Biffi refuta ‘faxina ética’ e diz que PT vai lançar candidato a prefeito

O ano começa com a decisão de alguns dos principais partidos do cenário político de Mato Grosso do Sul, sobre lançar ou não um nome próprio para a disputa da prefeitura de Campo Grande, em suspense. O PT (Partido dos Trabalhadores), por exemplo, enfrenta um período de grande turbulência, com dois de seus maiores expoentes investigados.

Biffi com Delcídio e Vander, diz que PT não fará faxina ética
Biffi com Delcídio e Vander, não aceita a ideia de “faxina ética apenas para o PT”.

Primeiro, o senador Delcídio do Amaral – depois de prisão e suspensão no partido, ocorridas após a comprovação de que o parlamentar estaria planejando a libertação e fuga para a Europa de uma das principais testemunhas da Operação Lava-Jato, o ex-diretor da área internacional da Petrobras, Nestor Cerveró.

Depois, de outro dos maiores nomes do partido em MS, o deputado Vander Loubet, denunciado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, dentro da Operação Lava-Jato, por 111 crimes, divididos entre corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa, pelos quais Janot pede a abertura de uma ação penal que abriria caminho para a cassação, o que depende agora apenas de autorização da 2ª turma do STF. (No caso de Loubet, outras quatro pessoas ainda estariam envolvidas, entre elas, Roseli da Cruz Loubet, mulher do deputado e o advogado Ademar Chagas da Cruz, cunhado de Loubet). Tudo isso, no PT, partido que desde a sua fundação, em 1980, apresentava como cerne de seu discurso, a defesa da ética na política: um verdadeiro bastião da moralidade política.

“Eu detesto essa frase ‘faxina ética’. E ainda mais no PT. Acho que uma ‘faxina ética’ teria que ser feita no meio político e no meio empresarial, na sociedade como um todo. O partido tem a clareza de que quem cometeu deslize ético, tem que pagar por isso, mas não é só para o partido, não é só para o PT. É para a sociedade”, defendeu o presidente estadual do partido, Antônio Carlos Biffi.

De acordo com o presidente do PT: “Existe um discurso para desviar o foco. A corrupção está no meio empresarial e em todos os poderes. O cachimbo, de tanto usar de um só lado da boca, a entortou. O que o PT, por conta própria faz é buscar nomes que estejam com a sua ficha limpa para as eleições 2016, mas nós somos um partido com integrantes da sociedade, e na sociedade qualquer cidadão pode cometer erros”, ponderou.

“O PT terá candidato próprio para a prefeitura de Campo Grande”, garantiu Biffi. “Temos vários nomes cogitados dentro do partido: Cabo Almi, Amarildo Cruz, Pedro Kemp e eu. Então, entendo que logo entraremos em entendimento quanto ao nome que concorrerá em Campo Grande. Nós buscaremos, internamente, o entendimento – eu também não gosto da palavra ‘consenso’ -, os melhores nomes para representar o partido”, afirmou.

De fato, um entendimento será necessário no partido, já que o nome mais forte da legenda em uma eventual pré-candidatura à prefeitura de Campo Grande, o de José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, em entrevista recente ao Página Brazil, afirmou que “não descarta a possibilidade de ser o candidato do partido à prefeitura de Campo Grande, mas que estuda outras possibilidades, entre elas, o apoio ao ex-petista, Ricardo Ayache (atual PSB)”, em uma esquiva dos eventuais danos que a rejeição à legenda em nível federal, poderia causar nas eleições municipais.

Ainda segundo o presidente do PT em Mato Grosso do Sul, Antônio Carlos Biffi: O partido tem realizado reuniões sistemáticas e “no final do janeiro, início de fevereiro, faremos uma reunião com as lideranças dos municípios que já tiverem definido os nomes que serão lançados como pré-candidatos. O PT terá candidatos para a disputa nos quinze maiores municípios e para disputar as reeleições nos 12 municípios em que detém hoje um mandato no estado”, garantiu o presidente do PT.

Biffi explicou que o cronograma dessas reuniões do partido será basicamente definido pelo que impõe o calendário da Justiça eleitoral. “De 2 de março a 2 de abril estará aberta a janela partidária e a campanha terá 45 dias de duração, de julho à agosto, logo, nossas escolhas serão determinadas por esse calendário”, finalizou.

Silvio Ferreira

*Atualizado às 18h07, para acréscimo de informações.

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