através da Comissão de Ética que já está instalada na casa, é de justamente apurar todos estes fatos, inclusive com o convite que fizemos à OAB, Ministério Público e Tribunal de Justiça, dando toda a credibilidade e seriedade que o caso requer, nós vamos cumprir o nosso papel, com muito rigor, podendo investigar e esclarecer isso no tempo mais hábil possível à sociedade campo-grandense”, declarou o vereador.

Entenda o caso – Em depoimento ao Gaeco, o vereador Aírton Saraiva teria informado a realização de uma série de reuniões para tratar da cassação de Alcides Bernal: nas primeiras reuniões, realizadas na casa do ex-governador André Puccinelli (PMDB), teriam participado os vereadores Waldeci Batista Nunes (o Chocolate) (PP), e Gilmar da Cruz (PRB). Os vereadores teriam recebido do então governador de Mato Grosso do Sul, a promessa de receber os vereadores em outros partidos, caso votassem pela cassação de Bernal.

Uma segunda série de reuniões teriam sido realizadas nas residências de Saraiva e dos vereadores Vanderlei Cabeludo (PMDB) e João Rocha (PSDB) – atual presidente da Comissão de Ética criada pela Câmara justamente para apurar a possível quebra do decoro parlamentar dos vereadores investigados na Operação Coffee Break, do Gaeco, por suposto envolvimento no esquema de compra de votos para a cassação de Bernal.

Todas as reuniões teriam ocorrido a partir do segundo semestre de 2013, no contexto de realização da comissão processante que culminou na cassação de Alcides Bernal, em 13 de março de 2014.

No dia último dia 25 de agosto, o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) anulou a sessão legislativa que cassação o mandato de Bernal, por conta dos indícios de cooptação dos vereadores, e o prefeito foi reconduzido ao cargo.

As informações de Saraiva são negadas categoricamente pela defesa do ex-governador André Puccinelli. Em entrevista à imprensa, o vereador Vanderlei Cabeludo afirmou que as reuniões trataran apenas de rotinas da Câmara e não da cassação Alcides Bernal. O vereador João Rocha (PSDB), na condição de presidente da Comissão de Ética que analisa o caso, não quis comentar o depoimento de Saraiva.

1ª REUNIÃO

A Comissão de Ética realiza, nesta quarta-feira, a primeira reunião de trabalho, para analisar os documentos da Operação Coffee Break. As 656 páginas do procedimento foram entregues na tarde dessa segunda-feira (21) pela Procuradoria Jurídica da Câmara ao presidente da Comissão, vereador João Rocha (PSDB).

O material é referente aos depoimentos dos nove vereadores que foram conduzidos coercitivamente para prestar depoimento no MPE durante a operação Coffee Break. Não foram encaminhados as oitivas dos vereadores que foram ao Gaeco nos dias posteriores à Operação.

A Comissão de Ética foi criada pela Câmara Municipal para apurar se houve quebrado do decoro parlamentar por parte dos vereadores que foram alvos da Coffee Break. São eles: Mário César, Edil Albuquerque e Paulo Siufi, do PMDB; Airton Saraiva (DEM), Waldeci Batista Nunes, o Chocololate (PP), Gilmar da Cruz (PRB), Carlos Augusto Borges, o Carlão (PSB), Edson Shimabukuro (PTB) e Jamal Salem (PR).

Silvio Ferreira

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