Brasil perde da Argentina e agora terá de secar rivais

Nocioni teve uma tarde inspirada neste sábado (Fotos: Reuters / Jim Young)
Nocioni teve uma tarde inspirada neste sábado
(Fotos: Reuters / Jim Young)

O Brasil lutou, mas, mais uma vez, não teve sucesso contra seu grande algoz. Apesar de um péssimo desempenho no primeiro quarto, a seleção brasileira se recuperou e dominou toda partida, mas, no final, acabou vacilando em momentos cruciais, deixou os rivais empatarem e, depois de duas prorrogações, acabou derrotada para a Argentina por 111 a 107, ficando em situação delicada para conseguir uma vaga nas quartas de final dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. A derrota, apesar de péssima, não significa eliminação imediata ao Brasil, já que ainda há uma partida contra a Nigéria e uma combinação de resultados pode salvar a equipe brasileira.

Com o revés, o Brasil fica com três derrotas e apenas uma vitória (1-3). Agora, precisa secar a Espanha (1-2), que enfrenta mais tarde a Lituânia e, na última rodada, a Argentina. Se o Brasil vencer a Nigéria, e a Espanha perder pelo menos um de seus jogos finais, a seleção entra porque venceu os espanhóis no confronto direto (primeiro critério de desempate). Ainda assim, na melhor das hipóteses, o Brasil se classificará como quarto colocado do grupo, enfrentando nas quartas de final a temida seleção dos Estados Unidos.

Apesar de ter eliminado a Argentina nas oitavas de final do último Campeonato Mundial, em 2014, o retrospecto recente jogava contra o Brasil. Nos últimos dez anos, foram derrotas nas quartas de final da Olimpíada de Londres-2012, na final do Pré-Olímpico de 2011, nas oitavas de final do Mundial de 2010 e na semifinal do Pré-Olímpico das Américas de 2007.

Defesa ruim e bolas de três definem 1º quarto – O Brasil teve muita dificuldade contra a Argentina no primeiro quarto. Apesar de Nenê começar bem, com seis pontos dentro do garrafão, eram os hermanos que tinham maior facilidade no setor ofensivo. A defesa de perímetro do Brasil não funcionava, e a Argentina, com a pontaria muito calibrada, abusou dos lances de três pontos, que fizeram a diferença. Com seis conversões de dez tentativas, a seleção argentina conseguiu abrir boa vantagem e terminou o período com uma vantagem de nove pontos: 28 a 19. Nocioni foi o grande destaque, com 12 pontos e dois rebotes.

BANCO FUNCIONA, E BRASIL CONSEGUE VIRADA

BasSem funcionar no primeiro quarto, Rubén Magnano optou por mexer na equipe que estava em quadra e apostou nas entradas do ala-pivô Guilherme Giovannoni e do ala-armador Vítor Benite. E as alterações deram muito certo. Com uma boa sequência de ataques, após desperdícios na parte ofensiva da argentina, os dois viraram a placar e mudaram a história do jogo. Com boas infiltrações e grandes arremessos de três pontos, Giovannoni e Benite somaram para 26 pontos, sendo dez do ala-pivô e 13 do armador. Ao final do período, vitória parcial brasileira por 52 a 44, com incríveis 33 a 16 neste quarto.

APAGÃO BRASILEIRO E ESPERANÇA HERMANA

Apesar de uma grande vantagem no placar, o Brasil não soube ter tranquilidade para matar o jogo e ficar confortável no último período. Com Leandrinho muito abaixo da média, a seleção errou muito e proporcionou vários momentos de contra-ataque aos argentinos, que emplacaram uma sequência de 11 a 0 no terceiro quarto e viraram o placar para 63 a 62. Isso tudo com Scola e Ginobili, dois dos principais jogadores, no banco de reserva.

Se pelo lado brasileiro era Leandrinho que não tinha uma boa atuação, pelo lado dos argentinos foi Gabriel Deck que deixou a desejar. O ala errou praticamente tudo na parte ofensiva e o Brasil, com Nenê em ótima forma dentro do garrafão, soube aproveitar. Com 64% de acerto do pivô brasileiro, a seleção ainda conseguiu terminar em vantagem: 72 a 67.

EMPATE E PRORROGAÇÕES

baskNo último e decisivo quarto, Brasil melhorou e conseguiu segurar a pressão argentina. Além da boa entrada de Rafael Hettsheimeir, as bolas de Nocioni não entravam com tanta facilidade e a vantagem de cinco pontos se manteve até metade do período.

O problema é que a Argentina, como de costume, não desistia do jogo e voltava a tirar a diferença do placar. No último ataque com menos de dez segundos no relógio, Nocioni arriscou novamente e, dessa vez, a bola caiu. 85 a 85. Magnano até pediu tempo para tentar organizar uma última posse de bola, mas a jogada entre Nenê e Huertas não funcionou e o duelo foi para a prorrogação.

Depois de mais um empate, as seleções foram para segunda prorrogação. E, nessa, quem decidiu foi Campazzo. Com duas bolas seguidas de três pontos, o armador colocou uma boa vantagem aos argentinos no placar. Leandrinho até acordou e, com pontos consecutivos, ainda tentou manter o Brasil vivo, mas não foi o suficiente para evitar a derrota brasileira.

SEGURANÇA REFORÇADA

Depois de uma confusão envolvendo um brasileiro e um argentino em uma partida de tênis, a Rio-2016 decidiu, devido a grande rivalidade entre Brasil e Argentina, reforçar a segurança na Arena Carioca 1. De acordo com o Tenente Coronel Aginaldo Oliveira, houve um aumento de 50 para 150 policiais dentro do ginásio neste sábado.

QUEBRA DE PROTOCOLO POR UM BOM MOTIVO

Brasil e Argentina quebraram um protocolo antes de a bola subir. Mas foi por um bom motivo. Além das bandeiras entrarem juntas na quadra da Arena Carioca 1, Marcelinho Huertas e Luis Scola, capitães das duas equipes, pediram paz entre os torcedores nas arquibancadas. “Boa tarde. Estamos aqui para falar em nome de Brasil e Argentina. Somos irmãos sul-americanos. Viva o espírito olímpico”, declarou Huertas com o microfone em mãos. “Em nome de todas as equipes, queremos um espetáculo esportivo com respeito e civilidade”, completou Scola.

O hino nacional da Argentina, que costuma ser vaiado nas arquibancadas, foi muito respeitado.

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