Butantan desmente, mas Bernal mantém versão de menor quantia em vacina

O prefeito Alcides Bernal, após lançamento de ‘pacote de retomada de obras’ na manhã desta quarta-feira (25), manteve versão de menor quantia em doses da vacina contra a gripe H1N1, apresentada pelo secretario Ivandro Fonseca, para justificar o considerado “sumiço” ou falta do medicamento de postos de saúde de Campo Grande. O chefe do executivo foi questionado sobre o assunto, pois ainda não havia se posicionado, mesmo após o MPE (Ministério Publico Estadual) instaurar um processo investigatório e o Instituto Butantan, fabricante do produto, já ter dito a imprensa não ser possível ter ocorrido o fato. Hoje, emitindo uma nota explicativa (veja abaixo), o Instituto desmentiu oficialmente, a hipótese levantada pela Sesau (Secretaria de Saúde), como o Página Brazil já havia apontado ontem.

Bernal disse que a prefeitura quer e já está investigando, por meio da Sesau, o “sumiço” das vacinas, considerando o que seu secretario justificou, à principio, como o principal problema, mesmo diante ao que Instituto Butantan declarou na nota explicativa. “Já estamos trabalhando para verificar, apontar e resolver o problema ou dar uma resposta de quem faltou com a verdade, o que ou se ocorreu algo durante o processo. O que alguém fez algo errado ou como essas doses que vieram em menor quantia que os profissionais verificaram ao aplicar a vacina. Vamos verificar e ja estamos investigando”, disse o prefeito.

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Secretário de Saúde, Ivandro Fonseca e o prefeito Alcides Bernal

O prefeito apontou que não acredita, mas vai ser verificado todas as situações, como as denuncias de erro e desperdício no manuseio, e, quanto a aplicação em pessoas fora do grupo prioritário e ainda mais de “amigos”.

O Butantan, entidade que é credenciada pelo Ministério da Saúde e faz todo o processo de produção de vacinas contra o vírus causador da gripe H1N1, afasta totalmente a hipótese levantada pela Sesau, de que teria recebido doses a menos por frasco. O Município tenta explicar como a falta do produto em postos de saúde, enquanto os números mostram haver sobra da medicação. Segundo o fabricante, todo processo é automatizado e os frascos recebem volume maior do que o equivalente a 10 doses para garantir o fornecimento correto.

Contradição

Os postos de Saúde afirmavam que não havia mais nenhuma dose da vacina e até não se havia chegado a cobertura obrigatória dos 80%. Mas, agora a Prefeitura informava que ainda haviam 18 mil nos postos, 8 mil para imunizar população carcerária. Mas, atualizando a cobertura atingida, ainda faltava justificar o paradeiro de 3,1 mil doses.

Hoje, o prefeito afirmou que a Capital atingiu a meta e acima dos dados exigidos pelo Ministério da Saúde.

A Capital teria uma quantia mínima e recebeu ampolas para imunizar 193 mil, mas não registrou ou mesmo havia divulgado por meio de números de relatórios, que deixou 30 mil pessoas sem a vacina, dentro do público alvo obrigatório. O município iria vacinar 193 mil pessoas do grupo alvo e até outros extra, mas finalizou a campanha na última sexta-feira, já sem vacina, com o registro de 162 mil pessoas que receberam o medicamento.

Confira, na íntegra, a nota do Instituto Butantan:

A fabricação de imunobiológicos pelo Instituto Butantan segue rigorosos padrões, com todos os processos certificados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No caso da vacina da gripe, envasa-se sempre uma quantidade superior à correspondente a dez doses (5ml), de forma a garantir a existência de dez doses por frasco, de acordo com a especificação descrita no registro do produto. O processo de envase é totalmente automatizado. É importante destacar que, ao ter toda a linha de produção da vacina influenza (gripe) certificada pela Anvisa, em 2014, o Instituto Butantan se tornou o primeiro laboratório público brasileiro a receber Certificação de Boas Práticas de Fabricação para uma linha completa de produção.

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