BNDES vai questionar CVM sobre validade de reunião do conselho que elegeu novo presidente da JBS

Do G1

Paulo Rabello de Castro diz que não sabia da reunião do conselho de administração da JBS no sábado (Foto: Wilton Junior/Estadão Conteúdo)

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai consultar a Comissão de Valores (CVM) sobre a validade da reunião do conselho da JBS, que no sábado elegeu José Batista Sobrinho como novo presidente-executivo da empresa. Ele é pai de Wesley e Joesley Batista, que estão presos, e substituirá Wesley no comando da maior empresa de carne do mundo.

As afirmações foram feitas pelo presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, em entrevista à Reuters nesta segunda-feira (18). Ele disse que continuará defendendo a saída definitiva da família Batista do comando da JBS.

A JBS anunciou no domingo (17) a substituição de Wesley por José Batista Sobrinho na presidência da empresa. Segundo o comunicado da companhia, a escolha foi feita pelo conselho de administração da empresa em reunião no sábado em decisão unânime.

O BNDES é o segundo maior acionista da JBS com uma participação de 21,3% na empresa, por meio do seu braço de investimento em companhias, o BNDESPar. O banco tem direito a indicar dois conselheiros para a empresa, mas atualmente apenas uma vaga está preenchida.

Rabello de Castro disse que não sabia da reunião de sábado, que elegeu Sobrinho por unanimidade, e criticou a representante do BNDESPar no conselho, Claudia Silva de Azeredo Santos, por ter participado e votado.

Briga com a família Batista

O BNDES vinha defendendo o afastamento de Wesley do comando da JBS desde que se tornou pública a delação premiada dos executivos da companhia.

A pressão aumentou após o empresário ter sido preso na quarta-feira pela Polícia Federal, acusado de usar informações privilegiadas para ganhar dinheiro no mercado financeiro.

“O banco permanecerá firme como uma rocha na sua posição como sócio da empresa influindo tudo que for possível para consertar a péssima governança da companhia”, afirmou. Mas o banco não pretende se desfazer da participação na JBS.

A JBS é alvo de escândalo, após seus executivos revelarem um esquema para comprar de políticos. As revelações foram feitas em um acordo de delação premiada. O acordo pode ser cancelado após a descoberta de que os delatares esconderam crimes que não foram revelados à época do acordo.

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