Brasileiro e nove réus vivem as últimas horas antes da execução na Indonésia

Prima de Rodrigo Gularte disse que o paranaense está bastante calmo, e ainda acredita que será solto

Paranaense Rodrigo Gularte pode ser fuzilado a qualquer momento Foto: Reprodução
Paranaense Rodrigo Gularte pode ser fuzilado a qualquer momento Foto: Reprodução

Indonésia – Um grupo de réus condenados à morte por narcotráfico na Indonésia, entre eles o brasileiro Rodrigo Gularte, vive suas últimas horas antes das autoridades do país realizarem suas execuções, apesar dos novos pedidos de clemência de vários governos. Gularte é um dos dez presos que deverá enfrentar o pelotão de execução na prisão de Nusakambang, em Java Central, onde já está sendo mantido junto com dois australianos, um francês, uma filipina, três nigerianos, um ganês e um indonésio.

Nesta terça-feira se encerra o prazo de 72 horas dado pela Justiça da Indonésia para o início das execuções. No entanto, não há data nem horário definidos pelas autoridades, algo que deve ser anunciado pelo procurador-geral, Muhammad Prasetyuo, ao longo do dia. Acredita-se que as execuções ocorrerão nas primeiras horas desta quarta-feira — tarde desta terça no horário de Brasília.

O porta-voz da promotoria, Tony Spontana, disse que os preparativos para as execuções foram 100% completados, e que o pelotão de fuzilamento está a postos em Nusakambang desde sábado. Porém, também evitou cravar uma data para as mortes.

“Saberemos em breve. Mas parece que será nesta semana, porque os preparativos estão 100%. Há tempo. O procurador-geral fará o anúncio”, disse Spontana em entrevista à emissora local “Metronews”.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a presidenta Dilma Rousseff, o primeiro-ministro da Austrália, Tony Abbott, além de líderes de outros governos e representantes de várias organizações internacionais pediram clemência aos condenados. O governo de Joko Widodo, que em janeiro executou seis réus, incluindo o brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, rejeitou até agora todos os pedidos, pediu respeito à lei da Indonésia e defendeu o uso da pena capital como medida para dissuadir possíveis criminosos de praticarem o tráfico de drogas.

Nas últimas horas, o Tribunal Constitucional da Indonésia aceitou escutar no dia 12 de maio uma nova apelação sobre o caso dos australianos, mas o procurador-geral do país alertou que isso não afetaria o curso das execuções. Chan e Sukumaram foram condenados à morte em 2006 como líderes de uma quadrilha de traficantes chamada os “Os 9 de Bali”. Em 2005, eles tentaram introduzir no país oito quilos de heroína vindos da Austrália.

Chan aproveitou as últimas horas para se casar com Febyanti Herewila, uma cerimônia realizada na prisão com a presença de vários parentes e familiares. No caso de Gularte, a Justiça negou os pedidos de clemência da defesa, que alegou que o brasileiro não deveria ser executado porque sofre de esquizofrenia.

O Ministério das Relações Exteriores tentou intervir mais uma vez nesta segunda-feira, entregando uma nota de protesto ao governo da Indonésia. No documento, o governo brasileiro considera a execução de Gularte como “inaceitável”.

 Australianos Chan e Sukumaran tentaram transportar oito quilos de heroína da ilha de Bali para a Austrália Foto: EFE

Australianos Chan e Sukumaran tentaram transportar oito quilos de heroína da ilha de Bali para a Austrália Foto: EFE

Além de Gularte e dos australianos, os outros condenados são: o francês Serge Atresi Atlaoui, a filipina Mary Jane Veloso, o ganês Martin Anderson, o indonésio Zainal Abidin e os nigerianos Raheem Agbaje, Silvester Obiekwe Nwaolise e Okwudili Oyatanze. A pena de morte na Indonésia é aplicada a portas fechadas com um pelotão de dez fuzileiros, salvo ordem contrária do presidente.

As execuções deveriam ter ocorrido em fevereiro, mas os recursos apresentados pelos réus e a pressão internacional deram mais alguns meses de vida aos presos que estão no corredor da morte. A Indonésia, que retomou as execuções em 2013 após cinco anos de trégua, tem 133 prisioneiros no corredor da morte, dos quais 57 são por narcotráfico, dois por terrorismo e 74 por outros delitos.

Brasileiro não sabe que será executado

O paranaense Rodrigo Gularte ainda não sabe que poderá ser executado a qualquer momento, disse uma prima dele, Angelita Muxfeldt, que o acompanha na Indonésia, de acordo com o jornal Hora 1. A brasileira relatou que Gularte está bastante calmo, e ainda acredita que será solto.

Angelita visitou Gularte nesta terça-feira, e saiu chorando da prisão. Ao dar uma entrevista aos jornalistas indonésios, ela tentou sensibilizar o governo dizendo ao presidente que ele recusou erradamente o pedido de clemência de Gularte. A brasileira tem uma equipe de 10 advogados trabalhando pelo brasileiro, além de uma ONG que está ajudando.

Familiares do brasileiro Rodrigo Gularte chegam na Indonésia Foto: Reuters
Familiares do brasileiro Rodrigo Gularte chegam na Indonésia Foto: Reuters

Angelita disse ainda que não contou ao primo claramente o que deve ocorrer nas próximas horas, e que ele não sabe o que vai acontecer, apesar de ter sido informado no último sábado. Segundo a brasileira, ele sofre de delírios e não entendeu que será executado, nega que isso vá ocorrer e acredita que vai ser solto.

No ano passado Rodrigo Gularte foi diagnosticado com esquizofrenia por dois relatórios. Familiares dizem que o brasileiro passa seus dias na prisão conversando com paredes e ouvindo vozes. Além disso, se recusa a tirar um boné virado para trás, pois seria sua proteção.

O paranaense foi preso em julho de 2001 após tentar entrar na Indonésia com 6kg de cocaína escondidos em pranchas de surfe, e foi condenado à morte em 2005.

Familiares têm até as 10h desta terça para se despedir dos condenados

Os familiares do grupo de pessoas condenadas na Indonésia, entre eles o brasileiro Rodrigo Gularte, têm até às 10h (de Brasília) desta terça-feira para se despedir deles na penitenciária de Nusakambangan. Gularte, três nigerianos, dois australianos, uma filipina, um ganês e um indonésio podem ser executados por um pelotão de fuzilamento a qualquer momento.

Um francês também se encontra no corredor da morte na mesma penitenciária, mas sua execução ainda está pendente do resultado de um recurso.

“Estou rogando ao governo para que por favor não o execute. Por favor não o executem hoje, por favor cancelem a execução. Por favor não matem meu filho”, pediu Raji, a mãe do réu australiano Myuran Sukumaran, segundo o jornal “The Australian”.

No caso de Gularte, se a sentença for cumprida, ele será o segundo cidadão brasileiro a ser fuzilado na Indonésia por tráfico de drogas, após a execução de Marco Archer Cardoso Moreira em janeiro.

EFE

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