BNDES pode cobrar dívida inteira do Corinthians se provada propina na arena

A suspeita de pagamento de propina levantada pela operação Lava-jato na Arena Corinthians virou uma ameaça financeira para o clube. O contrato de financiamento da Arena Corinthians prevê que o BNDES pode cobrar integralmente a dívida se for constatado desvio dos recursos emprestados. O banco informou que acompanha a investigação e que tomará as medidas cabíveis se comprovar problemas.

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Em meio aos financiamentos da Copa-2014, a Arena Itaquera, empresa do estádio, pegou R$ 400 milhões com o BNDES. Começou a pagar no meio de 2015 e tem tido dificuldades para quitar as parcelas de R$ 5 milhões porque a arena pena para obter as receitas previstas.

Até que a investigação da operação Lava-Jato da Polícia Federal encontrou um pagamento de R$ 500 mil feito pelo diretor da Odebrecht Antônio Gavioli no departamento apontado como de propinas na empreiteira. O dinheiro tinha o grifo Timão e há a suspeita de que foi para o vice-presidente corintiano André Luis de Oliveira, o André Negão.

Veja o que diz a cláusula 17 do contrato de financiamento do estádio entre a Caixa Econômica Federal, a Arena Itaquera e o BNDES: “o agente financeiro declarara antecipadamente vencido este contrato, com sustação de qualquer desembolso e exigibilidade da dívida independentemente de aviso, notificação judicial ou extrajudicial, se for comprovada a ocorrência dos seguintes eventos: a) aplicação dos recursos do financiamento em finalidade diversa da prevista no projeto.”

Nesta mesma cláusula, está dito que a dívida pode ser cobrada também integralmente se a beneficiária (Arena Itaquera) der informações falsas, incorretas ou enganosas. Ou seja, se a empresa que é controlada pela Odebrecht tiver prestado contas de forma mentirosa, o BNDES pode cobrar todo o dinheiro.

Questionado, o BNDES informou que projetos financiados passaram por tribunais de contas e por auditorias. E deixou claro que está de olho no que será descoberto na Lava-Jato.

“Em relação às investigações da Polícia Federal referentes à Arena Itaquera, o BNDES acompanha o caso e vai tomar as providências aplicáveis de acordo com o desenrolar dos acontecimentos. Caso os recursos do Banco tenham sido utilizados em finalidades distintas daquelas previstas no projeto, poderão ser aplicadas as medidas previstas nos normativos do BNDES”, informou a assessoria do banco.

A Odebrecht não quis se pronunciar sobre a suspeita de propina e a possível execução do contrato. Apenas enviou nota em que ratifica ter iniciado um processo de colaboração com a polícia federal.

A assessoria do Corinthians não respondeu às perguntas do blog. Procurados, seus dirigentes não atenderam às ligações. (via Blog Rodrigo Mattos)

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